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É bem verdade que a Europa sempre foi meu destino de escolha.
Assim como no Brasil a preferência recai, na maioria das vezes, em uma linda praia, quando o destino é internacional, a dúvida é qual país do Velho Continente escolher.

Dessa vez não foi diferente, Com as férias chegando, decidi conhecer os países bálticos, que há muito tempo estão na minha lista de desejos.

Após definir o roteiro com as cidades de escolha e a quantidade de dias em cada uma delas, a ocupação russa na Ucrânia e o estabelecimento de uma base da Otan na Letônia, me fizeram adiar a decisão de me aventurar por esses países.

Uma nova dúvida surgiu então, para onde ir? A resposta veio com outra pergunta:

“Que lugares mais me fascinam?”

“Sítios arqueológicos, claro!”.

E assim, no Camboja  Angkor Wat, um sonho antigo, brilhou para mim como um novo destino a ser adicionado no Mapa. Finalmente a hora de trocar os castelos e museus da Europa pelo exotismo e paisagens deslumbrantes da Ásia havia chegado.

Monges caminham na calma e silenciosa Luang Prabang no Laos

Monges caminham na tranquila e silenciosa Luang Prabang no Laos

Meu roteiro incluiu então o Laos, Vietnã e Camboja.

Apesar da longa distância a ser percorrida por avião, decidi viajar por apenas 17 dias, assim não ficaria muito tempo longe da família.  Mesmo amando viajar, sabia que a saudade me faria contar os dias para voltar.

A expectativa era grande. O que encontraria na Ásia? O contraste entre as culturas ocidental e oriental era um doce atrativo para mim. Os costumes, temperos, cheiros, hábitos, formavam um convite irrecusável. Para aumentar a ansiedade, ainda existiam os relatos de quem já havia ido, blogs e livros que li sobre pessoas que decidiram fazer um período sabático no outro lado do planeta e retornaram com pensamentos renovados e uma nova perspectiva de vida.

Criança brincando entre as casas de um povoado no Laos

Criança brincando entre as casas de um povoado no Laos

Bom, e agora que fui e já retornei, posso dizer que minhas expectativas não foram frustradas. Carregava comigo na mala muitas perguntas e, no entanto, voltei com outras mais. Nesses países me emocionei, espantei, apaixonei, assustei, chorei, ri muito, tudo ao mesmo tempo.  Ouvi lições de vidas que transpareceram tolerância, paciência, determinação, religiosidade e, sobretudo, harmonia.

Infinitas plantações de arroz nas estradas do Vietnã

Infinitas plantações de arroz nas estradas do Vietnã

O Sudeste Asiático me conquistou em seus simples e belos detalhes. Na forma como são preparados os pratos com flores feitas de cenouras, tomates, nabos. No gesto delicado de unir as mãos na frente do corpo para saudar. No modo de falar baixo e levemente cantado. Nas jovens, pequenas mas esguias, com seus lindos vestidos típicos. Na calma das pessoas em meio a um trânsito frenético. E na religiosidade expressa de forma tão sincera.

Detalhe das flores feitas de cenoura no prato da deliciosa culinária vietnamita

Detalhe das flores feitas de cenoura no prato da deliciosa culinária vietnamita

Como posso resumir minha primeira experiência na Ásia?

Escrevendo que não vejo a hora de retornar. Que levo comigo saudade de todos aqueles que conheci e que me ensinaram tanto, com palavras, com suas histórias de vida, pensamentos ou simplesmente com o singelo sorriso permanente no rosto. E que, por fim, minha amada Europa encontrou uma rival à altura.

Uma sorridente cambojana habitante da Vila Flutuante

Uma sorridente cambojana habitante da Vila Flutuante

Para finalizar, uma frase que vi estampada na embalagem do lencinho gelado que um dos guias vietnamitas me entregou para amenizar o forte calor, e que, naquele momento, fez muito sentido para mim:

“Life is never going to be quite the same again after your passport has been stamped.”
Graham Greene