Saint Michel et Gudula é a principal igreja de Bruxelas. É como um símbolo para os habitantes da cidade, conforme um deles mesmo me contou, e está localizada na praça Sainte-Gudule, a poucos passos da Galeries Royales St Hubert e bem perto da Grand Place. A igreja também está próxima ao Parc de Bruxelles. Ou seja, é praticamente impossível não encontrá-la, seja por sua localização, seja por seu imponente tamanho.

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Essa magnífica igreja combina vários estilos, desde o Romano até Gótico, sendo esse último o estilo predominante. O início da sua construção data de 1226, mas sua origem é ainda anterior a isso, provavelmente do século VIII ou IX, quando uma capela dedicada a São Miguel havia sido construída no local.

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Dois séculos depois, o então duque de Brabante, Lamberto II mandou construir uma igreja romanesca no local. Ainda no século XI, as relíquias de Santa Gudula, a padroeira de Bruxelas, foram transferidas para lá, e foi a partir de então que se se tornou conhecida como a igreja de Saint Michel et Gudula, e os dois santos, padroeiros da cidade. Até por isso que se vê estátuas de São Miguel no topo de vários prédios importantes da cidade.

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Foi Henrique I, outro duque de Brabante quem ordenou o início da construção da igreja atual que durou por nada menos que 300 anos! A igreja finalmente ficou pronta em 1519, próximo ao reinado do imperador Carlos V. Essas duas figuras importantes historicamente para Bruxelas foram as mesmas que moraram no palácio Coudenberg. O estilo gótico apareceu nessa mesma época na região e por isso ele está tão realçado na catedral.

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As dimensões da igreja refletem sua beleza e importância. São 114 metros de comprimento exterior e 109 metros de comprimento interior por 57 metros de largura. As torres possuem 64 metros de altura. A parte externa da catedral foi inteiramente construída com pedras retiradas da pedreira de Gobertange, localizada a cerca de 52 km de Bruxelas.

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Se por fora a catedral é magnífica, com todas suas estátuas de santos e pessoas importantes decorando sua fachada, seu interior não deixa por menos. Há lindos detalhes por todos os lados e vale a pena explorar cada canto dessa igreja.

O coro data de 1226 mesmo, enquanto outras partes possuem diferentes origens. Os belíssimos vitrais e os confessionários são do século XVI e o púlpito do século XVII, mais recente é o carrilhão, de 1975.

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O púlpito, esculpido por Hendrik Frans Verbruggen em 1699, é um belo exemplo da arte barroca “naturalista”. Ele retrata a queda de Adão e Eva e a Redenção, representada de acordo com a descrição de São João no livro do Apocalipse, pela Virgem sobre uma lua crescente e a cabeça coroada com doze estrelas, e o Infante perfurando a cabeça da serpente com uma longa cruz.

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Na nave da igreja há doze colunas onde estão dispostos os doze apóstolos. As expressivas estátuas barrocas foram esculpidas no século XVII por grandes escultores da época do ducado de Brabante, como Jérôme Duquesnoy o Jovem, filho de Jérôme Duquesnoy, o Ancião, o mesmo que esculpiu o Manekken Pis, Luc Faid’herbe e Tobie de Lelis

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Saint Michel et Gudula passou por uma grande restauração entre 1983 e 1999 que trouxe de volta toda a sua beleza, em especial das pedras, vitrais e abóboda. Foi durante essa restauração que foram descobertas as ruínas bem preservadas da igreja original e a cripta, ambas do século XI, em estilo romanesco.  Os espelhos colocados no sítio arqueológico permitem que os visitantes vejam as fundações da entrada da igreja de 1047, seu lado oeste, que servia como local de refúgio para os habitantes durante a Idade Média, construído por volta de 1200, a antecâmara e as fundações do arco que separava a antecâmara da nave.

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Bem, como dá para perceber, a Igreja de Saint Michel et Gudula oferece beleza arquitetônica, belos vitrais e estátuas, história, religiosidade e ruínas antigas para quem for visitá-la. Um belo símbolo e uma imponente construção para a cidade de Bruxelas. Vale muito a pena conhecer.

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Manneken Pis é o símbolo de Bruxelas, como todos já sabem, mas a verdade é que ele nunca me chamou muito a atenção. Tanto que só fui conhecê-lo de perto na terceira vez que estive em Bruxelas. O Manneken Pis nada mais é do que uma estátua de bronze de um menininho fazendo xixi. Quando cheguei perto da fonte, no meio de muitos turistas ávidos por tirar uma foto em frente à tão famosa estátua, pude ter certeza que qualquer coisa pode virar uma atração turística.

Mas vamos lá entender porque o Manneken Pis faz tanto sucesso. Seu nome significa exatamente o que ele faz “menino fazendo xixi”, em um dialeto holandês falado em Bruxelas. A estátua de bronze foi feita em 1619 pelo escultor Jérôme Duquesnoy, o Ancião (seu filho, com o mesmo nome é conhecido como Jérôme Duquesnoy, o Jovem).

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Como qualquer atração turística, o Manneken Pis possui uma história interessante. Ninguém sabe ao certo o porquê da sua origem, mas a estátua é cercada de lendas bem divertidas. Uma delas diz que a estátua representa um garoto que salvou Bruxelas de um incêndio apagando a brasa inicial com seu xixi. Outra história diz que no final do século XII, o filho de um duque foi encontrado urinando contra uma árvore no meio de uma batalha e foi por isso celebrizado numa estátua de bronze. A mais provável é que o menininho fazendo xixi desempenhou um papel essencial na distribuição de água potável em Bruxelas no século XV.

Independente de sua origem, o fato é que o Manneken Pis é hoje mais do que importante na vida e história da capital belga. Em datas festivas, a estátua é vestida com diferentes roupas. Seu guarda-roupa conta com mais de 800 peças. Nada mal! Algumas delas são possíveis de se ver no museu Maison de Roi na Grand Place.

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Recentemente, em vista dos ataques terroristas na Bélgica, vários cartoons com o Manneken Pis foram feitos como um forma de resposta do país frente ao terrorismo e conforto para os cidadãos.

 

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No Rio de Janeiro, em frente à sede do clube do Botafogo de Futebol e Regatas, há uma estátua de um menino fazendo xixi, inspirada no Manneken Pis. Na verdade, é a “cópia” mais famosa. Ela é conhecida como Manequinho, um nome bem fofo, assim como a estátua, que na minha opinião é mais bonitinha que o próprio Manneken Pis.

O Manekken Pis está localizado na junção das ruas Rue de l’Étuve/Stoofstraat  e Rue du Chêne/Eikstraat, a poucos passos da Grand Place.

Sua “namorada”, a Jeanneke Pis, não fica muito longe. E na verdade, ela fica numa região até mais agradável. Jeanneke Pis, como é de se esperar, significa menina fazendo xixi.

 

Bem menos famosa que sua versão masculina, a Jeanneke Pis foi inaugurada em 1987 e também conta com uma história interessante. Denis Adrien Debouverie, de Bruxelas, decidiu um dia que daria um presente à vizinhança, onde ele morou por muitos anos. Pensou então em algo que fizesse referência à história da cidade e daí surgiu a “irmã mais nova” do Manneken Pis. Segundo as palavras de seu criador, com sua inauguração, Bruxelas teria agora igualdade de gêneros.

Hoje a Jeanneke Pis está protegida por grades contra vandalismos, o que prejudica bastante ter um boa foto da garotinha bochechuda.

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A estátua se localiza na rua sem saída Impasse de La Fidélité, uma transversal da Rue de Bouchers, uma rua bastante agradável com muitos barzinhos e restaurantes. Um lugar para se frequentar, sem dúvida.

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Em frente à Jeanneke Pis, está nada menos que o Delirium Café, que possui quase 2500 tipos de cerveja do mundo todo. Absolutamente imperdível e fácil de achar, o elefante rosa da cerveja Delirium Tremens indica o local. O Delirium Café possui filiais no Rio de Janeiro, São Paulo, Japão, Varsóvia e Lisboa. Vale a pena a visita!

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Entre os dois irmãos ou namorados, como são conhecidos, está a Galeries Royales St Hubert, o shopping coberto mais antigo da Europa Ocidental, e um dos mais elegantes. Inaugurada em 1847, a galeria é repleta de boutiques de luxo que vendem de roupas a relógios e chocolates.

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Ela se divide em três áreas: Galeria da Rainha, com lojas de sapatos de grifes famosas e objetos de decoração, Galeria do Rei, com lojas de produtos tradicionais de couro feitos à mão, de joias e de chocolates de dar água na boca, e por fim a Galeria dos Príncipes, formada de livrarias e lojas elegantes de presentes e roupas. O shopping atravessa de um lado ao outro do quarteirão e é iluminado naturalmente pelo sol.

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Como o próprio nome diz, somente mesmo as famílias reais para fazerem compras nessa galeria. Vale a pena passar por ela e admirar as lojas, mas nada mais além disso.824 - Bruxelas 27

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Que a Grand Place é linda ninguém discorda, mas nos seus arredores também há belas construções que valem a pena conhecer.Um exemplo é o Palais de La Bourse, onde fica a Bourse de Bruxelles, que como o próprio nome indica, é a Bolsa de Valores de Bruxelas.

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Chegar lá é muito fácil, estando na Grand Place, é só ir caminhando pela Rue de Beurre, a rua que fica ao lado do restaurante Le Roi D’Espagne. É uma rua pequena e logo do início já dá para avistar a parte de trás da Bourse de Bruxelles. Enquanto caminha por lá aproveite para se deliciar com as vitrines mais do que atrativas das lojas de chocolates. Difícil resistir à tentação de comprar alguns chocolates. Eu mesma não resisti.

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A belíssima construção do Palácio da Bolsa (Palais de La Bourse) foi levantada sobre as ruínas de um mosteiro franciscano do século XIII. É possível visitar as ruínas do convento no museu subterrâneo localizado na Rue de La Bourse.

O estilo do edifício foi inspirado no arquiteto renascentista Andrea Palladio, daí o nome de estilo neo-palladiano, muito popular nas construções públicas do século XIX.

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A principal característica desse estilo é a representação das arquiteturas antigas, com aparência de templos grego-romanos, por isso a presença de colunas coríntias e o frontão com esculturas. Na frente do Palais de La Bourse ainda há dois imponentes leões, um em cada lado da escadaria, que representam a nação. A intenção de dar grandiosidade às construções da época, em especial aquelas com funções públicas e financeiras, era para atrair a burguesia com muitos recursos. Bom não apenas os ricos investidores são atraídos pela majestade desse prédio, mas também com certeza os muitos turistas. É uma construção muito bela que chama a atenção sem dúvida e que vale a pena conhecer.

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A caminho do Palais de La Bourse, passamos pela Église Saint Nicolas, construída no século XII para os comerciantes e mercadores. Essa igreja é uma das quatro primeiras igrejas de Bruxelas, e, devido à sua proximidade com o Palais de La Bourse, ela também e conhecida como Saint Nicolas de La Bourse. Pode-se dizer que essa igreja tem uma história interessante, ou que ao menos mante-la em pé não tem sido tão fácil assim. Em 1367, uma tempestade destruiu a torre que foi reconstruída posteriormente em 1380. Porém, em 1695, ela foi bombardeada, sendo novamente reconstruída, mas, dessa vez, a estrutura da igreja ficou abalada e a torre acabou por desabar em 1714, sendo reconstruída somente em 1956. Finalmente a igreja foi completamente restaurada entre 2002 e 2006.

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Seguindo em frente pela Rue de Tabora, a rua entre o Palais de La Bourse e a igreja Saint Nicolas, chega-se ao Théâtre Royal de La Monnai ou De Munt, construído em 1700 para apresentações de balé, ópera e teatro. Na época, a construção em estilo neo-clássico foi considerada um dos teatros mais belos fora da Itália.

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É possível fazer uma visita guiada ao teatro com duração 90 minutos. A visita ocorre sempre após as 16:30 durante a semana e o dia inteiro aos finais de semana. Nos meses de julho e agosto não há visitas guiadas, uma pena, considerando que esses são justamente os meses de férias. O valor do tour é de 12,00 euros por pessoa. É gratuito para crianças abaixo de 5 anos e adultos abaixo de 30 pagam metade. O tour só ocorre se tiver um mínimo de 16 participantes e os idiomas disponíveis são francês, holandês, inglês, alemão, italiano e espanhol. Dá para reservar a visita no próprio site do teatro. Para quem não quiser pagar o ingresso, também é possível conhecer o interior do teatro em um tour virtual.

Um pouco mais afastado da Grand Place, mas perto do De Munt está outro teatro, o Théâtre Royal Flamand. Para chegar lá, basta seguir pela Rue du Fossé aux Loups, que fica à esquerda do De Munt, se você estiver de frente para ele. Vire à direita na Rue de Laeken e siga em frente até chegar na Quai aux Pierres de Taille, pronto, você chegou ao Théâtre Royal Flamand, também conhecido pela sigla KVS, feliz abreviação de Koninklijke Vlaamse Schouwburg, ou Le Théatre de Ville Bruxellois

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O KVS abriu em 1887 e era o principal teatro holandês em Bruxelas. Seu estilo flamengo neo-renascentista o deixa inconfundível. As varandas feitas de ferro dão o toque final para a beleza dessa construção. Infelizmente, parte da decoração do seu interior foi destruída por um incêndio violento em 1955. Os shows que se apresentam no KVS são todos em holandês, mas eles são legendados para aqueles que não falam esse idioma possam acompanhar. O programa varia entre dança, poesia, comédia, peças de teatro clássico e contemporâneo.

Ainda há mais lugares interessantes para se conhecer nos arredores da Grand Place, como o símbolo da cidade Manekken Pis e as Galeries Royales, mas esses ficam para o próximo post.

O que dizer da Grand Place de Bruxelas que ainda não tenha sido dito? Esse é com certeza o destino de 100% de turistas, viajantes, mochileiros, visitantes ou o nome que se queira dar, que frequentam a cidade. E, mesmo caindo no convencional, para mim é o melhor lugar de Bruxelas. Não tem como não se impressionar, independente se é a primeira ou quinta vez que você vai para Bruxelas. Não é a toa que a Grand Place ou Groten Mark é considerada uma das praças mais bonitas da Europa.

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Em 1998, a Grand Place entrou para a lista dos patrimônios mundiais da UNESCO, que faz referência à arquitetura da praça como um belo exemplo do nível social e vida cultural do século 17. A Grand Place também é citada no livro 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer da jornalista americana Patricia Schultz, onde é descrita como o coração de Bruxelas.

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As casas aqui foram construídas em 1695, apenas três anos após os dois dias de intenso bombardeio francês que destruiu a praça quase que completamente, restando apenas a prefeitura, ou Hôtel de Ville. Na verdade, foram os comerciantes que reconstruíram as casas, em estilos aprovados pelo Conselho Municipal, e que originaram a bela e harmoniosa unidade de prédios construídos em três estilos: barroco, gótico e Luís XIV.

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Antigamente, a Grand Place funcionava como mercado, onde comerciantes vendiam essencialmente alimentos. Daí o porquê das ruas em volta da praça terem nomes de comidas, como por exemplo Rue au Beurre (rua da manteiga), Rue de Marché aux Fromages (rua do mercado de queijos), Rue de Marché aux Herbes (rua do mercado de ervas) e assim por diante. Eu acho esses nomes bem interessantes, mesmo sendo engraçados, mostram bem tanto a cultura quando a história do lugar. São coisas assim que me deixam mais apaixonada pela Europa em geral, pois mesmo com o passar do tempo, modernização, globalização e tudo o mais, eles ainda mantém intactos aspectos simples de suas histórias, como essas ruas com nomes como frango, ervas, manteiga, etc.

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O prédio mais imponente da Grand Place é sem dúvida o Hôtel de Ville, a prefeitura construída entre 1402 e 1459. O prédio é 300 anos mais velho que o restante das casas e é merecidamente tido como o prédio cívico mais bonito da Bélgica. É bem irônico o fato do Hôtel de Ville ter sido praticamente a única construção que resistiu ao bombardeio francês, uma vez que ele era o principal alvo.

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Mas que bom que isso ocorreu, mesmo tendo sido reconstruído os demais prédios, seria uma lástima que a bela prefeitura fosse destruída. A fachada do prédio é preenchida por estátuas de figuras importantes e gárgulas góticas. A torre de 96 metros pode ser vista de vários pontos da cidade. No alto, há uma estátua de São Miguel, patrono da cidade.

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É possível conhecer seu interior formado por salas luxuosas. Há tours guiados com duração de 45 minutos. O valor do ingresso é 5,00 euros para adultos e 3,00 euros para crianças entre 6 e 12 anos, abaixo dessa idade, o ingresso é gratuito. O valor com desconto também vale para aposentados, desempregados e estudantes. O tour tem horas e dias marcados conforme o idioma usado, que são francês, inglês e holandês.

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Em frente ao Hôtel de Ville fica a Maison de Roi, que apesar do nome, nunca foi residência do rei. Melhor ainda é seu nome em holandês, Broodhuis, que significa Casa de Pão. Na verdade, os dois nomes possuem explicação, no século 13, o prédio serviu de mercado de pão, daí o nome Broodhuis, enquanto que Maison de Roi se refere aos títulos do seu proprietário, o Duque de Brabante, que no século 16 era Carlos V, “rei” da Espanha.

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Porém nem casa do rei e nem casa do pão, esse palácio datado do século 12 é na verdade sede do Musée de la Ville de Bruxelles. Quando fui, a entrada era de graça, pois era o primeiro domingo do mês, nos demais  dias o valor do ingresso é 8,00 euros para adultos, para aposentados é 6,00, estudantes e desempregados pagam 4,00 euros enquanto que para abaixo de 18 anos a entrada é gratuita. Também é possível comprar ingresso combinando o Musée de la Ville de Bruxelles com os museus Musée du Costume et de la Dentelle Musée des Egouts. O primeiro parece ser bem interessante, uma vez que se trata de trajes e história da moda com exposições mostrando vestuários desde o século 18. Já o segundo é um tanto duvidoso, já que o museu é destinado ao sistema de esgoto. Além dos profissionais da área, não sei quem mais se interessaria por esse tipo de exposição. Isso mostra que qualquer tema pode virar um museu na Europa.

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Como o próprio nome diz, o Musée de la Ville de Buxelles é dedicado à história e cultura de Bruxelas mostradas através de peças arqueológicas, pinturas, esculturas, tapeçarias e muitas estátuas do Manneken Pis, aquele menino fazendo xixi que é símbolo de Bruxelas, vestido de várias maneiras, o que não deixa de ser engraçado. Porém não é permitido tirar fotos no interior do museu.

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Mas a história da Grand Place não é feita apenas de prédios bonitos, seu passado também contém fatos tristes, uma vez que o local já foi palco de centenas de execuções de bruxas e protestantes que eram queimados, bem como rebeldes e ladrões que eram decapitados. Felizmente, hoje a Grand Place é um lugar bem mais positivo, com eventos frequentes como o mercado de flores que acontece diariamente entre a primavera e o outono e o Tapete de Flores, que ocorre a cada dois anos no mês de agosto.

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Há vários restaurantes e bares na Grand Place, que obviamente são caros, mas confesso que uma vez abri mão da economia para sentar em um bar do lado oposto ao Hôtel de Ville e tomar uma Chimay, uma das minhas cervejas favoritas. Em alguns momentos compensa a gente pagar mais caro para tomar uma deliciosa cerveja trapiste podendo admirar a praça mais bela da Europa, afinal, não é todo dia que podemos fazer isso.

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É bem fácil chegar na Grand Place, uma vez que há várias placas sinalizando a direção, ao mesmo tempo que, como mencionei antes, a torre do Hôtel de Ville é facilmente vista. mas de qualquer forma, para quem quiser ir de metrô, a estação mais próxima é a Gare Centrale.

O Palácio Real ou Palais Royale em Bruxelas é a residência administrativa do rei belga e seu principal local de trabalho, o que convenhamos, é um lugar bem agradável para se fazer de home office. É lá que o rei recebe os representantes políticos como chefes de estado e embaixadores. Além de local para as atividades administrativas, o palácio também possui salas, e muitas salas, como esperado,para outros assuntos da família real como recepções, concertos e almoços.

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Mas não é nesse palácio que a monarquia mora, ele funciona mesmo apenas para assuntos administrativos, a família real mora de fato é no Castelo Real de Laeken, localizado na periferia de Bruxelas, próximo ao Atomium.

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Quando a bandeira belga está hasteada no topo do Palácio Real, significa que o rei está no país. A história da monarquia belga é exposta no Museu BELvue, que fica ao lado do Palácio Real.

Desde 1965, o palácio abre suas portas para o público em geral durante o verão, logo após o feriado nacional de 21 de julho, quando é comemorada a independência da Bélgica do domínio holandês. O palácio permanece aberto para visitação até o mês de setembro entre 10:30 e 16:30.

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Nesse período, locais e turistas podem visitar seus cômodos como a sala do trono, decorada com baixos relevos de ninguém menos que Rodin, a sala Goya, que como o nome sugere, é decorada com tapeçarias inspiradas nas pinturas de Goya e a sala de Espelhos, cujo teto e lustre são decorados com 1,4 milhão de asas iridescentes de besouros tailandeses. Parece bizarro, mas o uso de asas desse besouro é uma antiga arte praticada na Tailândia, Myanmar, Índia, Japão e China, onde as asas desse besouro são aplicadas em decoração, roupas, artesanatos, joias, dentre outros.

Infelizmente, em nenhuma das vezes em que fui para Bruxelas, o Palais Royale estava aberto para visitação. As fotos abaixo são de outros sites. Para acessá-los, basta clicar em qualquer uma das fotos.

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Em frente ao palácio temos o Parc de Bruxelles, um parque muito agradável e o mais antigo da cidade. Ele foi criado em 1776, sendo que antes disso o parque funcionava na verdade como o campo de caça para os duques de Brabante. Foi a imperatriz austríaca Maria Tereza, que nessa época governava a cidade, que fez com que o Parque de Bruxelas tivesse seu desenho simétrico, lembrando os parques da França.

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Também há uma influência da maçonaria do século 18, uma vez que a estrutura formada pelos caminhos e fontes principal do parque lembram os símbolos maçônicos do compasso e esquadro.

No passado, o Parc de Bruxelles foi palco também da luta dos nativos pela independência do domínio holandês, que após a batalha foram expulsos do país, hoje, o parque é praticamente o pulmão verde da cidade, até mesmo pela sua localização tão central.

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Algumas vezes, eu aproveitava para tomar meu café da manhã nesse parque. Comprava alguns itens no supermercado próximo e me sentava lá para comer. Ele é bem tranquilo e muito arborizado. Não é tão pomposo quanto os parques de Paris ou com esculturas tão significativas quanto o Vigelandsparken de  Oslo, mas tem o seu charme e cai muito bem para uma caminhada, ou momento de relaxar um pouco e curtir o verde e as estátuas e fonte espalhadas por lá.

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794Bruxelas_ParcDeBruxelles_07Como eu gosto muito dos parques em geral na Europa, acho que vale muito a pena parar por alguns momentos para descansar e apreciar a calma e beleza desse parque.Do outro lado do parque, em sentido exatamente oposto ao Palácio Real, na Rue de Louvain, fica o Palais de La Nation, ou Palácio da Nação, traduzindo seu nome. O prédio, em estilo neoclássico, foi construído entre 1779 e 1783. O Palais de La Nation é a sede do parlamento belga desde 1830, e junto com o Palácio Real simbolizam a monarquia constitucional, regime de governo da Bélgica, com cada palácio representando um poder, sendo o Palácio Real a casa administrativa do chefe de estado e o Palácio da Nação, a sede do governo conduzido pelo primeiro ministro. Daí a razão desses dois prédios estarem propositadamente um de frente ao outro, tendo o parque entre eles.

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Ainda bem próximo ao Palácio Real, do lado do parque, está a Academie Royale, construída entre 1823 e 1826. Também em estilo neo-clássico, esse palácio foi originalmente a residência do príncipe Willian de Orange como uma homenagem pela atuação do herdeiro do trono holandês na famosa batalha de Waterloo.

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Foi somente em 1876 que o prédio foi usado como sede para a Academia Real de Ciências, Literatura e Belas Artes e Academia de Medicina, e apesar de algumas mudanças em sua história, como por exemplo, a ocupação alemã durante a II Guerra, o ex-palácio permanece até hoje dedicado às ciências e artes, duas disciplinas belas e necessárias, e para falar a verdade as minhas preferidas.

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Um lugar imperdível em Bruxelas é a região de Mont des Arts, e para falar a verdade, é até difícil não passar por ali. Todas as vezes que fui à Bruxelas passei várias vezes por lá.

A região compreende uma variedade de prédios, museus, um lindo jardim e até mesmo o Palácio Real, ou Palais Royale, que falaremos em outro post. E para completar, ainda se tem uma bela vista do jardim da praça Mont des Arts.

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O local foi originalmente ideia do Rei Leopoldo II que quis criar essa região dedicada às artes (Monte das Artes, como o próprio nome diz) no final do século 19. Apesar da boa intenção em relação às artes em seu país, esse rei entrou para a história como um dos piores monarcas do mundo devido à forma cruel com que tratava o povo do Congo, na época colônia da Bélgica.

Bom, histórias a parte, a verdade é que o centro cultural, que hoje conta com 10 dos maiores museus e galerias de Bruxelas, só ficou pronto 50 anos mais tarde.

O Mont des Arts fica no centro da colina existente entre o Palácio Real e a Grand Place e até mesmo por sua localização entre dois destaques da cidade que é tão fácil passar por ali várias vezes.

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Começamos então nosso tour pela Igreja Saint Jacques sur Coudenberg, que fica na Place Royale. Essa igreja, em estilo neoclássico, foi construída entre 1776 e 1787 e funciona como a catedral da diocese para as forças armadas. Não é a toa que ela lembra mais um prédio público do que uma igreja propriamente dita.

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Na frente da igreja, há um imponente pórtico Greco-romano com 6 colunas do tipo coríntias coroadas no alto por um frontão triangular, o que confirma minha impressão de prédio público. Durante a Revolução Francesa, essa igreja foi transformada em Templo da Razão e posteriormente em Templo da Lei. Em 1802, voltou a pertencer à Igreja católica.

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Não consegui conhecer a Saint Jacques sur Coudenberg por dentro, porque sempre que passava por ali, ela estava fechada. Mas de qualquer forma, vale conhecer a fachada. Na Place Royale, onde fica a igreja, bem no centro está a estátua do duque Godofredo de Bulhões, um importante nobre, líder da primeira cruzada que ocorreu em 1096.

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Continuando nosso tour em direção ao Jardim do Mont des Arts, passamos em frente a vários museus, que justificam o nome dessa região. Lembrando ainda, que bem próximo, atrás da Saint Jacques sur Coudenberg estão o sítio arqueológico Coudenberg e o museu Belvue, ambos mencionados em outro post.

Bom, o primeiro deles que encontramos na nossa caminhada é o Musée Magritteaberto em junho de 2009 para expor as obras do artista surrealista René Magritte. Eu não visitei esse museu, pois surrealismo não é uma das minhas escolas de arte preferidas. Mas para quem gosta pode ser uma boa pedida, já que o acervo do museu conta com mais de 200 trabalhos, incluindo óleo em canvas, guaches, desenhos esculturas, objetos pintados, fotografias vintages entre outros feitos pelo próprio Magritte. O museu abre de terça a sexta entre 10:00 e 17:00 e aos finais de semana entre 11:00 e 18:00. O ingresso pode ser comprado online e custa 8,00 euros.

O Musée Magritte na verdade faz parte do complexo de museus chamado Musées Royaux des Beaux Arts, formado por mais 5 museus: o Musée Fin-de-Siècle, inaugurado em dezembro de 2013, que apresenta obras das escolas do final do século 19, como impressionismo, simbolismo e art noveau; Musée Oldmasters, fundado em 1801 por ninguém menos que Napoleão Bonaparte. O acervo conta com obras do período entre os séculos 15 e 18; Musée Modern que, como o nome indica, possui obras de arte modernas e contemporâneas; e finalmente o Musée Meunier e Musée Wiertz que se localizam afastados desse complexo.

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O primeiro fica em Ixelles na casa do pintor, escultor e desenhista Constantin Meunier e conta com um acervo de mais de 700 peças. Já o Wiertz, é dedicado ao pintor, escultor e escritor Antoine Wiertz, uma figura controversa do movimento romântico na Bélgica.

Os horários de funcionamento e valores dos ingressos de todos esses museus são os mesmos do Musée Magritte, mas se comprados juntos passam a custar 13,00 euros. Ou seja, já começa a valer mais a pena para quem quiser conhecer ao menos dois museus.

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Do outro lado da rua Coudenberg, um pouco mais para frente do Magritte, está o Musée des Instruments de Musique, ou Museu de Instrumentos de Música, já mencionado no post anterior.

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Vamos descendo então a rua em direção ao Jardin de Mont des Arts. Além de um belo jardim, ainda é possível ter uma ótima vista da cidade baixa, onde vemos se destacando no horizonte, a torre mais alta do Hotel de Ville, na Grand Place.

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É nesse local que está o Carillon de Mont des Arts. O Carillon é um relógio construído em 1958 composto por 24 sinos e 12 estátuas que representam personagens importantes tanto na história quanto no folclore de Bruxellas. No alto do relógio há um personagem que bate no sino com o martelo a cada hora cheia, é o Jacquemart.

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Do lado esquerdo dos jardins está a Bibliothèque Royale fundada em 1837. O acervo da biblioteca inclui livros, periódicos, anuários e manuscritos, dentre outros itens. São mais de 200 mil mapas e 35 mil manuscritos, sendo muitos deles da Idade Média. Um sonho para amantes da leitura!

Uma coisa curiosa é que desde 1966, todo autor belga tem que depositar duas cópias de cada livro publicado no país nessa biblioteca. Um bom exemplo a ser seguido para melhorar o acesso à cultura.

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Do outro lado, fica o Square Brussels Meeting Centre, um local com cerca de 13.000 metros quadrados e capacidade para receber até 1.200 pessoas para convenções e eventos, construído em estilo contemporâneo, o que contrasta um pouco com os demais prédios da região.

Ao final do jardim, chegamos na estátua do rei Alberto I que reinou a Bélgica entre 1909 e 1934, abrangendo o período da I Guerra Mundial (1914-1918), quando 99% do território belga foi ocupado pelas tropas alemãs.

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Além de todos os museus e prédios citados, a região de Mont des Arts ainda conta com lindos prédios de arquitetura típica e também com um restaurante nas alturas. Isso mesmo, sobrevoando os jardins podemos ver o Dinner in the Sky, com capacidade para 22 convidados e de 1 a 5 chefs. O Dinner in the Sky começou em Bruxelas em 2006 e agora, 10 anos depois, ele está presente em 55 países. O almoço ocorre sempre as 12:30 e o jantar em dois horários, 19:30 e 21:30. A reserva pode ser feita no próprio site. No Brasil,o Dinner in the Sky chegou em 2009 e, assim como em Bruxelas, também é possível jantar a 50 metros do chão.

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O Musée des Instruments de Musique, ou MIM, é um dos meus museus favoritos, está no Top 10 da minha lista de museus. Afinal, é um museu inteiramente dedicado à musica e o primeiro, e na verdade único, desse tipo que visitei.

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O MIM é um dos museus citados no site do MIMO, Musical Instruments Museums Online, que reúne uma série de museus europeus, disponibilizando todo o acervo para consulta online, quase 56 mil instrumentos. Dá para se perder nesse site.

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Além dos museus indicados no MIMO, há ainda o Musical Instrument Museum em Phoenix, Arizona e o Museu da Música, em Lisboa. No Brasil há o Museu dos Instrumentos Musicais, ou MIMU, em Curitiba e o Museu da Música em Itu.

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O MIM fica localizado em um lindo prédio que combina com o explendor do seu acervo. Na verdade é um complexo restaurado, cuja construção é em parte Art Noveau e em parte neoclássica, construído em 1898 pelo arquiteto Paul Saintenoy.

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São mais de sete mil instrumentos musicais que constam no acervo desse museu, mas infelizmente, a maior parte deles fica guardada em salas não acessíveis para o público em geral. Bom, seja como for, de qualquer forma, há muito o que explorar nesse museu.

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As coleções são cuidadas por uma equipe de cientistas chamados de organologistas, que são especialistas no estudo de instrumentos musicais, o que convenhamos, é uma atividade para lá de interessante, principalmente para aqueles, que como eu, amam música e história. Que inveja, rs!

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As peças em exibição estão divididas em 4 galerias, ou andares, onde além dos instrumentos há também as explicações sobre suas origens, funcionamento, época, e o melhor de tudo, sua sonoridade.

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No subsolo ficam os instrumentos eletrônicos, elétricos e mecânicos. No primeiro andar, estão os instrumentos tradicionais de música, tanto ocidental quanto oriental. Já no segundo andar é possível ver os instrumentos clássicos ocidentais dispostos em uma ordem mais ou menos cronológica, desde a época medieval e renascentista até o final do século XIX.

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O quarto andar é o meu preferido, lá ficam os pianos, cravos e outros teclados e as harpas. Lindos instrumentos que proporcionam belíssimas músicas. No terceiro andar não há instrumentos em exposição, nesse andar fica a biblioteca.

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Logo na entrada, recebemos fones de ouvido que permitem ouvir o som que o instrumento faz, quando nos posicionamos no sinal de fone de ouvido existente no chão, na frente dos instrumentos.

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Isso foi o mais mágico para mim. Poder ouvir os diferentes sons e as diversas músicas criadas por instrumentos tão simples ou complexos, conhecidos ou totalmente estranhos para mim, foi uma das melhores experiências que já vivi em um museu ou mesmo nas vivências que tive no mundo da música, seja ocidental ou oriental. Esse é um dos motivos porque gosto tanto desse museu. Não apenas eu, é claro, afinal o MIM recebe anualmente cerca de 125.000 visitantes.

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Além das galerias, o museu conta também com uma sala de concerto, espaço para workshops, loja, livraria e um restaurante no terraço. Desde maio de 2015, Thomas Meuwissen, um belga fabricante de violinos finos,  criou um workshop permanente sobre a fabricação de violinos, de acesso gratuito. Que tudo!

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Na loja do museu, além dos souvenires já esperados, é possível também comprar livros e CDs de diversos estilos musicais e instrumentos. Eu comprei alguns de piano, cravos e de música medieval. Um verdadeiro deleite para músicos, estudantes de música ou simples admiradores.
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126Bruxelas_MuseeInstMusicale23O museu abre de terça a sexta entre 9:30 e 17:00. Sábado, domingo e feriado, abre mais tarde, as 10:00. É fechado as segundas e também em feriados como 1 de janeiro, 1 de maio, 11 de novembro e 25 de dezembro. O restaurante segue os horários do museu.

O ingresso custa 8,00 euros para adultos entre 26 e 64 anos, adultos acima ou abaixo dessa faixa pagam 6,00 euros. Crianças e adolescentes até 16 anos pagam 2,00 euros. O áudio-guia para ouvir as músicas está incluso no valor do ticket, mas o visitante pode também usar os próprios fones de ouvido, se quiser.

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Vale muito a pena conhecer esse museu, bom, eu já fui duas vezes e, quando puder retornar, o farei com certeza. Afinal, como escrevi no início, o MIM é um dos meus museus preferidos. Um lugar que reúne música, arte e história no mesmo local só pode mesmo ser muito especial.

Sítios arqueológicos e museus são minhas paixões, um sítio arqueológico ligado a um museu então é uma combinação perfeita. Coudenberg foi um dos primeiros lugares que visitei em Bruxelas, mas na verdade foi uma coincidência. Eu estava fazendo um lanche no Parc de Bruxelles e decidi visitar o Palais Royal. O palácio porém estava fechado para visitação e então vi ao lado esse local, e lógico resolvi entrar sem pensar duas vezes.

Coudenberg se trata na verdade das ruínas de um palácio construído na colina de mesmo nome durante a segunda metade do século 11. Ele foi reconstruído e aumentado várias vezes, à medida em que crescia o prestígio dos Duques de Brabante e Borgonha e do imperador Charles V que o possuíram.

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Na época, a beleza desse palácio, que foi a sede do poder de Bruxelas por seis séculos, o charme de seus jardins e a riqueza das obras de artes, atraíam visitantes de toda a Europa. No entanto, o palácio foi quase totalmente destruído por um grande incêndio ocorrido na noite de 3 de fevereiro de 1731 e simplesmente desapareceu quando o distrito foi reconstruído em 1775, deixando as ruínas no palácio caírem no esquecimento. Assim, restaram apenas as fundações e salas inferiores que foram encontradas em escavações realizadas posteriormente.

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As ruínas ficam abaixo das ruas de Bruxelas. Foi um passeio que gostei muito, pois dá para voltar no tempo andando nos corredores. Na recepção, o visitante recebe uma brochura explicando cada setor, identificado com números na parede. Para acessar as ruínas é necessário passar por uma porta grande e pesada. Ao lado dela, há um local para digitar um código. O código que me deram era 147A, eu digitei e a pesada porta se abriu. Quando passei por ela, a porta se fechou de uma vez, fazendo um barulho forte. Pensei que ia ficar presa nos porões desse castelo, até porque para variar, só havia eu visitando o local. Daí entendi porque o recepcionista havia me falado que qualquer coisa que eu precisasse, era só dar um tchauzinho para as câmeras que alguém apareceria para me buscar.

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Isso me pareceu bizarro, além do fato de não ver mais ninguém durante todo o tempo em que estive lá. Mas na verdade, tudo isso contribuiu para eu curtir o local. Foi uma viagem pelo tempo, até mesmo pelo cheiro de lugar antigo que permeia todo o Coudenberg.

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Caminhar pelo que restou dele oferece a oportunidade de ver o que foi esquecido pela história para depois se tornar um interessante sítio arqueológico.

Como está escrito na capa da brochura, sob o distrito real, um outro palácio.

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Saindo do Coudenberg, retorna-se à recepção e é possível visitar o museu Belvue que fica no andar superior do luxuoso Hotel Bellevue, construído no século 18. Basta subir a bela escadaria para alcançar o museu.

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Esse museu conta a história da Bélgica e,embora eu não saiba nada da história deles, achei bem interessante a visita. Aberto relativamente recente, em julho de 2005, Belvue é daqueles museus que quando se entra na sala começa tocar alguma música. Como novamente só havia eu lá dentro, não deixou de ser engraçado o fato de tocar uma música a cada sala que eu entrava.

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O acervo permanente conta com mais de 1500 itens entre documentos históricos, filmes, fotos e objetos antigos que retratam a história da Bélgica desde 1830 até os dias de hoje.

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Atualmente o Belvue passa por uma mudança na apresentação cronológica de seu acervo permanente. A partir de julho de 2016, os objetos serão expostos nas sete salas divididos nos temas democracia, prosperidade, solidariedade, pluralismo, migração, linguagem e Europa.

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O ingresso vale para os dois locais: Coudenberg e museu Belvue e custa 6,00 euros. Há desconto para quem possui o Brussels Card.

Antes de conhecer Bruxelas, li vários comentários de mochileiros e outros viajantes do Brasil e mesmo da Europa dizendo que a cidade não compensava, que um dia ou dois bastavam, que a melhor coisa a se fazer em Bruxelas era pegar o trem para Brugges, dentre outras coisas. Bom, devo dizer que discordo totalmente. Adoro Bruxelas.

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A primeira vez que fui para lá foi em 2006, vindo de trem de Amsterdam, ou pelo menos era o que eu pretendia. Como sempre acontece comigo, andar de trem vem sempre acompanhado de vários imprevistos.

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Entrei no trem na Central Station em Amsterdam com destino a Bruxelas. Faltando apenas 45 minutos pra chegar anunciaram, em holandês obviamente, pois nesses momentos eles nunca falam inglês, que houve um acidente e por isso devíamos descer em Rotterdam. De lá tive que pegar mais outros 3 trens para chegar em Bruxelas, em um troca troca de trem em Utrecht, Breda e Roozendaal. Resultado, eu tinha planejado estar em Bruxelas às 15:00, mas só consegui chegar às 19:00.

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Na segunda vez, em 2008, fui também de trem, mas dessa vez saindo de Berlim, e contrariando todas as expectativas, correu tudo bem. Da terceira vez, em 2013, fui direto para Bruxelas saindo de Guarulhos com troca de aeronave em Frankfurt.

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A cada vez fiquei hospedada em um lugar diferente, da primeira vez, me hospedei no Centre Vincent Van Gogh – Le Chab, da segunda vez escolhi o 2GO4 – Quality Hostel e na terceira, me hospedei no hotel Radisson Blu. Recomendo qualquer um deles. Os três são bem localizados e com bom atendimento, então a escolha fica conforme o orçamento de cada um mesmo.

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E por que eu digo que Bruxelas vale a pena? Ela pode não ser glamourosa como Paris ou imponente como Berlim, mas tem seu charme sim. Primeiro pela arquitetura muito bonita e pela deslumbrante Grand Place, tida como a praça mais bonita da Europa, e com razão. É um dos lugares que não me canso de passar quando estou em Bruxelas. E a cada vez que retorno, continuo me maravilhando com os belos prédios, em especial o Hotel de Ville ou Stadhuis, em estilo gótico que domina a praça.

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Segundo porque lá está um dos museus mais fascinantes que conheci, o Musée des Instruments Musicale, onde é possível não apenas conhecer os mais variados instrumentos musicais de todo o mundo e época, como também ouvir os sons que eles produzem em lindas melodias.

Terceiro porque a comida é ótima, com bons restaurantes em qualquer lugar.

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Dois em especial eu recomendo. O Orphyse Chaussette para os apreciadores da Slow Food e culinária francesa. O cardápio é ótimo e os pratos são muito bem preparados. Foi uma das melhores refeições que tive na cidade e por isso acabei retornando a esse restaurante. Além disso, o atendimento é muito bom e o ambiente super agradável. O ponto negativo é que é caro, mas vale a pena para uma noite especial. O restaurante não tem site, mas fica na rua Charles Hanssens, quartier du Sablon.

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O outro restaurante que indico é a Brasserie de La Roue D’Or. Ele fica perto da Grand Place, na rua des Chapeliers. O cardápio também é muito bom e eu gostei especialmente da sobremesa. Recomendo muito, mas infelizmente o preço não é lá muito convidativo, até porque sua localização tão perto da Grand Place favorece o valor mais alto.

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O quarto motivo vai para os chocólatras de plantão, como eu. Bruxelas é conhecida pelos seus chocolates deliciosos. Uma perdição para qualquer um. É praticamente impossível visitar a cidade e sair de lá sem levar várias caixas de chocolates na mala. Eu pelo menos compro sempre, seja para mim ou para dar de presente.

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Uma chocolateria que vale a pena conhecer é a Pierre Marcolini. São chocolates finos, de sabor inigualável. O atendimento também é ótimo, quando fui, o vendedor me explicou todos os principais sabores disponíveis e a história do seu dono fundador e ainda pude fazer uma degustação.

Claro que sai de lá com várias caixas. Por ser chocolates finos, o valor é mais alto. De qualquer forma, existem muitas outras lojas que vendem chocolates com preços mais convidativos para quem não desejar gastar tanto.

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O quinto motivo é o melhor de todos, a cerveja belga! Em qualquer restaurante, bar ou mesmo no hotel, você pode saborear uma deliciosa cerveja trapiste. A minha preferida é a Chimay, embora seja até difícil falar de uma preferida, já que todas são muito boas. Quando comento com eles o valor da cerveja belga no Brasil, ninguém acredita. Até eles acham um absurdo.

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Há várias lojas especializadas em cerveja, de todos os tipos. Eu não compro nelas, na verdade vou ao supermercado onde se acham as mesmas cervejas com um preço melhor. Já pedi no caixa para embalar bem, pois eu iria trazer para o Brasil, e eles embalaram na maior boa vontade. Chegaram todas inteiras.

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Se tudo isso não bastasse, Bruxelas é agradável e fácil de ser conhecida a pé. Eu peguei metrô apenas para ir da estação central, Brussel Centraal ou Bruxelles Central para os hotéis e quando fui visitar o Atomium, que fica mais afastado. Todo o restante deu para fazer caminhando e curtindo a cidade.

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A cidade é sede da União Européia e da OTAN. O francês é a língua mais falada, outro motivo para eu gostar de Bruxelas, ao contrário de outras cidades do interior como Ghent e Brugges onde se fala mais o neerlandês que é bem difícil de entender. Para quem não fala francês, dá para se comunicar em inglês perfeitamente.

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Então, por tudo isso, vale a pena sim conhecer Bruxelas e desfrutar de seus encantos e particularidades.

Nos próximos posts, falarei com mais detalhes das suas atrações, lugares famosos e museus e igrejas interessantes.

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Começamos nosso passeio pela Bergstraat, a caminho para o centro medieval. Nessa rua fica a igreja protestante em estilo neo clássico Westerkerk  de 1891. A bonita construção chama a atenção de quem passa na sua frente, apesar da sua fachada sisuda.

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Seguimos em frente passando pela Varkenmarkt e Rozenstraat e logo chegamos na Oudegracht. No caminho há outra igreja, a Jacobikerk, uma das quatro primeiras igrejas paroquiais da Idade Média construídas em Utrecht, as outras três são Buurkerk (chegaremos nela mais tarde), Nicolaïkerk e Geertekerk. A igreja foi construída no século XII, seguindo o estilo gótico tardio e já foi visitada por peregrinos que percorriam o Caminho de Santiago. Após a Reforma,ela passou a pertencer à igreja protestante da Holanda.

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Chegamos então na Oudegracht, a rua do canal. Seu nome significa Velho Canal e é o canal mais famoso de Utrecht. Seu comprimento é de aproximadamente 2 km, sendo uma das artérias principais da cidade. Foi o local que eu mais gostei. É muito agradável caminhar pela Oudegracht. Há vários restaurantes com mesas ao ar livre para um jantar romântico com uma boa visão do canal.

Os canais, aliás, são uma atração a parte em Utrecht. Eles fazem parte de um planejamento medieval engenhoso com cais e adegas ligados sob as ruas e outras grandes adegas de armazenamento construídas sob as casas que ficam a beira do canal.

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Continuando a caminhada pela bela Oudegracht alcançamos no seu final, a Stadhuis, a prefeitura de Utrecht, localizada na Stadhuisbrug. O edifício simboliza a harmonia entre a história de Utrecht e os eventos atuais, algo que os habitantes da cidade se orgulham bastante.

A prefeitura faz parte de um complexo de prédios que é resultado de várias reformas e renovações ao longo dos anos, desde que o prédio foi construído para fins públicos em 1343. Por isso a diversidade de estilos no edifício, embora se sobressaia o estilo neoclássico, desenhado pelo arquiteto Johannes van Embden em 1830. As várias estátuas no frontão simbolizam as funções da câmara municipal: Vigilância, Justiça, Autoridade, Polícia e Fé.

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Seguindo em frente pela Minrebroederstraat, vemos a igreja Sint Willibrordus, tida por ser a igreja mais estranha de Utrecht. Isso porque é difícil conseguir visualizar a igreja inteira olhando da rua, afinal ela é quase totalmente rodeada por outras casas. Talvez seja por isso que ela é mencionada como sendo o tesouro escondido de Utrecht.

O espaço restrito acabou sendo um problema para sua construção, uma vez que nenhuma das casas poderia ser demolida. A igreja em estilo neo gótico teve então que ser desenhada como uma relativamente pequena basílica, quando comparada com outras igrejas medievais góticas, porém mais alta. Sint Willibrordus é tida como a igreja neo gótica melhor preservada da Holanda.

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Ali perto há outra igreja igualmente bela de se ver, a Jans Kerk. A combinação da fachada em estilo renascentista, a nave romanesca e o coral gótico deixa claro que essa igreja tem uma longa história. De fato, a Jans Kerk é uma das igrejas mais antigas de Utrecht, sendo que sua construção começou por volta de 1040. Em 1656, a igreja passou a ser protestante e temporiamente serviu como quartel militar para soldados russos e prussianos na guerra contra Napoleão. Hoje em dia é usada pela Comunidade Ecumênica Estudantil de Utrecht.

De frente à Igreja há uma estátua de Anne Frank. A estátua foi colocada lá em 1960 em memória daqueles perseguidos na Holanda durante a Segunda Guerra Mundial. A estátua foi adotada por uma escola primária local que ficou responsável pelos cuidados com ela.

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Vamos agora pela Domstraat até a Domplein e chegamos ao cartão postal e símbolo de Utrecht, a Domtoren. A torre é praticamente uma visita obrigatória, até porque é difícil não visualizá-la, estando no centro da cidade. Domtoren é a maior e mais antiga torre de igreja da Holanda e um marco de Utrecht. Ela foi construída entre 1321 e 1382 e tem 112 metros de altura. Na torre há nada menos que 13 sinos que pesam entre 400 e 8.165 quilos, totalizando 32.000 kg.

Domtoren não é apenas um must see para turistas, os locais também curtem subir na torre que é aberta ao público. Eu não subi, em virtude do pouco tempo que fiquei em Utrecht. Dizem que a vista lá de cima, de seu ponto mais alto, a 95 metros de altura, é ótima e que em dias claros é possível ter uma visão bem ampla do horizonte, alcançando até mesmo AmsterdamBom, quem quiser conferir se é verdade terá que subir simplesmente 465 degraus, pois não há elevadores.

A visita à torre só é permitida com guias. O tour é conduzido em holandês e inglês e fornece informações sobre a sua história. O ingresso é vendido no Tourist Information Office localizado na Domplein e custa € 9,00 (valor para adulto).

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A torre fazia parte da Domkerk, uma catedral gótica construída entre 1284 e 1520 no lugar onde antes havia uma igreja romanesca. A Domtoren, porém, foi separada da nave da catedral ao ser atingida por um tornado em 1674. Em 1572, com a influência calvinista, a igreja saiu do domínio católico e se tornou protestante. Nessa época, muito do interior da catedral foi destruído por vandalismo, o que é realmente uma pena.

Atrás da catedral há um jardim, mais um lugar de calma e refúgio em Utrecht.

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Passando por baixo da Domtoren, há uma bela escultura, de nome bem fácil, a Verzetsmonument. Melhor que o nome é como os locais a chamam: Mien com seu cone de sorvete. A estátua de 10 metros de altura foi feita em homenagem às vítimas da Segunda Guerra Mundial em geral e às da Resistência de Utrecht em particular. A escolha foi feita baseada na importância das mulheres durante o período de resistência. Nesse local, é celebrado todos os anos, o dia nacional da lembrança.

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Próximo fica a sede da mais famosa universidade da Holanda e a razão de Utrecht ser uma cidade universitária, a Academiegebouw ou Universidade de Utrecht, que fica localizada em um quarteirão da Domplein. O prédio foi construído em 1892 em comemoração ao 250º aniversário da universidade, comemorado em 1886.

Um fato interessante é que sua construção demorou cinco anos para começar devido a uma grande discussão sobre qual estilo arquitetônico adotar, se o neo-gótico, mesmo estilo da Domtoren, ou o neo-renascentista, um estilo que simbolizaria o conceito de ciência e progresso. Como o esperado o estilo mais moderno venceu e assim o prédio da academia foi desenhado em estilo neo-renascentista.

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Outra igreja também perto da Domplein é a Buurkerk, a maior e mais rica igreja paroquial de Utrecht. Seu nome significa Igreja dos cidadãos. Nela estão enterradas várias pessoas famosas e importantes da cidade. Mas assim como a Sint Willibrordus, a Buurkerk está parcialmente oculta pelas construções ao redor.

É a mais antiga dentre as quatro igrejas paroquiais medievais citadas anteriormente. Pouco restou da igreja original construída no século XI, apenas a torre de 56 metros, pois a igreja sofreu em sua história nada menos que 4 incêndios. Desde 1984, o local passou a ser sede do Museu Nacional Speelklok.

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À noite, eu acabei retornando para a Oudegracht para jantar, apreciando a calma e tranquilidade do canal. Aproveitei também para ver uma parte do Trajectum Lumen, que nada mais é do que um trecho de arte de luz pelo centro histórico de Utrecht. As obras de arte são criadas pelos mais famosos artistas de luz nacionais e internacionais, onde prédios, pontes e até becos são transformados em um espetáculo de luz todos os dias do ano, desde o momento em que as luzes se acendem até a meia noite.

Para quem quiser seguir o Trajectum Lumem completo, basta pegar o mapa no Tourist Information Office ou baixar online aqui. O tour guiado custa €10,00 e ocorre sempre aos sábados às 20:30 saindo da Domplein. O Trajectum Lumem completo é algo que com certeza farei em uma viagem de volta à Utrecht.

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Por fim, como já falei antes, vale a pena sentar em um dos restaurantes à beira do canal, seja para jantar ou para apenas uma bebida. Afinal, nada como terminar o dia saboreando uma cerveja holandesa, uma das minhas preferidas.

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Utrecht é uma cidade do interior da Holanda com um pouco mais que 300 mil habitantes situada a 45 km de Amsterdam. A primeira vez em que fui para Utrecht foi somente para pegar outro trem, em uma troca interminável de trens feita em 4 cidades entre Amsterdam e Bruxelas. Isso por causa de um acidente na linha entre as duas capitais. Já da segunda vez, fui intencionalmente de Amsterdam para lá, também de trem.

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Outra forma de chegar é a partir do aeroporto Amsterdam Schiphol. Há um trem regular que parte de Schiphol em direção à estação Utrecht Centraal. O trem faz paradas em Amsterdam Zuid e Amsterdam Bijlmer e segue para Eindhoven e Maastricht ou Heerlen. A viagem leva 33 minutos e custa entre € 8,50 (2ª classe) e € 14,50 (1ª classe). Para quem quiser ir de taxi, a corrida do aeroporto para Utrecht fica em torno de € 90,00, sendo que vale a pena olhar também empresas que cobram pelo preço fixo.

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Utrecht tem quase 2000 anos. É uma das cidades mais antigas do país, datando da época do Império Romano, quando um forte chamado Trajectum ad Rhenum foi construído. Daí seu nome, que significa “trajeto”, trajeto para o Reno. Em 696, Utrecht se tornou um bispado atingindo sua maior prosperidade nos séculos XI e XII.

Mas foi durante a Idade Média que se tornou a mais importante e poderosa cidade dos Países Baixos, seu apogeu durou até o século XVI, quando perdeu sua posição para Amsterdam. Na Idade Média, Utrecht era o centro eclesiástico dos Países Baixos e daí a razão de suas 8 igrejas medievais que ainda chamam a atenção, em especial a Dom Kerk e a Domtoren, cartões postais de Utrecht.

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Utrecht é também uma cidade universitária centenária. É lá que fica a bem conceituada Universiteit Utrecht, fundada em 1636, uma das mais antigas e a mais importante da Holanda. Em virtude da sua vida universitária composta por cerca de 65.000 estudantes, a cidade possui várias livrarias, o que para mim foi um sonho de consumo. Aproveitei para comprar vários livros de arte, meus preferidos, por € 10,00 cada, um quarto do valor que pago em média no Brasil. O limitante da minha compra foi o peso dos livros, obviamente. Transporta-los de volta para o Brasil, até Curitiba me rendeu muita dor nas costas, mas valeu a pena. Minha coleção de livros de arte agradece.

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Fiquei pouco tempo, porém Utrecht é uma cidade pequena e muito fácil de ser conhecida a pé. Devido à minha rápida estadia, não visitei nenhum museu, parque ou igreja, mas deu para perceber que andar pela cidade é uma das melhores opções. Seu centro medieval e seus canais são extremamente agradáveis, fazendo de Utrecht uma cidade bem charmosa.

Eu realmente gostei muito da cidade, nela se reúne modernidade de algumas construções com a convidativa parte central antiga, tudo isso aliado a uma quantidade imensurável de bicicletas circulando por suas ruas. Sua atmosfera medieval é encantadora e atraente. Caminhar por suas ruas é um retorno ao passado e ao mesmo tempo um passeio tranquilo e despretensioso. Uma calmaria totalmente oposta à vibrante Amsterdam.

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À noite, uma boa pedida é jantar a beira do canal na Oude Gracht. Lá há vários restaurantes com ótima comida, além da paisagem tranquila e romântica do canal. Eu comi no Mej Janssen, mas acredito que os demais restaurantes a beira do canal mantenham o mesmo padrão gastronômico.

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Eu fiquei hospedada no Plaza Park, o qual eu indico pelo conforto do quarto, atendimento e também pela localização, próximo à estação de trem e distante apenas alguns minutos de caminhada do centro medieval.

 

Mais informações

Visit Utrecht

Utrecht Guide

No feriado da independência, não conseguimos ir para a praia em virtude das eternas chuvas no litoral de Santa Catarina. Dessa forma ficamos em casa. Meu filho de 3 anos deu uma bela sugestão de passeio que resolvemos logo aceitar, visitar o aquário. Ele se referia na verdade ao aquário de Copenhague que ele visitou nas últimas férias e adorou. Mas fizemos algumas adaptações necessárias na sugestão dele e levamos a trupe para visitar o aquário de Paranaguá, a 90 km de Curitiba.

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O Aquário de Paranaguá foi aberto ao público em janeiro de 2014 e desde então já recebeu mais de 300 mil visitantes. Sua construção se deve a uma compensação financeira da empresa Catallini pelos estragos provocados pela explosão do navio Vicunã em 2004 na região do Porto de Paranaguá.

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O espaço possui 2.200 metros quadrados de área construída e a obra atingiu um valor total de R$ 7 milhões. O aquário é o primeiro da região sul do Brasil e conta com mais de 500 espécies de animais distribuídos em 23 tanques. São peixes de água doce e salgada, principalmente da região de Paranaguá. Também há um manguezal, que eu particularmente gostei bastante e um tanque bem disputado para tocar invertebrados, no caso raias.

Os animais fazem a festa da garotada, principalmente o tubarão-bambu, as raias e, mais ainda, os pinguins. Meu filhote corria de um tanque ao outro e, claro, sempre reconhecendo os peixes que fazem parte da turma de “Procurando Nemo”.

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O aquário possui 3 andares com escadas e elevador, o que foi bem útil para o carrinho dos gêmeos. No terceiro andar há um mirante e uma área para crianças, mas não espere muito desse último, são apenas 2 brinquedos infláveis e uma piscina de bolinhas bem rasa. É aconselhável não deixar as crianças saltarem no meio das bolinhas. Já o mirante é pequeno, mas vale a pena ver a paisagem. No térreo há uma lanchonete com saída para a rua.

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O Aquário se localiza no centro histórico de Paranaguá, na rua João Régis. É aberto diariamente das 10:00 as 18:00. Nos finais de semana e feriados, fecha um pouco mais tarde, às 18:30.

O valor é um pouco salgado, R$ 20,00 para adultos e R$ 15,00 para crianças entre 5 e 14 anos. Para famílias grandes, pode pesar um pouco no bolso. Idosos, estudantes, professores, doadores de sangue e moradores de Paranaguá pagam meia entrada, mediante comprovação. Para quem vai de Curitiba pela BR 277, é necessário ainda adicionar o valor do pedágio, de R$ 16,80, quase o valor de entrada do aquário.

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Bom, se meu filho gostou do passeio? Foi fácil saber, pois no dia seguinte a atividade da escola foi desenho livre e ele desenhou justamente a família no aquário em frente ao tanque do tubarão e das raias. Sem dúvida, uma boa opção de passeio para as crianças em um feriado chuvoso.

Como já mencionei em um post anterior, caminhar por Amsterdam é bem fácil e divertido, conheci boa parte da cidade andando a pé, sem necessidade de pegar metrô ou ônibus. Então, aqui sugiro alguns lugares que dá para conhecer durante uma caminhada por Amsterdam, além dos museus e igrejas já descritos nos posts anteriores e também da parte central (clique aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui para saber mais).

Então vamos lá, saindo da Dam, no sentido contrário à Damrak, temos a Rokin, outra das avenidas principais da cidade. Caminhando pela Rokin até o final, chegamos ao Munttoren, que significa torre de menta. Essa torre, que fica na praça Muntplein, onde o rio Amstel e o canal Singel se encontram, foi construída entre 1480 e 1487 na cidade medieval. Inicialmente era parte do Regulierspoort, que consistia de um portão com uma torre de cada lado. Já no século XVII, o Munttoren foi usado para cunhar moedas. Em 1618, o portão pegou fogo e só restou a parte da torre e a casa de guarda. O Munttoren foi então reconstruído em estilo renascentista em 1620. No alto há um relógio e sinos que lembram a época dourada de Amsterdam. Frequentemente ainda se fazem recitais com os sinos. Eu usava essa torre para me guiar nas minhas caminhadas, pois ela é bem visível de vários pontos.

Torre reconstruída do Munttoren na praça Multiplein

Torre reconstruída do Munttoren na praça Muntplein

Próximo ao Munttoren, há o Mercado de Flores ou o Bloemenmarkt, que fica no canal Singel entre as praças Koningsplein e Muntplein. Há várias barraquinhas vendendo flores, uma variedade de tulipas, narcisos e outros bulbos e flores. É possível até mesmo comprar vasinhos com maconha plantada, uma vez que em Amsterdam são permitidos até dois vasos de maconha nas residências.

Acho muito bonito os mercados de flores que existem em algumas cidades da Europa. A profusão de cores e fragrâncias é um convite para o deleite visual e olfativo.

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Também próximo ao Munttoren, mas no sentido oposto ao Bloemenmarkt, há outra praça bem bonita, a Rembrandt Plein, que fica perto também do museu Willet-Holthuysen, já descrito em outro post. A praça é local de encontro tanto de locais quanto turistas pela quantidade de bares e restaurantes. Na praça, uma das principais de Amsterdam, há uma estátua de Rembrandt e esculturas em bronze representando sua pintura A Ronda Noturna de 1642. Um fato interessante dessa obra é que o nome A Ronda Noturna foi erroneamente dado a pintura, cujo nome original é “A companhia militar do capitão Frans Banning Cocq e o tenente Willem van Ruytenburg”. Seja lá como for, ainda bem que mudaram o nome da obra que hoje se encontra no museu Rijksmuseum, o museu Nacional de Amsterdam.

Nessa praça aproveitei para dar um tempo na minha caminhada e comer um lanchinho, já que não havia tomado café da manhã ainda.

Esculturas em bronze na Rembrandt Plein

Esculturas em bronze na Rembrandt Plein

The Night Watch, quadro de Rembrandt que inspirou as esculturas da Rembrandt Plein

A Ronda Noturna, quadro de Rembrandt que inspirou as esculturas da Rembrandt Plein

Seguindo em frente e cruzando o rio Amstel, que deu origem ao nome da cidade, chegamos ao Muziektheater, na praça Waterlooplein, hoje conhecido como Opera e Balé Nacional Holandês em Amsterdam. O teatro é uma construção moderna e local para apresentação de ópera, balé e outras peças musicais. O Muziektheater, aberto em 1986, faz parte de um complexo chamado popularmente de Stopera, uma combinação de prefeitura (Stadhuis) e ópera.

Muziektheater visto dos canais

Muziektheater visto dos canais

Escultura no chão do interior do Muziektheater

Escultura no chão do interior do Muziektheater

Próximo ao Muziektheater fica a casa de Rembrandt, chamada Rembrandt huis, já mencionado em um post anterior. Continuando em frente, atravessamos o canal Oude Schans e logo chegamos à praça Nieuwmarkt. Nessa praça há um restaurante chamado Waag, que significa algo como Casa Pesada. De 1488, essa construção domina a praça. Originalmente fazia parte do portão de Santo Antônio. É a construção não religiosa mais antiga de Amsterdam.

O Waag já serviu como capela, museu, corpo de bombeiros, entre outros. Hoje o andar de baixo é o popular restaurante Cafe in de Waag enquanto os andares de cima são fechados ao público.

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Indo embora da praça Nieuwmarkt caminhei de volta em direção à Damrak. No caminho passei pelo Red Light District. Bom, meu albergue ficava no Red Light, então caminhei por esse bairro tanto de dia quanto de noite. Durante o dia é calmo e há menos prostitutas nas vitrines. À noite já é bem mais movimentado com pessoas indo procurar tanto as prostitutas quanto as casas de show. Também há muitos turistas curiosos ávidos por tentar tirar uma foto, no entanto é expressamente proibido fotografar ou filmar no Red Light District. Enquanto estava lá, fiquei sabendo de um turista japonês que tentou tirar uma foto com a câmera escondida dentro de um blusão. Ele porém foi descoberto por uma prostituta que saiu da janela que ela alugava, foi na direção dele e quebrou sua máquina fotográfica.

Red Light District, talvez o bairro mais famoso de Amsterdam

Red Light District, talvez o bairro mais famoso de Amsterdam

É seguro andar no bairro, porém de madrugada é mais perigoso. Como eles mesmos dizem, após certa hora da madrugada qualquer coisa pode acontecer. De qualquer forma, é sempre bom ficar atento. Qualquer lugar cheio de turistas é alvo para trombadinhas, em um bairro como o Red Light District, é um pouco pior.

A prostituição é legalizada em toda a Holanda e as prostitutas têm direitos trabalhistas garantidos, assim como assistência médica e fiscalização de boas condições de trabalho.

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Andei no bairro também à noite, fui a uma casa de show chamada Casa Rosso, a convite de um grupo de australianos que estavam dividindo o mesmo quarto que eu. O show durava menos de uma hora e consistia de algumas apresentações e interação com a plateia em uma “performance” com uma banana. Na verdade não era nada de mais, mas nas cadeiras da frente havia um grupo de japoneses bem entusiasmados. Um dos australianos que estavam comigo foi convidado para subir ao palco para morder um pedaço da banana.

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Bom, de volta à Damrak, aproveitei para fazer um passeio de barco pelos canais de Amsterdam. Eu havia lido em um blog de viagens que o tour pelos canais era perda de tempo. Discordo. É uma ótima maneira de apreciar a arquitetura típica das casas, além de ser algo mais calmo e tranquilo após vários dias de caminhada. Quem é mochileiro sabe o quanto se caminha pelas cidades que estamos visitando.

Canais de Amsterdam, uma boa pedida passear de barco por eles

Canais de Amsterdam, uma boa pedida passear de barco por eles

Eu escolhi fazer o tour pela Rederij Plas. Há outras empresas que saem também da Damrak, mas acredito que não deva ter tanta diferença entre elas. O tour dura 1 hora e custa 10,00 euros por pessoa (valor para adultos). Os horários variam conforme a época do ano, entre abril e setembro fica aberto das 10:00 às 21:00, nos demais meses, das 10:00 às 17:00, com exceção de outubro, em que o horário de fechamento é às 18:00.

Na embarcação há áudio explicativo em holandês (claro), inglês, francês, alemão e espanhol, além de outros idiomas, então é facilmente possível acompanhar as explicações, caso a pessoa se interesse como eu. Caso contrário, é só relaxar e apreciar o passeio tranquilo.

Percurso do tour de barco pelos canais

Percurso do tour de barco pelos canais

Embarcação do tour pelos canais

Embarcação do tour pelos canais

Um dos primeiros lugares que o barco passa é pelo Schreierstoren, uma torre de frente para o porto, erguida em 1480, fazendo parte da muralha medieval da cidade. Seu nome é derivado de “torre de choro”, pois muitas mulheres iam à torre para dar adeus aos maridos que se aventuravam no mar, o eterno inimigo de Amsterdam, para irem à guerra ou simplesmente para pescaria. Hoje em dia o Schreierstoren possui uma função mais agradável, é local para casamentos e eventos. No térreo também há um café.

A torre onde as mulheres iam chorar pelos maridos que partiam rumo ao mar

A torre onde as mulheres iam chorar pelos maridos que partiam rumo ao mar

Em seguida, passamos pela belíssima construção do Scheepvaarthuis, cujo nome significa Casa Navio. O prédio é considerado uma obra prima do estilo arquitetônico de Amsterdam e foi construído entre 1912 e 1916 para ser usado como base para as companhias marítimas. Hoje o local funciona como o hotel Grand Hotel Amrâth Amsterdam, e mesmo sem hospedar nele, é possível admirar seu interior tomando um café ou outra bebida no bar.

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O tour também passa pelo restaurante chinês Sea Palace, fundado em 1984, sendo o primeiro restaurante flutuante da Europa. Na sequência, vemos o museu Nemo, o museu de ciência e tecnologia cujo prédio tem formato de barco de cor verde acobreado. O museu foi desenhado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, mais conhecido por ser o idealizador do Centre Georges Pompidou em Paris.

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Depois de passar por esses locais, o barco segue rumo aos canais digamos mais internos de Amsterdam, passando por outros locais como o Stopera, falado anteriormente, pelas várias pontes e pelas belas casas de canais.

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Navegando pelos canais, passamos ao lado não apenas das embarcações usadas pelos moradores como meio de transporte, mas também de várias residências flutuantes bem charmosas. Na verdade, não é permitido morar em barcos, mas como o espaço em Amsterdam é pequeno e também um problema para seus habitantes, algumas pessoas acabam morando nessas habitações flutuantes. O governo faz vista grossa, não retira as casas mas também não fornece ajuda para essas pessoas, caso haja algum problema com a embarcação casa.

Casa flutuante em um dos canais de Amsterdam

Casa flutuante em um dos canais de Amsterdam

Bom, seja a pé ou navegando por seus canais, Amsterdam oferece além da variedade de museus e igrejas históricas, uma bela paisagem formada por suas casas típicas construídas a beira dos canais, pelas pontes e pelos próprios canais. Para mim, ambas as formas são válidas para conhecer a cidade, além de serem bastante agradáveis.

Que a Europa é cheia de belas Igrejas para visitar não é surpresa nem novidade, sendo assim, em Amsterdam, cidade dos coffee shops e Red Light District, também há igrejas bem bonitas. Mesmo tendo na sua história um período em que professar a religião católica era proibido, as igrejas católicas foram mantidas para fins protestantes ou exposições e hoje são atrações turísticas, não importando a fé ou o motivo pelo qual a igreja ainda existe.

De Krijtberg foi a primeira igreja que entrei. Seu nome significa Montanha de Cal e é na verdade seu apelido, o nome oficial é Franciscus Xaveriuskerk ou São Francisco Xavier, um monge jesuíta. Essa Igreja Católica se localiza no Singel, um canal que circulava a cidade na Idade Média, no centro de Amsterdam.

De Krijtberg Kerk

A igreja em estilo neo-gótico foi desenhada por Wilhelm Victor Alfred Tepe, considerado um dos mais importantes arquitetos góticos dos Países Baixos no século XIX. Assim como muitas igrejas católicas de Amsterdam, ela começou como uma igreja jesuíta secreta, em 1654. A igreja clandestina foi então substituída por outra em 1677 e finalmente, a De Krijtberg Kerk foi construída no mesmo local em 1881 e inaugurada em 1883, sendo facilmente reconhecida pelas duas torres pontiagudas.

De Krijtberg Kerk

Como na época havia limitação de espaço no centro de Amsterdam, o arquiteto a desenhou com uma imponente fachada e por dentro o espaço da galeria central foi privilegiado, no lugar das galerias laterais, comuns nas igrejas católicas europeias. Hoje, é considerada uma das igrejas jesuítas mais antigas e importantes do país.

De Krijtberg

 

Sint Nicolaas Kerk, Igreja de São Nicolas, foi construída entre 1884 e 1887 na parte antiga de Amsterdam sob influências de estilo barroco e neo-renascentista. O responsável pela mistura de estilos foi o arquiteto Adrianus Bleijs. Seu nome original é Sint Nicolaas binnen de Veste que quer dizer São Nicolas dentro das muralhas, uma referência à sua localização dentro das fronteiras originais de Amsterdam. Ela fica próxima à Estação Central.

É a maior Igreja Católica da cidade. Fui várias vezes visita-la, mas sempre a encontrava fechada, isso porque ela abre somente em horários específicos durante o dia.

Em 2012, na ocasião do seu 125° aniversário, a igreja foi elevada à condição de Basílica.

Saint Nicolas Kerk

 

Oude Kerk, ou Igreja Velha, possui uma localização singular, no meio do Red Light District, o bairro onde as prostitutas ficam nas janelas a espera de seus clientes ao lado de várias casas de shows de sexo explícito. A explicação para isso é divertida, segundo os locais, o Red Light District se desenvolveu em volta da Igreja porque quando os marinheiros chegavam à Amsterdam, eles visitavam as prostitutas de noite e no dia seguinte iam à Igreja confessarem seus pecados. Então era bem conveniente que a igreja ficasse próxima aos prostíbulos. Digamos que facilitava a vida dos marinheiros. Somente em Amsterdam mesmo para ouvirmos uma explicação assim.

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A Oude Kerk é a igreja mais antiga da cidade, construída no século XIII, e hoje ela é resultado de várias mudanças e adaptações que foram sendo feitas ao longo dos anos. A igreja foi bem danificada em dois incêndios ocorridos em 1421 e 1452 e também pela ação de vândalos fanáticos que atacaram seu interior quando Amsterdam assumiu como religião oficial o protestantismo em 1578.

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Após essa data, a igreja foi confiscada e usada para fins protestantes. Hoje ainda preserva a torre do sino original e algumas janelas de vidro. A torre oferece uma boa vista da cidade. A esposa de Rembrandt está enterrada nesse local.

Hoje em dia não é mais uma Igreja e sim um local de exposições de quadros, uma vez que perdeu sua importância para a Nieuwe Kerk ou Igreja Nova.

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Interior em estilo neo gótico da Oude Kerk

Um dos quadros em exposição na Oude Kerk

Um dos quadros em exposição na Oude Kerk

Begijnhof não é uma igreja, mas trata-se também de um lugar com significado religioso. O local me chamou a atenção durante o o Walking Tour que fiz. Enquanto ouvíamos as histórias que o guia americano falava, uma porta me chamou a atenção. Terminado o tour, voltei ao local e decidi abrir a porta. Qual foi minha surpresa ao, após atravessar um pequeno corredor, me deparar com um local tão agradável.

Porta que dá acesso ao Begijnhof. Passando na frente ninguém imagina que há um belo átrio lá dentro

Porta que dá acesso ao Begijnhof. Passando na frente ninguém imagina que há um belo pátio lá dentro

Begijnhof é na verdade um pátio construído em 1346. Ali viviam as Beguines, mulheres católicas que escolheram uma vida de convento e frequentemente com voto de castidade. A última morreu em 1974 e sua casa, a de número 26, foi preservada intacta. A de número 34 é a casa mais antiga, sendo do século 15.

Fachada de madeira da casa mais antiga, do século XV

Fachada de madeira da casa do século XV, a mais antiga do Begijnhof

Existe uma Igreja no local, a Engelse Kerk, construída também no século XV, no entanto, no período de proibição da religião católica, essa igreja também foi tomada pelos protestantes e as Beguines celebravam a missa em um igreja clandestina dentro da casa oposta à Engelse Kerk.

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Um lugar de paz no meio da agitação de Amsterdam

Hoje ainda há pessoas que moram mesmo no local e há uma cerquinha para evitar a entrada de estranhos nessas casas. Begijnhof é um local de paz e tranquilidade em plena agitação de Amsterdam, vale a pena visitar e passar um tempo desfrutando da paz do lugar.

Casas que compõem o Begijnhof

Casas que compõem o Begijnhof

 

Bom, a próxima igreja eu não sei o nome dela, na verdade tirei essa foto pois, o que mais me chamou a atenção foi o fato de ter uma loja de sapatos bem ao lado da igreja. Um bom exemplo da falta de espaço que existe em Amsterdam. De fato, eles estão usando lixo para deixar o solo mais duro e dessa forma poderem construir mais casas, já que a cidade não tem mais para onde crescer em virtude do mar e dos canais existentes.

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Como já mencionei em um post anterior, em Amsterdam há muitos museus. Alguns sobre temas inusitados, como museu da maconha, por exemplo, que só poderia existir mesmo nessa cidade.

Um museu pouco comum e muito atraente é o Museu Flutuante de Tulipas. Existe o museu em terra firme também, mas o flutuante fica em uma charmosa embarcação de madeira toda enfeitada com tulipas. Não tem como não achar gracioso.

As tulipas são flores icônicas na Holanda. Elas foram importantes na história do país, seus bulbos serviram de alimento durante a guerra e ainda hoje é a flor preferida dos holandeses. Talvez esteja ai o porquê desse museu.

Museu flutuante de Tulipas

Museu flutuante de Tulipas visto do canal

Outro museu que visitei foi o Museu do Teatro ou Theaterkrant. Na época da faculdade, eu fazia parte do TRUSP, Teatro Ribeirãopretano da USP. Após a faculdade, migrei meu interesse do teatro para a dança, mas a paixão pelo tema nunca acabou. Por isso, fiquei bastante interessada em visitar esse museu, assim que fiquei sabendo da existência dele em Amsterdam.

Infelizmente, o Theaterkrant fechou permanentemente após janeiro de 2009, uma pena para as pessoas que adoram teatro, ópera e dança. O museu ficava em uma bela casa construída em 1638 à beira do canal por um dos arquitetos mais famosos da época, chamado Philip Vingboons.

Fachada do museu do teatro em uma casa do século XVII

Fachada do museu do teatro em uma casa do século XVII

Se a fachada da casa já vale a pena, seu interior chama mais ainda a atenção pela bela escadaria e o hall de mármore. Só havia eu nesse museu e assim foi possível entrar até nas salas de reuniões. Lá ficavam expostos, em várias galerias, o vestuário e material usados nas peças de teatros holandesas tanto antigas quanto contemporâneas. Hoje o museu faz parte do Instituto de Teatro dos Países Baixos.

Peças de vestuário em exposição

Peças de vestuário em exposição

 

São várias vestimentas distribuídas na galerias do antigo museu

São várias vestimentas distribuídas na galerias do antigo museu

Saindo da beleza e charme das tulipas e da magia do teatro, vamos para o bizarro Museu da Tortura. Esse museu revela como foi o tempo doloroso da Idade Média, não à toa também conhecida como Idade das Trevas. O acervo conta com mais de 40 objetos de tortura de diferentes partes da Europa, desde a época da Inquisição até a guilhotina.

Incrível a capacidade do ser humano de inventar instrumentos capazes de proporcionar a dor para outras pessoas. Há explicações em oito idiomas e o ambiente é um pouco escuro e claustrofóbico, combinando com o tema do museu.

Cadeira de tortura onde o próprio peso da pessoa era usado para afunda-la nas pontas existentes na cadeira

Cadeira de tortura onde o próprio peso da pessoa era usado para afunda-la nas pontas existentes na cadeira

462 - Torture museum

Dama de ferro, usada para aprisionar a pessoa em seu interior


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bom, e Amsterdam não seria Amsterdam sem um museu do Sexo ou Venustempel (Templo de Vênus). O museu, assim como a maioria dos museus de Amsterdam, fica em uma casa do século XVII, porém não nos canais e sim na Danrak. Por isso, acaba sendo uma das primeiras atrações que os visitantes vindos da estação de trem veem.

398 - Sex Museum

A exposição permanente é intitulada Sex through the ages

O museu se orgulha de possuir uma extensa coleção de esculturas, pinturas e objetos eróticos, bem como fotos e documentos pornográficos. Todo o acervo foi comprado pelos próprios donos do estabelecimento. O museu abriu suas portas em 1985 com uma pequena coleção de objetos eróticos do século XIX. O entusiasmo dos primeiros visitantes garantiu não apenas sua sobrevivência, como também a expansão. O local é bem movimentado e por onde se anda nos museus escuta-se as risadinhas e piadas dos turistas curiosos.

400 - Sex Museum

Há peças eróticas de quase todas as épocas da história da civilização

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