As Igrejas de Amsterdam

Que a Europa é cheia de belas Igrejas para visitar não é surpresa nem novidade, sendo assim, em Amsterdam, cidade dos coffee shops e Red Light District, também há igrejas bem bonitas. Mesmo tendo na sua história um período em que professar a religião católica era proibido, as igrejas católicas foram mantidas para fins protestantes ou exposições e hoje são atrações turísticas, não importando a fé ou o motivo pelo qual a igreja ainda existe.

De Krijtberg foi a primeira igreja que entrei. Seu nome significa Montanha de Cal e é na verdade seu apelido, o nome oficial é Franciscus Xaveriuskerk ou São Francisco Xavier, um monge jesuíta. Essa Igreja Católica se localiza no Singel, um canal que circulava a cidade na Idade Média, no centro de Amsterdam.

De Krijtberg Kerk

A igreja em estilo neo-gótico foi desenhada por Wilhelm Victor Alfred Tepe, considerado um dos mais importantes arquitetos góticos dos Países Baixos no século XIX. Assim como muitas igrejas católicas de Amsterdam, ela começou como uma igreja jesuíta secreta, em 1654. A igreja clandestina foi então substituída por outra em 1677 e finalmente, a De Krijtberg Kerk foi construída no mesmo local em 1881 e inaugurada em 1883, sendo facilmente reconhecida pelas duas torres pontiagudas.

De Krijtberg Kerk

Como na época havia limitação de espaço no centro de Amsterdam, o arquiteto a desenhou com uma imponente fachada e por dentro o espaço da galeria central foi privilegiado, no lugar das galerias laterais, comuns nas igrejas católicas europeias. Hoje, é considerada uma das igrejas jesuítas mais antigas e importantes do país.

De Krijtberg

 

Sint Nicolaas Kerk, Igreja de São Nicolas, foi construída entre 1884 e 1887 na parte antiga de Amsterdam sob influências de estilo barroco e neo-renascentista. O responsável pela mistura de estilos foi o arquiteto Adrianus Bleijs. Seu nome original é Sint Nicolaas binnen de Veste que quer dizer São Nicolas dentro das muralhas, uma referência à sua localização dentro das fronteiras originais de Amsterdam. Ela fica próxima à Estação Central.

É a maior Igreja Católica da cidade. Fui várias vezes visita-la, mas sempre a encontrava fechada, isso porque ela abre somente em horários específicos durante o dia.

Em 2012, na ocasião do seu 125° aniversário, a igreja foi elevada à condição de Basílica.

Saint Nicolas Kerk

 

Oude Kerk, ou Igreja Velha, possui uma localização singular, no meio do Red Light District, o bairro onde as prostitutas ficam nas janelas a espera de seus clientes ao lado de várias casas de shows de sexo explícito. A explicação para isso é divertida, segundo os locais, o Red Light District se desenvolveu em volta da Igreja porque quando os marinheiros chegavam à Amsterdam, eles visitavam as prostitutas de noite e no dia seguinte iam à Igreja confessarem seus pecados. Então era bem conveniente que a igreja ficasse próxima aos prostíbulos. Digamos que facilitava a vida dos marinheiros. Somente em Amsterdam mesmo para ouvirmos uma explicação assim.

531 - Oude Kerk 01

A Oude Kerk é a igreja mais antiga da cidade, construída no século XIII, e hoje ela é resultado de várias mudanças e adaptações que foram sendo feitas ao longo dos anos. A igreja foi bem danificada em dois incêndios ocorridos em 1421 e 1452 e também pela ação de vândalos fanáticos que atacaram seu interior quando Amsterdam assumiu como religião oficial o protestantismo em 1578.

532 - Oude Kerk 02

535 - Oude Kerk 05

Após essa data, a igreja foi confiscada e usada para fins protestantes. Hoje ainda preserva a torre do sino original e algumas janelas de vidro. A torre oferece uma boa vista da cidade. A esposa de Rembrandt está enterrada nesse local.

Hoje em dia não é mais uma Igreja e sim um local de exposições de quadros, uma vez que perdeu sua importância para a Nieuwe Kerk ou Igreja Nova.

539 - Oude Kerk 09
Interior em estilo neo gótico da Oude Kerk
Um dos quadros em exposição na Oude Kerk
Um dos quadros em exposição na Oude Kerk

Begijnhof não é uma igreja, mas trata-se também de um lugar com significado religioso. O local me chamou a atenção durante o o Walking Tour que fiz. Enquanto ouvíamos as histórias que o guia americano falava, uma porta me chamou a atenção. Terminado o tour, voltei ao local e decidi abrir a porta. Qual foi minha surpresa ao, após atravessar um pequeno corredor, me deparar com um local tão agradável.

Porta que dá acesso ao Begijnhof. Passando na frente ninguém imagina que há um belo átrio lá dentro
Porta que dá acesso ao Begijnhof. Passando na frente ninguém imagina que há um belo pátio lá dentro

Begijnhof é na verdade um pátio construído em 1346. Ali viviam as Beguines, mulheres católicas que escolheram uma vida de convento e frequentemente com voto de castidade. A última morreu em 1974 e sua casa, a de número 26, foi preservada intacta. A de número 34 é a casa mais antiga, sendo do século 15.

Fachada de madeira da casa mais antiga, do século XV
Fachada de madeira da casa do século XV, a mais antiga do Begijnhof

Existe uma Igreja no local, a Engelse Kerk, construída também no século XV, no entanto, no período de proibição da religião católica, essa igreja também foi tomada pelos protestantes e as Beguines celebravam a missa em um igreja clandestina dentro da casa oposta à Engelse Kerk.

458 - Begijnhof 05
Um lugar de paz no meio da agitação de Amsterdam

Hoje ainda há pessoas que moram mesmo no local e há uma cerquinha para evitar a entrada de estranhos nessas casas. Begijnhof é um local de paz e tranquilidade em plena agitação de Amsterdam, vale a pena visitar e passar um tempo desfrutando da paz do lugar.

Casas que compõem o Begijnhof
Casas que compõem o Begijnhof

 

Bom, a próxima igreja eu não sei o nome dela, na verdade tirei essa foto pois, o que mais me chamou a atenção foi o fato de ter uma loja de sapatos bem ao lado da igreja. Um bom exemplo da falta de espaço que existe em Amsterdam. De fato, eles estão usando lixo para deixar o solo mais duro e dessa forma poderem construir mais casas, já que a cidade não tem mais para onde crescer em virtude do mar e dos canais existentes.

601 - Amsterdam

Entre as Tulipas e o Erotismo, outros museus em Amsterdam

Como já mencionei em um post anterior, em Amsterdam há muitos museus. Alguns sobre temas inusitados, como museu da maconha, por exemplo, que só poderia existir mesmo nessa cidade.

Um museu pouco comum e muito atraente é o Museu Flutuante de Tulipas. Existe o museu em terra firme também, mas o flutuante fica em uma charmosa embarcação de madeira toda enfeitada com tulipas. Não tem como não achar gracioso.

As tulipas são flores icônicas na Holanda. Elas foram importantes na história do país, seus bulbos serviram de alimento durante a guerra e ainda hoje é a flor preferida dos holandeses. Talvez esteja ai o porquê desse museu.

Museu flutuante de Tulipas
Museu flutuante de Tulipas visto do canal

Outro museu que visitei foi o Museu do Teatro ou Theaterkrant. Na época da faculdade, eu fazia parte do TRUSP, Teatro Ribeirãopretano da USP. Após a faculdade, migrei meu interesse do teatro para a dança, mas a paixão pelo tema nunca acabou. Por isso, fiquei bastante interessada em visitar esse museu, assim que fiquei sabendo da existência dele em Amsterdam.

Infelizmente, o Theaterkrant fechou permanentemente após janeiro de 2009, uma pena para as pessoas que adoram teatro, ópera e dança. O museu ficava em uma bela casa construída em 1638 à beira do canal por um dos arquitetos mais famosos da época, chamado Philip Vingboons.

Fachada do museu do teatro em uma casa do século XVII
Fachada do museu do teatro em uma casa do século XVII

Se a fachada da casa já vale a pena, seu interior chama mais ainda a atenção pela bela escadaria e o hall de mármore. Só havia eu nesse museu e assim foi possível entrar até nas salas de reuniões. Lá ficavam expostos, em várias galerias, o vestuário e material usados nas peças de teatros holandesas tanto antigas quanto contemporâneas. Hoje o museu faz parte do Instituto de Teatro dos Países Baixos.

Peças de vestuário em exposição
Peças de vestuário em exposição

 

São várias vestimentas distribuídas na galerias do antigo museu
São várias vestimentas distribuídas na galerias do antigo museu

Saindo da beleza e charme das tulipas e da magia do teatro, vamos para o bizarro Museu da Tortura. Esse museu revela como foi o tempo doloroso da Idade Média, não à toa também conhecida como Idade das Trevas. O acervo conta com mais de 40 objetos de tortura de diferentes partes da Europa, desde a época da Inquisição até a guilhotina.

Incrível a capacidade do ser humano de inventar instrumentos capazes de proporcionar a dor para outras pessoas. Há explicações em oito idiomas e o ambiente é um pouco escuro e claustrofóbico, combinando com o tema do museu.

Cadeira de tortura onde o próprio peso da pessoa era usado para afunda-la nas pontas existentes na cadeira
Cadeira de tortura onde o próprio peso da pessoa era usado para afunda-la nas pontas existentes na cadeira
462 - Torture museum
Dama de ferro, usada para aprisionar a pessoa em seu interior


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bom, e Amsterdam não seria Amsterdam sem um museu do Sexo ou Venustempel (Templo de Vênus). O museu, assim como a maioria dos museus de Amsterdam, fica em uma casa do século XVII, porém não nos canais e sim na Danrak. Por isso, acaba sendo uma das primeiras atrações que os visitantes vindos da estação de trem veem.

398 - Sex Museum
A exposição permanente é intitulada Sex through the ages

O museu se orgulha de possuir uma extensa coleção de esculturas, pinturas e objetos eróticos, bem como fotos e documentos pornográficos. Todo o acervo foi comprado pelos próprios donos do estabelecimento. O museu abriu suas portas em 1985 com uma pequena coleção de objetos eróticos do século XIX. O entusiasmo dos primeiros visitantes garantiu não apenas sua sobrevivência, como também a expansão. O local é bem movimentado e por onde se anda nos museus escuta-se as risadinhas e piadas dos turistas curiosos.

400 - Sex Museum
Há peças eróticas de quase todas as épocas da história da civilização

Visitando a casa de Anne Frank em Amsterdam

Um dos museus mais importantes de Amsterdam é a casa de Anne Frank. Fui nesse museu, após fazer um Free Walking Tour, com um guia americano que vive em Amsterdam. O Tour terminou em frente à casa, então aproveitei para conhecê-la.

Fachada da casa da Anne Frank
Fachada da casa da Anne Frank

Anne Frank foi uma das muitas vítimas da perseguição aos judeus na Segunda Guerra Mundial. Em 1933, com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, a família Frank decidiu mudar-se para os Países Baixos. Em 1940, o país foi invadido pelos nazistas, Anne Frank, seus pais Otto Frank e Edith Frank-Holländer e sua irmã Margot tentaram escapar da perseguição escondendo-se em um anexo no alto da casa, cujo acesso se dava por uma escada escondida atrás de uma estante.

Estante que servia de fachada para o anexo onde a família Frank e mais outras 4 pessoas viveram escondidas por dois anos
Estante que servia de fachada para o anexo onde a família Frank e mais outras 4 pessoas viveram escondidas por dois anos

Mais tarde, juntaram-se a eles outros 4 judeus, Fritz Pfeffer, Hermann e Auguste van Pels e seu filho Peter. E assim 8 pessoas passaram a viver enclausuradas em um espaço pequeno onde não podiam falar alto, usar o banheiro de dia e nem pisar com força para não serem descobertos . Eles também não podiam abrir as janelas e nem sair do anexo. A vida no esconderijo durou por dois anos, período em que Anne Frank escreveu seu diário, após isso, eles foram denunciados à polícia. Até hoje não se sabe ao certo quem foi o autor da denúncia.

Banheiro do esconderijo. As pessoas só podiam usar o banheiro em horários em que o barulho da água escorrendo pelos canos não despertasse a atenção de outras pessoas.
Banheiro do esconderijo. As pessoas só podiam usar o banheiro em horários em que o barulho da água escorrendo pelos canos não despertasse a atenção de outras pessoas.

Os oito clandestinos e os quatro colaboradores que levavam comida, roupas e jornais para eles foram presos e enviados para diferentes campos de concentração. Na última sala do museu, há as cartas que Otto Frank, único sobrevivente que conseguiu sair vivo de Auschwitz, escreveu na tentativa de encontrar as filhas já mortas. Seu desespero é comovente e tocante, assim como tudo na casa e no anexo que serviu de esconderijo.

O esconderijo era dividido em ambientes
O esconderijo era dividido em ambientes

O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez nos Países Baixos em 1947 e até hoje já foi traduzido para mais de 60 línguas. Na loja do museu há exemplares a venda em diversos idiomas. Ela escreveu em seu diário tudo sobre a vida no anexo, retratando os sentimentos de isolamento dos clandestinos e a angústia e medo permanentes de serem descobertos. Sem dúvida, uma realidade bem dura, é difícil mesmo até imaginar como é viver enclausurado dessa forma por 2 anos e depois ainda serem denunciados.

www.annefrank.org/pt/

Esse foi um dos lugares que menos gostei na cidade, mas principalmente pela história triste.Não me senti bem lá dentro e tive até mesmo um pouco de falta de ar. Sai da casa abatida e impressionada com a triste realidade e perseguição que Anne Frank, sua família e seus amigos viveram e sofreram.

A casa foi aberta ao público em 1960. Foi um dos poucos museus na Europa que eu vi guia em português. É proibido fotografar, filmar e conversar no telefone dentro da casa. Na entrada as bolsas são revistadas por seguranças. Os cuidados não são exagerados. A estátua de Anne Frank que há em frente à casa já foi vítima de atentado de neonazistas.

O museu é aberto das 9:00 às 21:00 de abril a outubro. Nos demais meses fecha mais cedo, as 19:00. O valor do ingresso é €9,00 (valor para adulto). Apenas o Museumkaart permite a entrada gratuita. O cartão I Amsterdam City Card não é aceito pelo museu.

Museu Joods Historisch, o museu judaico de Amsterdam

O Museu Joods Historisch, ou Museu de História Judaica é formado por um complexo de 4 sinagogas no coração do bairro judeu no centro de Amsterdam. Essas sinagogas serviam a uma comunidade de 100.000 judeus que encolheu para menos de 10.000, após a Segunda Guerra Mundial!

565 - Museu Joods Historisch 20

O museu foi fundado por judeus americanos e holandeses em 1930, com o objetivo de mostrar tudo que fosse relacionado com a vida dos judeus em geral e em especial na Holanda, obviamente. Porém, após a ocupação nazista, foi forçado a fechar e muitas peças do acervo foram confiscadas e perdidas, infelizmente. Foi reaberto somente em 1955, pelo primeiro ministro holandês.

551 - Museu Joods Historisch 06

O acervo é bem bonito, o museu coleciona objetos de arte associados com a religião, cultura e história dos judeus na Holanda e suas primeiras colônias, Ao todo são cerca de 16.000 trabalhos de arte, itens cerimoniais e objetos históricos, mas somente 5% destes itens é que estão na exposição permanente. Os demais são expostos apenas em datas comemorativas ou exposições especiais. Somando as fotos e documentos históricos, temos um total de 30.000 itens.

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Na Grande Sinagoga estão expostos objetos que mostram a história da comunidade judaica no período compreendido entre 1600 e 1900. Os objetos são expostos em ordem cronológica. Já na Nova Sinagoga, está a coleção permanente de objetos de 1900 até os dias de hoje.

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Quando entrei no museu, perguntei se podia tirar fotos e o segurança me respondeu: “Claro, se você tira fotos, você vai mostrar para outras pessoas, elas vão querer vir aqui e com isso a gente ganha mais dinheiro.”

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Bom, eu consegui tirar realmente bastantes fotos lá e vou reproduzir algumas aqui. Espero que o que o segurança disse seja verdade e que esse post e as fotos atraiam o interesse das pessoas, pois é um museu que vale a pena conhecer.

Os livros expostos foram os itens que mais gostei de fotografar. Achei as gravuras e ilustrações bem bonitas, verdadeiro trabalho de arte.

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O museu abre diariamente das 11:00 as 17:00. O valor do ingresso é € 15,00, mais caro que os museus que formam os Canalmuseums e um dos mais caros que visitei em Amsterdam, mas mesmo assim, indico o museu para quem quiser conhecer mais da história judaica. A entrada, assim como na maioria dos museus de Amsterdam, é gratuita para quem tem os cartões Museumkaart, Holland Pass, I Amsterdam City Card, Rembrandtkaart, ou ICOM.

Museu Museu Amstelkring – Our Lord in the Attic – em Amsterdam

Amstelkring era um dos museus que eu mais queria conhecer em Amsterdam, desde que vi na televisão um documentário sobre a cidade em que esse museu era citado. Desde então, achei sua história interessante e cativante e fiquei bem curiosa para ver de perto.

Museu Amstelkring, Ons’ Lieve Heer Op Solder, ou em inglês “Our Lord in the Attic”, “Nosso Senhor no Ático”, fica em uma casa do século 17 e faz parte dos Canalmuseums, museus existentes em casas construídas à beira dos canais de Amsterdam.

497 - Museu Amstelkring 06

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Sua história envolve não apenas a história da própria cidade e suas casas de canais como também a fé de uma família proibida de expressar sua religião em público.

Em 1578 Amsterdam adotou o protestantismo e proibiu a religião católica. Quase 100 anos depois, em 1661 Jan Hartman, um comerciante, comprou esta casa. Ele e sua família viviam no térreo e, como era oficialmente proibido pelas autoridades protestantes rezar missas em Amsterdam, ele converteu o sótão em uma Igreja católica secreta.

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Imagens, esculturas e pinturas barrocas fazem parte do acervo do museu
Relíquias religiosas
Relíquias religiosas em exposição no porão da casa

Em 1888 a casa se tornou um museu, um dos mais antigos do país. Nesse ano, um grupo de católicos de Amsterdam, que se autointitulavam de “De Amstelkring” (algo como o círculo Amstel, nome que derivou Amsterdam), salvou o prédio da demolição e o abriu para o público.

É a única igreja católica secreta que conserva ainda seu estado original. A igreja foi construída entre 1661 e 1663 no alto da casa juntamente com mais 2 casas adjacentes. O ponto alto é o altar em estilo barroco. A igreja foi desenhada para dar uma ilusão de espaço criada pela combinação da arquitetura, esculturas e pinturas. Hoje em dia ainda é usada para missas especiais, casamentos e concertos. O órgão, construído especialmente para essa igreja em 1794 ainda funciona.

www.sacred-destinations.com

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O museu é adorável, com a mobília original e peças de arte do século 17, refletindo o estilo da época, o classicismo holandês. Em vários cômodos também há pinturas de artistas holandeses retratando principalmente passagens da Bíblia.

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501 - Museu Amstelkring 10

No porão há peças religiosas como imagens de estilo barroco e outras relíquias. Existe um pequeno confessionário no segundo andar, construído no século 18. Também existem duas cozinhas mobiliadas conforme os séculos 17 e 19 com lindos azulejos brancos com desenhos azuis variados no meio.

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Detalhe dos azulejos das cozinhas dos séculos 17 e 19
Detalhe dos azulejos das cozinhas dos séculos 17 e 19

Foi um dos lugares que mais gostei de visitar na cidade. Hoje em dia não é mais permitido tirar fotos dentro do museu. Ainda bem que não era quando fui.

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Amstelkring abre de segunda a sábado das 10:00 as 17:00. Domingos e feriados abre mais tarde, as 13:00.

O valor do ingresso é €10,00 (adulto). A entrada é gratuita para os portadores dos cartões Museumkaart, ICOM, Rembrandtkaart, Holland Pass Voucher, I Amsterdam City Card e Stadspas. O audioguia está incluso no ingresso, disponível nos idiomas inglês, holandês, francês, espanhol, alemão, italiano e russo.

Museu Willet-Holthuysen em Amsterdam

Willet-Holthuysen faz parte de um dos 8 museus que compõe os Museus dos Canais (Canalmuseums). Esse foi o primeiro museu que visitei em Amsterdam. Quando fui, recebi um livro, logo na entrada, onde havia explicações de cada aposento da casa. É um livro bem interessante e detalhado que deve ser devolvido no final da visita. Agora há também audioguia disponível por € 2,00 nos idiomas holandês, inglês, russo, alemão, italiano, espanhol e francês.

Entrada do museu Willet-Holthuysen, um dos museus existentes em casas do século XVII nos canais de Amsterdam
Fachada do museu Willet-Holthuysen, um dos museus existentes em casas do século XVII a beira dos canais de Amsterdam

Em 1895, a senhora Louisa Willet-Holthuysen de 71 anos deixou essa casa do século XVII existente na beira do canal, para a cidade, juntamente com tudo que existia dentro dela, incluindo a coleção de arte do seu último marido Abraham Willet. O casal era colecionador de objetos de arte e esculturas, bem como de prataria, cerâmicas e porcelanas.

Uma pequena parte da coleção de prataria da família Willet Holthuysen
Uma pequena parte da coleção de prataria da família Willet-Holthuysen

A condição para a doação da casa é que essa se mantivesse como estava e se tornasse um museu. Foi o que aconteceu, o local se transformou no museu que mantém o nome da família. Hoje as peças das coleções do casal Willet-Holthuysen encontram-se distribuídas nos três andares da bela e bem decorada casa, mostrando um pouco como era a vida de famílias importantes e ricas da Holanda.

Peças de porcelana de uma das coleções da casa
Peças de porcelana de uma das coleções da casa

No térreo estão a cozinha e o jardim. Os empregados tinham que subir as escadas para levar as refeições para o andar de cima. Não devia ser muito fácil. A exceção dos demais cômodos da casa, a cozinha não é a original, ela foi reconstruída baseada nas cozinhas tradicionais das casas existentes na beira dos canais no final do século XVIII.

Cozinha no andar térreo. Os móveis são uma mistura de cozinhas existentes nas casas do século XVIII
Cozinha no andar térreo. Os móveis são uma mistura de cozinhas existentes nas casas do século XVIII

No andar de baixo ficava a mobília mais simples, pois caso houvesse alguma inundação, se perderia somente os móveis de menor valor. O mesmo se repete com as demais casas de canal em Amsterdam, uma vez que a água é uma eterna inimiga da cidade.

O jardim também foi refeito de forma a lembrar os jardins franceses do início do século XVIII. Escolheram bem a referência francesa, é um belo jardim com plantas bem distribuídas e algumas esculturas, compondo um lugar de calma e beleza

O jardim foi inspirado nos jardins franceses do século XVIII
O jardim foi inspirado nos jardins franceses do século XVIII
361 - Willet Holthuysen Museum 05
Esculturas contribuem para a beleza estética do jardim

No primeiro andar ficam a sala de jantar, salão de festas e uma sala de estar onde Louisa recebia suas convidadas, chamada de sala das mulheres, toda decorada com móveis caros estilo Luis XV, vindos de Paris. Também há a sala de jogos onde os proprietários recebiam os amigos para jogar e fumar charutos.

Detalhe do salão de jogos onde o casal Willet Holthuysen recebia os convidados
Detalhe do salão de jogos onde o casal Willet Holthuysen recebia os convidados

Era pelo primeiro andar que os donos e convidados entravam na casa. Uma vez que ele ficava acima do nível da água, mesmo em caso de enchentes, a decoração era bem mais suntuosa e elegante. As janelas da casa, assim como as de muitas outras existentes na beira dos canais, são grandes pois eram por elas que entravam a mobília.

Sala de jantar. OS empregados traziam os pratos da cozinha no andar de baixo para essa sala
Sala de jantar. Os empregados traziam os pratos da cozinha no andar de baixo para essa sala

No segundo andar ficam os quartos ricamente decorados em estilo romântico e com cama de dorsel. Para chegar ao segundo andar há uma magnífica escada decorada com belas estátuas da mitologia grega.

Escadas para o segundo andar da casa museu
Escadas para o segundo andar da casa museu
Estátuas na parte superior das escadas
Estátuas na parte superior das escadas

Não devia ser ruim morar em um casa assim, ao contrário devia ser bem agradável. Tanto a arquitetura quanto decoração e mobília formam um belo conjunto digno de um museu mesmo. Que bom que a sra Wiley- Holthuysen doou sua residência para a cidade e que seu desejo de a transformar em um museu para a comunidade poder visitar foi realizado. Dessa forma podemos vivenciar um pouquinho do que era a vida em uma casa do século XVII em Amsterdam.

Wiley- Holthuysen entrou para a lista dos museus que mais gostei em Amsterdam.

Cama em dorsel no quarto principal
Cama em dorsel no quarto principal

O museu é aberto de segunda a sexta das 10:00 as 17:00, nos finais de semana e em feriados nacionais abre mais tarde, as 11:00. O ingresso custa € 8,50 (valor para adulto). A entrada é gratuita para portadores dos cartões Stadspas, I Amsterdam Card, I Amsterdam Congress Card, Vereniging Rembrandt, ICOM, Museumkaart (residentes na Holanda) e Holland Pass voucher.

Canalmuseums – Os museus dos canais de Amsterdam

Canalmuseums são formados por 8 belas casas localizadas nos canais de Amsterdam. São construções que datam desde o século XVII, retratando toda a opulência dessa época na Holanda. Visitar esses museus é voltar no tempo, apreciar como eram o interior das casas e experimentar como era a vida de famílias ricas e importantes de Amsterdam. Eles formam um magnífico conjunto de acervos variados com o belo interior das casas.

Os oito museus que formam os Canalmuseums são Amstelkring – Our Lord in the Attic, Willet-Holthuysen, Het Rembrandthuis,Van Loon, Huis Marseille (Museu de Fotografia), Bijbels (Museu Bíblico), Het Grachtenhuis (Museu dos Canais) e Tassen (Museu de Malas e Bolsas).

www.grachtenmusea.nl
Mapa dos museus dos canais. 1 – Amstelkring, 2 – Casa de Rembrandt, 3 – Museu Willet-Holthuysen, 4 – Museu Van Loon, 5 – Huis Marseille, 6 – Museu Bíblico, 7 – Museu dos Canais, 8 – Museu de Malas e Bolsas.

Desses eu fui nos dois primeiros, Amstelkring – Our Lord in the Attic e Willet-Holthuysen. Fui também no Het Rembrandthius, a casa de Rembrandt, na verdade, esse foi o primeiro local que visitei em Amsterdam, mas infelizmente estava fechado para reformas e não foi possível entrar.

Quanto aos que eu não visitei, vou colocar aqui uma breve descrição para caso alguém se interessar em conhecê-los. São tantos os museus existentes em Amsterdam que é praticamente impossível visitar a todos, por mais que eu adore passar as tardes dentro de um museu, foi preciso selecionar alguns devido ao tempo e, claro, ao orçamento também.

Amstelkring – Our Lord in the Attic e Willet-Holthuysen serão descritos em posts separados.

A Casa de Rembrandt, Het Rembrandthuis

Como o nome já diz, é a casa onde Rembrandt viveu. Durante quase 20 anos ele morou e trabalhou nessa casa localizada na rua Jodenbreestraat. Rembrandt Harmenszoon van Rijn viveu entre 1606 e 1669 e é o artista mais famoso da Holanda e um dos mais importantes da Europa. Não é para menos, suas pinturas e gravuras da época barroca são belíssimas, daí meu desapontamento quando não foi possível visitar seu museu.

O interior da casa conta com a mobília original e objetos pessoais, incluindo uma coleção de itens raros e exóticos. O museu também possui uma coleção quase completa das gravuras de Rembrandt. Demonstrações de técnica de gravura desse grande artista são realizadas diariamente.

O museu é aberto ao público de segunda à domingo entre 10:00 e 18:00. O valor do ingresso é €12,50, um dos mais caros dessa lista. A entrada é gratuita para quem tiver o I Amsterdam City Card ou Museumkaart (apenas para residentes).

Rembrandthuis

Rembrandthuis

Museu Van Loon

Casa da família regente Van Loon. Willem van Loon foi co-fundador da Companhia das Índias Orientais Holandesa em 1602.

A casa, construída em 1672, ainda mantém sua originalidade e os visitantes podem apreciar as salas ricamente decoradas no primeiro andar, bem como os quartos e cozinha, que relembram a época dourada de Amsterdam. A coleção inclui pinturas, mobiliário, prataria e porcelanas.

A família abre a casa e sua coleção para o público desde 1973 por 6 dias durante a semana. O horário para visitas é das 11:00 as 17:00 de quarta a segunda-feira. O ticket de entrada custa € 9,00. Entrada livre para os portadores do I Amsterdam City Card, Museumkaart, Stadspas (também apenas para residentes com risco de isolamento social ou cultural) ou ICOM.

Este é um dos museus que com certeza visitarei em uma nova viagem à Amsterdam, juntamente com a casa de Rembrandt, claro.

Museum Van Loon

Van Loon

Van Loon

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Museu de fotografia Huis Marseille

O museu fica localizado em uma casa do século XVII que pertencia a um comerciante francês, Isaac Focquier, daí o porquê do prédio possuir em sua fachada uma pedra com desenho que remete ao porto de Marselha e da razão da casa ser conhecida como Marseille. Seu interior ainda está intacto, mantendo a sua originalidade por 300 anos.

Desde 1999, a casa passou a ser sede do museu de fotografia conhecido também como Huis Marseille. O museu conta com uma coleção permanente de fotografias contemporâneas e a cada três meses, oferece um novo programa de exposições.

É aberto ao público de terça a domingo entre 11:00 e 17:00. O ingresso custa €8,00, Entrada livre com o I Amsterdam City card, Museumkaart ou ICOM.

http://www.huismarseille.nl

www.huismarseille.nl

http://www.huismarseille.nl

Bijbels – Museu Bíblico

A casa onde se encontra esse museu foi construída em 1662 em estilo clássico holandês. Há duas cozinhas originais do século XVII e dois quartos com pinturas de Jacob de Wit, um pintor da escola rococó, no teto. O jardim atrás da casa possui plantas citadas na Bíblia e uma pequena lagoa.

As coleções desse museu incluem modelos de templos construídos com precisão baseados em sítios arquológicos e relatos bíblicos na tentativa de reconstruir o templo de Salomão e Herodes. Até mesmo os materiais usados são baseados nas descrições da Bíblia. Além disso, também há artefatos, estelas, objetos funerários e até mesmo um múmia egípcia encontrados no século XIX. Outros objetos arqueológicos relacionados à confecção de Bíblias e mesmo uma coleção completa do livro sagrado, incluindo a Bíblia mais antiga impressa na Holanda, em 1477 completam o acervo do museu.

É aberto para visitação de terça à domingo entre 11:00 e 17:00. O valor do ingresso é €8,00. A entrada é gratuita para quem tiver todos os cartões já citados. Os cartões Rembrandtpas e Holland Pass Voucher também propiciam entrada livre.

www.bijbelsmuseum.nl

Bijbelsmuseum

Bijbelsmuseum

Het Grachtenhuis – Museu dos Canais

O museu mostra a história de Amsterdam formada por seus canais e suas casas. São 400 anos de história retratada de forma a mostrar a importância dos canais para Amsterdam desde sua criação até os dias de hoje. O projeto de criação do anel de canais de amsterdam lhe valeu o reconhecimento como patrimônio mundial, concedido pela UNESCO em 2010.

Horário de funcionamento de terça à domingo das 10:00 as 17:00. O ingresso é um dos mais caros dessa lista, €8,00, e gratuito para os cartões já citados: I Amsterdam City card, Stadspas ou ICOM. É possível comprar online.

Embora seja interessante, não é um dos que mais me atraem. Provavelmente seria o último dessa lista que eu visitaria.

www.hetgrachtenhuis.nl

www.hetgrachtenhuis.nl

Tassen – Museu de Malas e Bolsas

Localizado obviamente em uma autêntica casa de canal, construída em 1664, esse museu ganhou o título de um dos 10 melhores museus de moda do mundo. São mais de 5000 peças mostrando a história da moda e arte. É uma quantidade de bolsas para deixar qualquer mulher maluca.

Na verdade, o museu conta a história ocidental das bolsas por um período de 500 anos, desde o final da idade média até os dias de hoje, incluindo peças contemporâneas.

A casa, assim como as demais que formam os museus dos canais, também possui história. Seu dono, Pieter de Graeff, filho do então prefeito de Amsterdam, mandou pintar o teto dos quartos com uma impressão dos continentes. Hoje em dia, essas salas são usadas para a realização de almoços, festas, casamentos ou outros eventos.

O museu abre diariamente das 10:00 as 17:00. O valor do ingresso, assim como a Casa de Rembrandt, ficou entre os mais caros da lista, €12,50. Os cartões já citados permitem entrada gratuita, ou desconto de 20% no caso do Holland Pass.

tassenmuseum.nl

tassenmuseum.nl

 

tassenmuseum.nl

Amsterdam – Entre a Damrak e a Dam Square

Damrak é uma das avenidas principais de Amsterdam, se não a principal. Ela começa na Estação Central e vai até a Dam Square, sendo a porta de entrada para muitos turistas que chegam por trem, daí ser conhecida também pelo nome de Red Carpet de Amsterdam.

Estação central de Amsterdam, construída entre 1881 e 1889 em estilo neo-renascentista mas com algumas características góticas
Estação central de Amsterdam, construída entre 1881 e 1889 em estilo neo-renascentista mas com algumas características góticas

Seu nome deriva do termo Dam (represa do rio Amstel, que originou o nome Amsterdam) e rak (holandês antigo que significa braço ou canal do rio). Lá se localizam muitas lojas de souvenirs, restaurantes, casas de câmbio e outros. Por ser tão movimentada, é uma rua com bastante lixo nos cantos e muitos artistas de ruas, assim como a Dam Square, sendo a maioria bem ruim.  Me lembro de um japonês que ficava tocando uma guitarra imaginária e ele era péssimo. Havia também uma mulher do leste europeu que insistia em tocar apenas 2 notas musicais na flauta dela, horrível. Porém, alguns artistas se salvam e apresentam performances interessantes.

Performista atuando na Dam Square
Performista atuando na Dam Square

É da Damrak que saem os barcos para o tour pelos canais. O cais na verdade é a única parte do braço do rio que não foi represado. As empresas ficam lado a lado e é possível até mesmo fazer uma cotação ou comparação entre elas de forma bem rápida. Eu fiz o tour pela Rederij Plas. O tour dura 1 hora e custa 10,00 euros por pessoa (valor para adultos). Os horários variam conforme a época do ano, entre abril e setembro fica aberto das 10:00 às 21:00, nos demais meses, das 10:00 às 17:00, com exceção de outubro, em que o horário de fechamento é às 18:00.

Caminhando pela Damrak
Caminhando pela Damrak

Se na rua vemos muito lixo e alguns mendigos, olhando para cima vemos as lindas construções, casas com três ou mais andares com a arquitetura típica holandesa. Uma das construções que se destaca na Damrak é o Beurs van Berlage, construído entre 1898 e 1903. O edifício de tijolos vermelhos influenciou muitos arquitetos da Holanda. Inicialmente funcionava como a casa da bolsa de Amsterdam, hoje é um local para concertos, eventos, exibições e conferências. Em 2002 foi usado para a realização do casamento do rei dos Países Baixos Willem-Alexander com a rainha Máxima Zorreguieta, de origem argentina.

A torre do Beurs van Berlage é aberta ao público, porém quando fui não consegui entrar pois estava fechada. Há um café, o Grand Café, que fica localizado na praça Beursplein.

O imponente Beurs van Berlage, um dos prédios mais famosos da Damrak
O imponente Beurs van Berlage, um dos prédios mais famosos da Damrak

Outro prédio que chama a atenção é o Bijenkorf, um shopping que se localiza já próximo à Dam Square. Bijenkorf foi construído entre 1911 e 1914 e possui uma história interessante, lá era um local de compras popular onde a maioria das lojas pertencia aos judeus. Na época da Segunda Guerra Mundial, os alemães não conseguiram fechar totalmente o Bijenkorf devido à sua popularidade, a saída foi proibir os soldados alemães de comprarem qualquer coisa que fosse em uma loja pertencente a um judeu.

Bijenkorf, local de compras com história que remete à Segunda Guerra Mundial
Bijenkorf, local de compras com história que remete à Segunda Guerra Mundial

Chegamos agora à Dam, a praça central de Amsterdam, cujo nome também deriva da represa do rio Amstel. A praça liga a Damrak à Rokin, outra via principal de Amsterdam. Lá é ponto de encontro de turistas, artistas de rua, performistas, vendedores e também dos nativos, claro.

Prédios que circundam a Dam
Prédios que circundam a Dam

É na Dam que está localizado o Koninklijk Paleis, ou Palácio Real. O palácio foi construído entre 1648 e 1665 e é um exemplo do classicismo holandês. Originalmente era a prefeitura da cidade, se tornando palácio imperial durante o reinado de Napoleão Bonaparte, em 1808. Seu irmão, Louis Bonaparte chegou a morar por um período lá.

Em 1813, o palácio passou a ser moradia do rei dos países Baixos e faz parte de um dos 4 palácios oficiais da realeza do país. Hoje em dia, a família real usa o palácio apenas para eventos da realeza ou casa de hóspedes para chefes de estado. Eles não moram mais no palácio, segundo os habitantes da cidade isso poderia tirar a liberdade do povo. Ouvi até uma piada quanto a isso “imagina alguém fumando maconha aqui e a família real ali assistindo!” Bem ao estilo de Amsterdam mesmo.

O palácio é aberto para visitação entre 10:00 e 17:00, o ingresso custa € 10,00 (adulto), Há audioguias gratuitos em inglês, alemão, francês, italiano, espanhol, chinês e russo.

Koninklijk Paleis, a imponente construção na Dam
Koninklijk Paleis, belíssima construção na Dam

Outro lugar que vale a pena conhecer na Dam é a Nieuwe Kerk ou Igreja Nova, uma construção levantada em 1540, uma vez que a cidade precisava de uma nova igreja além da Oude Kerk (Igreja Velha). Nieuwe Kerk pegou fogo em 1645, sendo quase totalmente destruída. Foi reconstruída depois em estilo gótico, um dos estilos de arquitetura que mais admiro. Não é uma igreja de verdade, pois é mais usada para exposições.

A Nieuwe Kerk abre diariamente das 10:00 às 17:00 e o ingresso custa € 16,00. Para quem tem o I Amsterdam city card, o ingresso tem desconto e custa € 4,50.

Nieuwe Kerk ou Igreja Nova, local onde se realizam exposições e eventos
Nieuwe Kerk ou Igreja Nova, local onde se realizam exposições e eventos importantes

Do outro lado da praça há o Monumento Nacional levantado após o final da Segunda Guerra Mundial, em 1956. Todos os anos, no dia 4 de maio é comemorado o Dia da Lembrança, onde são feitas homenagens para aqueles que morreram durante a Guerra. Obviamente que também existem algumas piadas sobre o monumento e seu formato fálico, afinal é de Amsterdam que estamos falando.

Monumento Nacional na praça Dam, as pessoas costumam sentar no monumento mostrando como são livres em Amsterdam
Monumento Nacional na praça Dam, as pessoas costumam sentar no monumento mostrando como são livres em Amsterdam

Para quem gosta de museu de cera, na Dam ainda há o famoso museu de cera da Madame Tussauds. A grande janela redonda no alto do centro do edifício propicia uma boa vista da praça.  No mesmo prédio há a loja de departamento Peek & Cloppenburg.

Museu de cera Madame Tussauds na Dam
Museu de cera Madame Tussauds na Dam

Saindo da Dam, atrás do Koninklijk Paleis, há um supermercado, do lado esquerdo. Era lá que eu comprava algumas coisas para o café da manhã e para servir de lanche durante minhas caminhadas pela cidade. Do outro lado, na direita, há o belo prédio da Magna Plaza, uma mistura de estilo neo-gótico com neo-renascentista, construído em 1899 para funcionar originalmente como correio, porém hoje em dia é um shopping bem conhecido. Sua mistura de estilos é bem interessante e é impossível passar por perto sem desviar a atenção para o imponente shopping.

Mistura de estilo neo renascentista e neo gótico tornou o Magna Plaza uma curiosa construção
Mistura de estilo neo renascentista e neo gótico tornou o Magna Plaza uma curiosa construção

Para saber mais:

Amsterdam Tips

Dutch Amsterdam

A charmosa e liberal Amsterdam

Fui para Amsterdam saindo de Berlim. Assim como na maioria das vezes em que peguei um trem para mudar de país na Europa, foi uma aventura sair de Berlim para chegar em Amsterdam. Bom não poderia mesmo ser diferente. Meu trem sairia da estação Ostbahnhof. Lá eu precisei validar meu passe de trem, pois eu havia comprado o Eurail Select Pass que permite o trânsito por 4 países vizinhos a escolher. No meu caso eram Alemanha, Holanda, Bélgica e França (Bélgica, Holanda e Luxemburgo contam como um único país, Benelux). Como era a primeira vez que iria usar o passe, era necessário validá-lo no guichê da estação.

Amsterdam Mosaico

Curiosamente, quando cheguei em Ostbahnhof, não consegui encontrar nenhum atendente que falasse inglês, o que me dificultou um pouco em encontrar a plataforma de onde sairia o trem. Quando cheguei finalmente na plataforma, vi que ela estava completamente vazia. Procurei outro funcionário, que também só falava alemão, e através de gestos consegui entender que o trem havia sido cancelado e que eu precisava pegar o metrô até a outra estação. O funcionário falava apenas três palavras em inglês “No train here”.

Tive então que pegar o metrô então para a outra estação, de onde sairia o trem para Amsterdam dentro de alguns minutos apenas. Chegando lá, corri para a plataforma, assim que consegui descobrir qual era. No entanto, nova surpresa, haviam mudado novamente o horário e a plataforma do trem. Bom, sem emoção, não tem graça não é? Ainda foi preciso trocar de trem em Duisburg, sendo que ambos os trens atrasaram… Quem diria né?

Canal, bicicletas e lindas casas do século XVII formam a beleza de Amsterdam
Canal, bicicletas e lindas casas do século XVII formam a beleza de Amsterdam

Com todas essas alterações, fui conseguir chegar em Amsterdam somente à noite, as 21:20. Da estação fui andando até o hostel onde ficaria hospedada. No caminho, fiquei um pouco desapontada com a sujeira das ruas. Por outro lado, fiquei encantada com a arquitetura das casas, me lembravam peças de um jogo, um brinquedo. Amsterdam poderia ser definida assim, uma mistura de cenário de fantasia com a realidade das calçadas sujas repletas de artistas de ruas nem sempre bons e os frequentadores dos coffee shops.

Fiquei hospedada no hostel The Bulldog, um lugar divertido, assim como o clima da cidade. O hostel fica localizado no Red Light District, mas é possível chegar nele, sem passar pela área mais pesada do bairro, indo pela avenida principal, a Damrak. As instruções para chegar no Bulldog já mostram o clima extrovertido do lugar, no site indicava que da estação central para o albergue, a pessoa levaria 5 minutos se fosse jovem, 15 minutos se fosse mais velha e 1 dia se fosse tarado (em alusão à sua localização).

Recepcionista do hostel Bulldog, por ai já dá para ver o clima de diversão do lugar
Recepcionista do hostel The Bulldog, por ai já dá para ver o clima de diversão do lugar

Fiquei em um quarto misto com 12 pessoas. Era bem barulhento, mas nada que incomode  muito alguém com bastante sono, eu por exemplo só fui conseguir dormir de verdade na segunda noite, o cansaço ajudou, rs.

A cidade oferece atrações para todos, desde os mais de 50 museus com todos os temas possíveis, indo de Van Gogh e Rembrandt a museu do sexo e da maconha, passando por outros como museus do teatro ou da tortura, até os famosos coffee shops e Red Light District.

Os canais de Amsterdam também são uma ótima opção para poder observar as casas do século XVII com sua arquitetura típica holandesa.

Damrak, uma das avenidas principais de Amsterdam
Damrak, uma das avenidas principais de Amsterdam

O cartão I amsterdam card permite a entrada na maioria dos museus e transporte público em ônibus, metro ou bondes (GVB), além de incluir um passeio pelos canais. Os preços variam de € 49,00 (24 horas) a € 69,00 (72 horas) e pode ser adquirido online,  nos Tourist Offices (existe um no Schiphol Amsterdam Airport e outro em frente à Central Station), hotéis ou nos guichês da GVB.

Eu não comprei esse cartão, pois para os museus que eu queria visitar não valia a pena e eu não usei o transporte público. Mas vale a pena fazer as contas para ver se compensa adquiri-lo ou não.

Uma das muitas pontes da cidade
Uma das muitas pontes da cidade

É muito fácil andar na cidade e por isso nem foi preciso pegar metrô. As ruas são estreitas e o trânsito é tranquilo. Comparando com Copenhagen, a cidade não me pareceu ter tantas bicicletas como imaginava. Talvez eu já tivesse me acostumado com elas, rs. Mas seja como for, com as ruas estreitas e planas, usar a bicicleta como meio de transporte pode ser a melhor e mais divertida opção.

A rua mais estreita de Amsterdam
A rua mais estreita de Amsterdam

Em Amsterdam todos falam inglês muito bem, então a comunicação é bem fácil. Quando precisava ir a alguma rua de nome mais complicado, apenas mostrava no mapa ou cartão e as pessoas já me indicavam. Afinal, é perda de tempo tentar pronunciar o nome de algumas ruas ou canais.

Nomes impronunciáveis das ruas de Amsterdam
Nomes impronunciáveis das ruas de Amsterdam

Bem, não dá para falar de Amsterdam sem mencionar a sua liberalidade, onde prostituição e consumo de drogas são legalizados. Na verdade, acredito ser a primeira coisa que vem à mente de muitos quando falamos de Amsterdam. Porém há certas normas. Mesmo sendo liberada, a maconha só pode ser consumida nos coffee shops. Também não é permitido beber ou consumir drogas na rua. Quanto à prostituição, essa fica restrita ao Red Light District, um bairro com câmeras em várias ruas e onde é extremamente aconselhável não tirar fotos das prostitutas expostas nas vitrines. Conversando com um guia americano, ele foi pragmático em explicar, “se a prostituição e as drogas dão dinheiro, por que não liberar?”. Bom, parece ser esse o raciocínio do governo holandês.

Já algum tempo, Amsterdam havia entrado na minha lista de desejos das capitais europeias e, apesar da decepção inicial com a sujeira das ruas ao redor da estação de trem, a cidade preencheu minhas expectativas. Vale a pena visita-la e conhecer seus museus, canais e mesmo as peculiaridades como o Red Light District e os coffee shops.

Para saber mais:

 I Amsterdam

Amsterdam Info

As belas cachoeiras de Delfinópolis

Esse post tem um certo ar de nostalgia, de saudade da época em que eu fazia trilhas, visitava cachoeiras e explorava cavernas. Isso foi quando eu morava em Ribeirão Preto, interior de São Paulo e aproveitava os feriados para visitar as cachoeiras de Minas Gerais. Uma dessas cidades foi Delfinópolis, a 185 km de Ribeirão Preto e 430 km de São Paulo.

Delfinopolis 096
Paisagem do percurso para pegar a balsa que vai para Delfinópolis

Para chegar lá, vindo de São Paulo ou Ribeirão Preto, o melhor caminho é pela cidade de Cássia. Chegando na represa do Rio Grande, é necessário pegar a balsa para atravessar para o outro lado. Em feriados, a fila para pegar a balsa pode ser grande, então é bom ter uma dose de paciência e curtir a viagem que está só começando.

Panorâmica da vista durante o percurso da balsa
Panorâmica da vista durante o trajeto da balsa

A cidade fica localizada entre a Represa de Peixoto e a  Serra da Canastra. Chegando em Delfinópolis é possível visitar mais de 100 cachoeiras, corredeiras, trilhas, além de deliciar a visão com seus vales e chapadões.  É um passeio para cansar o corpo e descansar a mente e espírito.

Mapa Cachoeiras
Mapa das cachoeiras de Delfinópolis

 

Cansar o corpo porque ha várias trilhas para seguir como por exemplo as do Complexo do Claro e Complexo do Paraíso.
O Complexo do Claro fica a 6 km do centro de Delfinópolis e é um daqueles passeios imperdíveis que definitivamente devem ser feitos. Nessa trilha há cinco belas cachoeiras como a da Gruta, da Paz, do Tenebroso e Cidade das Pedras. Há estacionamento próprio além de lanchonete, pousada e área para camping.
Cachoeira da Paz, uma das belas cachoeiras do Complexo do Claro
Cachoeira da Paz, uma das belas cachoeiras do Complexo do Claro
É cobrada taxa de visitação, assim como muitas das outras trilhas. Uma das justificativas é que algumas das cachoeiras ficam em propriedade particular (imagina ter uma linda cachoeira nas suas terras….). Outra razão é que a taxa funciona também como manutenção.
O Complexo do Paraíso é um desses casos de estar localizado em área particular, onde há restaurante e pousada.  O complexo fica a 7,5 km do centro da cidade. No total são sete cachoeiras distribuídas em cerca de 3,5 km para serem percorridos.
Por do sol visto da trilha do Complexo do Claro
Por do sol visto da trilha do Complexo do Claro
Outro lugar que vale a pena visitar é a Fazenda da Maria, cujo acesso é feito por uma ponte de corda e madeira. Eu particularmente adoro esse tipo de ponte, daquelas que ficam balançando enquanto você caminha, suspensas no meio de uma paisagem deslumbrante.
Na fazenda há além da cachoeira, um poço de água cristalina e menos fria, uma delícia para mergulhar e visualizar cardumes de pequenos peixes. Também é cobrada a taxa de visitação.
Um solitário Ipê amarelo se destaca no caminho para a Fazenda
Um solitário e lindo Ipê amarelo enfeita a paisagem no caminho para a Fazenda da Maria
Em Delfinópolis há várias pousadas e área de camping para todo tipo de bolso. Eu fiquei em uma pousada que tinha uma jabuticabeira carregada de frutas. No final do dia, eu retornava para a pousada com o corpo cansado, mas o espírito e mente renovados após a caminhada energizante e ainda aproveitava para lembrar os tempos de infância, subindo na jabuticabeira para pegar as frutas.
Linda cachoeira na trilha na Fazenda da Maria
Linda cachoeira na trilha na Fazenda da Maria
Lembro de uma situação engraçada que ocorreu na pousada. Os donos eram um casal de idosos muito simpáticos e acolhedores. Um dia, no café da manhã, a senhora me perguntou se eu falava inglês. A razão disso era que tinha chegado um hóspede irlandês e ela queria saber o que ele gostaria de comer no café da manhã. Além disso, ele estava sozinho e ela queria que ele se sentasse na nossa mesa. Concordei e falei que ele poderia vir sentar conosco. O que eu não sabia era que o irlandês era mais do que uma pessoa implicante, era do tipo que reclamava de tudo. Reclamou do calor, do sol, da comida e de todo o resto. A senhora trazia pão de queijo, bolo, pães para nossa mesa e ele continuava reclamando. Ele dizia que aquilo não era café da manhã, que comer bolo era nojento e que ele queria feijões para comer. De tão chato que ele era, eu pude compreender porque seus amigos o deixaram naquela pousada e se hospedaram em outra!
Cada cachoeira com sua beleza
Cada cachoeira com sua beleza
Eu fui para Delfinópolis em setembro, época de seca, então o nível de água das cachoeiras era menor, porém nada que interferisse na beleza natural do local. A parte boa é que fica mais fácil para percorrer as trilhas. Um morador do lugar me falou que na época de chuva forma muito barro e lama, dificultando um pouco o percurso.
Borboletas complementam a beleza do lugar
Borboletas complementam a beleza do lugar
Finalizando, para quem curte natureza, belas paisagens e cachoeiras de águas límpidas para mergulhar, Delfinópolis é uma excelente opção. Guardo saudades dessa época, preciso voltar a fazer mais trilhas, bom para o corpo, melhor ainda para a mente.
Mais informações:

Ásia, um novo destino

É bem verdade que a Europa sempre foi meu destino de escolha.
Assim como no Brasil a preferência recai, na maioria das vezes, em uma linda praia, quando o destino é internacional, a dúvida é qual país do Velho Continente escolher.

Dessa vez não foi diferente, Com as férias chegando, decidi conhecer os países bálticos, que há muito tempo estão na minha lista de desejos.

Após definir o roteiro com as cidades de escolha e a quantidade de dias em cada uma delas, a ocupação russa na Ucrânia e o estabelecimento de uma base da Otan na Letônia, me fizeram adiar a decisão de me aventurar por esses países.

Uma nova dúvida surgiu então, para onde ir? A resposta veio com outra pergunta:

“Que lugares mais me fascinam?”

“Sítios arqueológicos, claro!”.

E assim, no Camboja  Angkor Wat, um sonho antigo, brilhou para mim como um novo destino a ser adicionado no Mapa. Finalmente a hora de trocar os castelos e museus da Europa pelo exotismo e paisagens deslumbrantes da Ásia havia chegado.

Monges caminham na calma e silenciosa Luang Prabang no Laos
Monges caminham na tranquila e silenciosa Luang Prabang no Laos

Meu roteiro incluiu então o Laos, Vietnã e Camboja.

Apesar da longa distância a ser percorrida por avião, decidi viajar por apenas 17 dias, assim não ficaria muito tempo longe da família.  Mesmo amando viajar, sabia que a saudade me faria contar os dias para voltar.

A expectativa era grande. O que encontraria na Ásia? O contraste entre as culturas ocidental e oriental era um doce atrativo para mim. Os costumes, temperos, cheiros, hábitos, formavam um convite irrecusável. Para aumentar a ansiedade, ainda existiam os relatos de quem já havia ido, blogs e livros que li sobre pessoas que decidiram fazer um período sabático no outro lado do planeta e retornaram com pensamentos renovados e uma nova perspectiva de vida.

Criança brincando entre as casas de um povoado no Laos
Criança brincando entre as casas de um povoado no Laos

Bom, e agora que fui e já retornei, posso dizer que minhas expectativas não foram frustradas. Carregava comigo na mala muitas perguntas e, no entanto, voltei com outras mais. Nesses países me emocionei, espantei, apaixonei, assustei, chorei, ri muito, tudo ao mesmo tempo.  Ouvi lições de vidas que transpareceram tolerância, paciência, determinação, religiosidade e, sobretudo, harmonia.

Infinitas plantações de arroz nas estradas do Vietnã
Infinitas plantações de arroz nas estradas do Vietnã

O Sudeste Asiático me conquistou em seus simples e belos detalhes. Na forma como são preparados os pratos com flores feitas de cenouras, tomates, nabos. No gesto delicado de unir as mãos na frente do corpo para saudar. No modo de falar baixo e levemente cantado. Nas jovens, pequenas mas esguias, com seus lindos vestidos típicos. Na calma das pessoas em meio a um trânsito frenético. E na religiosidade expressa de forma tão sincera.

Detalhe das flores feitas de cenoura no prato da deliciosa culinária vietnamita
Detalhe das flores feitas de cenoura no prato da deliciosa culinária vietnamita

Como posso resumir minha primeira experiência na Ásia?

Escrevendo que não vejo a hora de retornar. Que levo comigo saudade de todos aqueles que conheci e que me ensinaram tanto, com palavras, com suas histórias de vida, pensamentos ou simplesmente com o singelo sorriso permanente no rosto. E que, por fim, minha amada Europa encontrou uma rival à altura.

Uma sorridente cambojana habitante da Vila Flutuante
Uma sorridente cambojana habitante da Vila Flutuante

Para finalizar, uma frase que vi estampada na embalagem do lencinho gelado que um dos guias vietnamitas me entregou para amenizar o forte calor, e que, naquele momento, fez muito sentido para mim:

“Life is never going to be quite the same again after your passport has been stamped.”
Graham Greene

Jardin Majorelle, um local de inspiração em Marrakech

No último dia em Marrakech aproveitei a manhã livre e ligeiramente fria para conhecer o Jardin Majorelle. Pegamos um taxi no hotel e nos dirigimos para o jardim logo cedo, porém para nossa surpresa, o taxi parou em frente a um centro comercial e disse que esperaria por nós, caso quiséssemos fazer compras lá.

Bom, em se tratando de comércio e marroquinos, é preciso ser bem incisivo quando não se deseja comprar nada. Assim, após deixar bem claro ao motorista que nosso objetivo realmente era visitar o Jardin Majorelle, ele seguiu para lá.

O Jardin Majorelle foi fundado pelo francês Jacques Majorelle que se mudou para Marrakech em 1919 para seguir com a carreira de pintor. Em 1924 ele comprou o terreno que viria a se tornar o belo jardim, que só foi aberto oficialmente ao público em 1947. Hoje é um dos lugares mais visitados de Marrakech, recebendo mais de 600 mil turistas ou cidadãos marroquinos por ano.

Entrada do Jardin Majorelle

O jardim ocupa uma área de cerca de meio hectare, onde estão distribuídas plantas exóticas, vários tipos de cactos, bambus, buganvílias e muitas outras plantas vindas dos cinco continentes, o que fez de Jacques Majorelle um dos colecionadores de plantas mais importante de sua época. Tudo muito bem organizado com detalhes de vasos e canteiros em tom de azul cobalto,  junte-se a isso fontes que refrescam o local e todo o conjunto forma quadros perfeitos favorecendo a tomada de belas fotos.

Aliás, o azul do jardim contrasta com os tons ocres, característicos de  Marrakech, o que torna o Majorelle ainda mais especial e único dentro da cidade.

Cactos, cactos e mais cactos

O local emana uma paz e harmonia muito grande. Como cheguei bem cedinho, logo que o jardim abriu ao público, o espaço estava vazio, com poucos turistas que chegaram somente mais tarde. Assim, deu para aproveitar bem cada recanto do jardim, apreciando ao máximo toda sua beleza exótica e personalidade única.

Sobre o local, Jacques Majorelle dizia “Este jardim é uma tarefa terrível, que eu dou-me inteiramente. Ele toma meus últimos anos e eu caio exausto sob seus ramos, depois de dar todo o meu amor“. Bom, a fama criada pelo belo jardim acabou por ultrapassar as obras criadas pelo pintor.

A beleza exótica das plantas do Jardin Majorelle

Em 1980, Yves Saint Laurent e Pierre Bergé compraram o jardim e decidiram morar no local, mudando seu nome para Villa Oasis. Yves Saint Laurent usava o jardim como fonte de inspiração para suas criações. Andando por seus caminhos em meio a tantos cactus e outras plantas exóticas dá para entender o porquê da escolha do jardim para a inspiração do estilista.

Segundo as palavras de Yves Saint Laurent: “Faz muitos anos que encontro no Jardin Majorelle uma fonte inesgotável de inspiração e seguidamente sonho com suas cores que são únicas“.

Sem dúvida, um belo local de inspiração para pintores, estilistas e todos nós

A bela casa azul, em estilo art decó existente no jardim abriga hoje o museu de arte marroquina (Musée d’Art Marocain), com exposições da cultura bérbere. Há também uma loja com vários artesanatos, velas e sabonetes perfumados, principalmente com essência de flor de laranjeira (uma das minhas fragrâncias preferidas) e outros produtos típicos.

Belo tom de azul cobalto, em contraste com o ocre de Marrakech

Aproveitei minha manhã tranquila no Jardin Majorelle para tirar várias fotos, usei a beleza do local para fazer um ensaio fotográfico com um dos muitos lenços que comprei durante a viagem, resultando em um book a la marroquina. Ali pude aliar duas paixões, viagem e fotografia.

Ao final da visita, retornei ao hotel, me despedi de Marrakech e retornei para Casablanca de onde pegaria o vôo para Madri.

Uma das fotos do ensaio fotográfico no jardim

O Jardin Majorelle fica na avenida  Yacoub El Mansour. Abre diariamente das 8:00 as 17:30 no inverno (outubro a abril) ou até as 18:00 no verão (maio a setembro). O ingresso para o jardim custa 50 dihans (aproximadamente 4,50 euros), com um acréscimo de 25 dihans para o museu de Arte Marroquina.

Variedade de plantas exóticas

Um jantar das mil e uma noites no Chez Ali em Marrakech

Na nossa última noite em Marrakech, após ficarmos imersos na diversidade existente na praça Djemaa el Fna, fomos para o Chez Ali, um restaurante temático folclórico. Reza a lenda que o restaurante nasceu do fato de seu dono ter o costume de chamar as pessoas para comer na sua casa, dai seu nome Chez Ali (Casa do Ali).

Lá vivenciamos um jantar tipicamente marroquino com belas apresentações de música e danças finalizando com o show equestre Fantasia.

O restaurante e o show são programas obviamente voltados para o turismo, mas com toda certeza valem a pena conhecer.

 

Restaurante Chez Ali com as tendas onde ficam os grupos de músicos e cantores visto da entrada

O local onde fica o Chez Ali é bem amplo, com várias atrações e uma bela arquitetura marroquina. Logo na entrada, somos recepcionados com um corredor formado por homens montados em seus cavalos, uma paixão bérbere. Eles ficam dispostos lado a lado, prontos para tirar fotos com os turistas. É claro que para cada foto deve-se dar a bakshit, ou seja, a gorjeta. Como há vários pontos convidativos para fotos, prepare o bolso para as bakshits.

Um homem bérbere e seu cavalo vestidos a caráter

A medida em que vamos avançando na imensa área, passamos por várias tendas com músicos e dançarinas com roupas típicas. Lá podemos apreciar todo o folclore bérbere, com diferentes grupos se apresentando.

Corredor onde músicos recepcionam os turistas

Continuando andando, chegamos a um pátio aberto onde é possível dar uma volta de camelo. Dá para escolher entre andar em um camelo com uma tenda na parte de cima ou não. Eu optei pelo camelo sem tenda mesmo, para ter melhor visão.

Foi uma das experiências mais incríveis da viagem. Já tinha ouvido relatos de amigas que andaram de camelo e estava bastante curiosa para saber como é. Olhando de fora não dá para ter idéia de como é alto o camelo e a forma como ele se abaixa e levanta com a gente em cima acaba dando um certo susto, pois ficamos com o rosto virado para o chão. Deu susto, mas recomendo, é muito divertido andar de camelo.

Eu andando de camelo no Chez Ali

Continuando nossa caminhada até a tenda principal, vamos passando por mais grupos de músicos diversificados que mostram toda a riqueza da cultura bérbere. São músicas, ritmos, entonações, roupas e gestuais típicos que nos transportam para outra realidade.

Grupo com roupas típicas apresentando músicas folclóricas da cultura bérbere

 O jantar ocorre na tenda principal, lindamente decorada. Nas mesas redondas estão distribuídos o delicioso pão marroquino. Como não podia deixar de ser, o cardápio é composto pelos tradicionais pratos marroquinos cuscuz e tajine. Para a sobremesa foram servidas tijelas repletas de frutas frescas típicas como ameixas e damascos.

Delicioso cuscuz marroquino, um prato mais que típico no país

Enquanto jantamos,  vão aparecendo grupos de músicos ou de dançarinas que passam de mesa em mesa para se apresentar. São músicas e danças animadas que alegram e dão um charme todo especial para o jantar.

Os grupos de mulheres vestidas a caráter, formam um roda em torno da mesa e convidam os turistas a entrarem na roda com elas. Enquanto vão cantando, entoam o característico som árabe: lí-lí-lí-lí-lí-lí.

Uma simpática dançarina bérbere vestida a caráter.
Músicos se apresentando durante a sobremesa

Ao final do jantar, todos se dirigem ao local onde ocorre o show Fantasia. O show consiste principalmente de várias acrobacias dos homens montados em seus cavalos. Eles correm, fazem acrobacias no ar, atiram, há fogos de artifícios, dança, tapete voador e ainda mais. Os músicos, cantores e dançarinas também participam em uma procisão sem fim mostrando o que a cultura bérbere tem a oferecer.

Performance bérbere em meio à corrida de cavalos

As acrobacias são feitas nos cavalos correndo ao redor do pátio onde o show acontece. Os cavaleiros fazem inúmeras acrobacias incluindo irem de pé sobre o cavalo, de cabeça para baixo, pularem de uma lado para o outro, um sobre o outro em cima do mesmo cavalo e por ai vai.

Músicos e cantores se apresentam entre as corridas de cavalos

As apresentações são intercaladas com apresentações de música e dança. Enquanto os homens correm sobre seus cavalos, há um menininho que cavalga sobre um jumentinho e, é claro, recebe muitos aplausos da platéia.

Uma das performances é a simulação de batalha entre duas tribos bérberes

No final há a queima de fogos de artifícios e alguns cavaleiros, incluindo o menino, ficam por perto para tirarem fotos com os turistas e ganharem, como sempre, a bakshit.

Na saída, ainda há um pequeno museu em formato de caverna com peças de vestuário, vasos e joias.

Uma das exposições de vestuário do museu do Chez Ali

Como eu disse no começo, o Chez Ali é um lugar feito para turistas, no entanto, é um passeio que vale a pena ser feito, é uma forma de ter contato com a cultura bérbere, se não é a mais completa, pelo menos é bem divertida.

Marrakech, entre o Bab Agnaou e as Tumbas Saadianas

Após conhecer a medina e a praça Djemaa el Fna durante o dia, demos uma volta seguindo os belos muros de Marrakech até pararmos no portão mais famoso da muralha, o Bab Agnaou.

A caminho do Kasbah, a visão dos muros de Marrakech

Bab Agnaou foi construído pelo sultão Abd al-Mumin em 1150 e é um dos principais acessos ao Kasbah, construído por Yakub al-Mansur. Seu nome significa Portão das Pessoas Negra, uma vez que essa era a porta de entrada usada pelos plebeus, enquanto a aristocracia entrava no Kasbah por outro portão. Ele ainda mantém a arquitetura original. A riqueza e elegância da estrutura e decoração fazem do Bab Agnaou um dos melhores exemplos da arquetetura militar Maghreb.

Bab Agnaou, o imponente portão de entrada para o Kasbah

O Bab Agnaou não é tao trabalhado quanto os portões de Meknès, porém sua arquitetura transmite força e grandeza, com formas quadradas e circulares, formando a característica ferradura de cavalo, vista em quase todas as construções marroquinas.

No alto do imponente portão está uma inscrição dizendo “Entre abençoado pessoa serena“. Em cima, há ninhos de cegonhas que usam sem muita cerimônia a estrutura robusta do Bab Agnaou.

Bab Agnaou serve de base para os enormes ninhos das cegonhas

Passando pelo Bab Agnaou, entra-se no Kasbah e logo se vê do lado direito a Mesquita do Kasbah, conhecida também como el-Mansouria. A mesquita foi construída em 1190 e posteriormente restaurada na dinastia saadiana. Os azulejos verdes que decoram seu belo minarete são da construção original.

Enquanto passava pela mesquita do Kasbah, pude ouvir o chamado para oração e essa foi a vez em que deu para ouvir mais de perto o chamado, mesmo com toda a agitação dentro dos muros do Kasbah. Aproveitei para gravar o melódico chamado.

Mesquita do Kasbah, localizada entre o Bab Agnaou e as Tumbas Saadianas

Continuando o passeio, chegamos às Tumbas Saadianas, localizadas próximo à mesquita. As tumbas, que datam do século XVI, são o mausoléu real onde estão enterrados os membros da dinastia saadiana, que fizeram de Marraquech, a capital do Marrocos durante o período em que governaram, de 1554 a 1669.

A magnífica construção é adornada com mármore italiano e tetos de cedro. Nosso guia brincou dizendo que aquele mármore era feito de açúcar, pois foi trazido em troca da cana de açúcar existente no país.

Interior do primeiro mausoléu das Tumbas Saadianas

Existem dois principais mausoléus formados por várias salas e um jardim externo que os separa. No jardim, ependendo do número de turista, forma-se uma fila para alcançar a porta do segundo mausoléu. O interior das tumbas é maravilhosamente trabalho, com belos detalhes, mostrando todo o cuidado que o marroquino tem em suas construções. As palavras são poucas para descrever a elegância e delicadeza das salas, onde reina o estilo mouro-hispano. É até difícil escolher de onde tirar foto.

Detalhe do interior de uma das salas que formam as Tumbas Saadianas
Arquitetura muito bem trabalhada no interior das tumbas

Sem dúvida, as Tumbas Saadianas é um local que deve ser visitado no Marrocos. Até 1917 elas ficaram esquecidas, porém após serem redescobertas por uma francês e serem restauradas, elas são agora um ponto de grande visitação em Marrakech. As Tumbas Saadianas ficam na Rue de La Kasbah e abrem diariamente das 9:00 as 4:45. O ingresso custa 10 dihans (aproximadamente 1,00 euro).

Pomerode – volta ao passado com a Rota do Enxaimel e a Casa do Imigrante

Pomerode é uma cidade agradável e charmosa, mesmo sendo pequena, há vários atrativos. Mas o que a torna mais famosa é sem dúvida a Rota do Enxaimel. É localizada no bairro Testo Alto, uma área rural, porém próxima ao centro da cidade (como eu falei a cidade é pequena). A Rota do Enxaimel possui aproximadamente 16 km.

Nesse caminho, encontra-se a maior concentração de casas em estilo enxaimel existente fora da Alemanha, mesmo porque muitas foram destruídas durante a II Guerra Mundial. São cerca de 70 casas espalhadas ao longo da rota. Muitas delas foram tombadas pelo patrimônio histórico.

A arquitetura enxaimel retrata bem o modo de vida dos imigrantes alemães. Trata-se de uma técnica de construção onde a madeira assume a função estrutural. Os espaços entre a madeira são então vedados com tijolos que ficam aparente. O resultado são casas charmosas com uma aparência única.

Mapa da Rota do Enxaimel

A rota inicia-se perto do Portal Norte, na rua Testo Alto, com a casa Haut, um estabelecimento comercial e possui três alternativas. A primeira, mais curta, vai até a rua Gustav Krahn, retornando pela rua Progresso. A mais longa continua pela Testo Alto até a rua Morro Schmidt, antes de retornar pela rua Progresso, e a terceira, embora não faça parte oficial da rota, é recomendada pois vai até a Casa de Taipa de 1898. Nessa casa, o preenchimento da estrutura foi feito com taipa de mão, deixando as paredes brancas.

Casa de taipa de 1898 no final da rota mais longa do enxaimel

Na volta, a rota passa pelo mais antigo cemitério da cidade, próximo à Igreja de Testo Alto e termina na casa Wachholz-Voigt, a mais antiga casa enxaimel da região, de 1867, onde hoje funciona uma pousada. Cada casa tem o nome da família que a habita, o que dá mais personalidade ainda para a rota.

É muito tranquilo e gostoso andar pelas ruas de terra que compõem a rota, observando as casas com seus celeiros antigos, tudo emoldurado por uma bela paisagem bucólica. Como é área rural ainda vemos bois pastando na grama ao redor das casas e patos e marrecos andando de um lado para o outro sossegadamente. Tudo muito calmo, em uma harmonia perfeita com a paisagem existente no local.

Percorrendo aquele caminho, não tem como não pensar na calmaria que deve ser morar na região, um ambiente de natureza exuberante e muita paz. Afinal, para quem já morou na paulicéia desvairada, fazer o percurso na estrada de chão entre casas e celeiros antigos, é como ir de um extremo ao outro.

Estrada de chão batido na Rota do Enxaimel

Em uma das casas que paramos para fotografar, o proprietário apareceu para conversar e nos contou, em um português carregado de sotaque alemão, que aquela casa tinha 100 anos. Foi construída pelo seu pai e deixada de herança para ele, o filho caçula de muitos irmãos.

Entrada da casa do senhor Wendelin Siewert
Celeiro antigo a ser restaurado com madeiras doadas pela prefeitura

O simpático senhor Wendelin Siewert nos contou sobre sua família, pai, irmãos e filhos, todos habitando em Pomerode, a maioria na região da Rota do Enxaimel. Disse também que ia demolir o celeiro existente em frente à sua casa, do outro lado da rua, porém a prefeitura lhe doou as madeiras necessárias para a reforma com o objetivo de manter o celeiro o mais próximo possível do seu estado original. Isso mostra como a prefeitura age no sentido de manter o patrimônio histórico da cidade, uma atitude bem louvável.

O simpático senhor Siewert fez questão que sua cachorra aparecesse na foto

A rota pode ser percorrida de carro ou de bicicleta, sendo que dá para alugar bicicletas no Centro de Informações Turísticas, localizado no Portal Sul.

 

Casa do Imigrante Carl Weege

Para complementar o passeio pelas casinhas históricas, a melhor opção é visitar a Casa do Imigrante Carl Weege, localizada no alto da rua Frederico Weege, fora da rota. O museu é uma autêntica casa enxaimel decorada com móveis e objetos da época da colonização, incluindo roupas e até mesmo quadros e bordados escritos em alemão. O acervo constitui parte do patrimônio deixado pelo imigrante Carl Weege, que dá o nome para o museu.

Entrada da Casa do Imigrante Carl Weege
Uma linda igrejinha na região ajudando a compor a paisagem ao redor do museu

É muito interessante ver e sentir um pouco sobre como era a vida dos imigrantes nos primeiros anos de colonização, retratada nos móveis antigos, roda d’água, rancho com moenda de cana de açúcar e moinho de fubá de milho.

Quarto de casal no interior da casa
Armário da cozinha com louça da época

Se não bastasse isso, a paisagem ao redor do museu é linda, um local digno de ser visitado sem pressa. O museu é aberto de terça a domingo entre 9:00 e 12:00 e 13:00 e 17:00. O acesso é bem fácil e a entrada é gratuita.

Quarto no sótão cuja escada termina na cozinha
Bíblia antiga escrita em alemão