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Saint Michel et Gudula é a principal igreja de Bruxelas. É como um símbolo para os habitantes da cidade, conforme um deles mesmo me contou, e está localizada na praça Sainte-Gudule, a poucos passos da Galeries Royales St Hubert e bem perto da Grand Place. A igreja também está próxima ao Parc de Bruxelles. Ou seja, é praticamente impossível não encontrá-la, seja por sua localização, seja por seu imponente tamanho.

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Essa magnífica igreja combina vários estilos, desde o Romano até Gótico, sendo esse último o estilo predominante. O início da sua construção data de 1226, mas sua origem é ainda anterior a isso, provavelmente do século VIII ou IX, quando uma capela dedicada a São Miguel havia sido construída no local.

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Dois séculos depois, o então duque de Brabante, Lamberto II mandou construir uma igreja romanesca no local. Ainda no século XI, as relíquias de Santa Gudula, a padroeira de Bruxelas, foram transferidas para lá, e foi a partir de então que se se tornou conhecida como a igreja de Saint Michel et Gudula, e os dois santos, padroeiros da cidade. Até por isso que se vê estátuas de São Miguel no topo de vários prédios importantes da cidade.

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Foi Henrique I, outro duque de Brabante quem ordenou o início da construção da igreja atual que durou por nada menos que 300 anos! A igreja finalmente ficou pronta em 1519, próximo ao reinado do imperador Carlos V. Essas duas figuras importantes historicamente para Bruxelas foram as mesmas que moraram no palácio Coudenberg. O estilo gótico apareceu nessa mesma época na região e por isso ele está tão realçado na catedral.

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As dimensões da igreja refletem sua beleza e importância. São 114 metros de comprimento exterior e 109 metros de comprimento interior por 57 metros de largura. As torres possuem 64 metros de altura. A parte externa da catedral foi inteiramente construída com pedras retiradas da pedreira de Gobertange, localizada a cerca de 52 km de Bruxelas.

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Se por fora a catedral é magnífica, com todas suas estátuas de santos e pessoas importantes decorando sua fachada, seu interior não deixa por menos. Há lindos detalhes por todos os lados e vale a pena explorar cada canto dessa igreja.

O coro data de 1226 mesmo, enquanto outras partes possuem diferentes origens. Os belíssimos vitrais e os confessionários são do século XVI e o púlpito do século XVII, mais recente é o carrilhão, de 1975.

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O púlpito, esculpido por Hendrik Frans Verbruggen em 1699, é um belo exemplo da arte barroca “naturalista”. Ele retrata a queda de Adão e Eva e a Redenção, representada de acordo com a descrição de São João no livro do Apocalipse, pela Virgem sobre uma lua crescente e a cabeça coroada com doze estrelas, e o Infante perfurando a cabeça da serpente com uma longa cruz.

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Na nave da igreja há doze colunas onde estão dispostos os doze apóstolos. As expressivas estátuas barrocas foram esculpidas no século XVII por grandes escultores da época do ducado de Brabante, como Jérôme Duquesnoy o Jovem, filho de Jérôme Duquesnoy, o Ancião, o mesmo que esculpiu o Manekken Pis, Luc Faid’herbe e Tobie de Lelis

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Saint Michel et Gudula passou por uma grande restauração entre 1983 e 1999 que trouxe de volta toda a sua beleza, em especial das pedras, vitrais e abóboda. Foi durante essa restauração que foram descobertas as ruínas bem preservadas da igreja original e a cripta, ambas do século XI, em estilo romanesco.  Os espelhos colocados no sítio arqueológico permitem que os visitantes vejam as fundações da entrada da igreja de 1047, seu lado oeste, que servia como local de refúgio para os habitantes durante a Idade Média, construído por volta de 1200, a antecâmara e as fundações do arco que separava a antecâmara da nave.

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Bem, como dá para perceber, a Igreja de Saint Michel et Gudula oferece beleza arquitetônica, belos vitrais e estátuas, história, religiosidade e ruínas antigas para quem for visitá-la. Um belo símbolo e uma imponente construção para a cidade de Bruxelas. Vale muito a pena conhecer.

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Manneken Pis é o símbolo de Bruxelas, como todos já sabem, mas a verdade é que ele nunca me chamou muito a atenção. Tanto que só fui conhecê-lo de perto na terceira vez que estive em Bruxelas. O Manneken Pis nada mais é do que uma estátua de bronze de um menininho fazendo xixi. Quando cheguei perto da fonte, no meio de muitos turistas ávidos por tirar uma foto em frente à tão famosa estátua, pude ter certeza que qualquer coisa pode virar uma atração turística.

Mas vamos lá entender porque o Manneken Pis faz tanto sucesso. Seu nome significa exatamente o que ele faz “menino fazendo xixi”, em um dialeto holandês falado em Bruxelas. A estátua de bronze foi feita em 1619 pelo escultor Jérôme Duquesnoy, o Ancião (seu filho, com o mesmo nome é conhecido como Jérôme Duquesnoy, o Jovem).

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Como qualquer atração turística, o Manneken Pis possui uma história interessante. Ninguém sabe ao certo o porquê da sua origem, mas a estátua é cercada de lendas bem divertidas. Uma delas diz que a estátua representa um garoto que salvou Bruxelas de um incêndio apagando a brasa inicial com seu xixi. Outra história diz que no final do século XII, o filho de um duque foi encontrado urinando contra uma árvore no meio de uma batalha e foi por isso celebrizado numa estátua de bronze. A mais provável é que o menininho fazendo xixi desempenhou um papel essencial na distribuição de água potável em Bruxelas no século XV.

Independente de sua origem, o fato é que o Manneken Pis é hoje mais do que importante na vida e história da capital belga. Em datas festivas, a estátua é vestida com diferentes roupas. Seu guarda-roupa conta com mais de 800 peças. Nada mal! Algumas delas são possíveis de se ver no museu Maison de Roi na Grand Place.

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Recentemente, em vista dos ataques terroristas na Bélgica, vários cartoons com o Manneken Pis foram feitos como um forma de resposta do país frente ao terrorismo e conforto para os cidadãos.

 

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No Rio de Janeiro, em frente à sede do clube do Botafogo de Futebol e Regatas, há uma estátua de um menino fazendo xixi, inspirada no Manneken Pis. Na verdade, é a “cópia” mais famosa. Ela é conhecida como Manequinho, um nome bem fofo, assim como a estátua, que na minha opinião é mais bonitinha que o próprio Manneken Pis.

O Manekken Pis está localizado na junção das ruas Rue de l’Étuve/Stoofstraat  e Rue du Chêne/Eikstraat, a poucos passos da Grand Place.

Sua “namorada”, a Jeanneke Pis, não fica muito longe. E na verdade, ela fica numa região até mais agradável. Jeanneke Pis, como é de se esperar, significa menina fazendo xixi.

 

Bem menos famosa que sua versão masculina, a Jeanneke Pis foi inaugurada em 1987 e também conta com uma história interessante. Denis Adrien Debouverie, de Bruxelas, decidiu um dia que daria um presente à vizinhança, onde ele morou por muitos anos. Pensou então em algo que fizesse referência à história da cidade e daí surgiu a “irmã mais nova” do Manneken Pis. Segundo as palavras de seu criador, com sua inauguração, Bruxelas teria agora igualdade de gêneros.

Hoje a Jeanneke Pis está protegida por grades contra vandalismos, o que prejudica bastante ter um boa foto da garotinha bochechuda.

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A estátua se localiza na rua sem saída Impasse de La Fidélité, uma transversal da Rue de Bouchers, uma rua bastante agradável com muitos barzinhos e restaurantes. Um lugar para se frequentar, sem dúvida.

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Em frente à Jeanneke Pis, está nada menos que o Delirium Café, que possui quase 2500 tipos de cerveja do mundo todo. Absolutamente imperdível e fácil de achar, o elefante rosa da cerveja Delirium Tremens indica o local. O Delirium Café possui filiais no Rio de Janeiro, São Paulo, Japão, Varsóvia e Lisboa. Vale a pena a visita!

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Entre os dois irmãos ou namorados, como são conhecidos, está a Galeries Royales St Hubert, o shopping coberto mais antigo da Europa Ocidental, e um dos mais elegantes. Inaugurada em 1847, a galeria é repleta de boutiques de luxo que vendem de roupas a relógios e chocolates.

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Ela se divide em três áreas: Galeria da Rainha, com lojas de sapatos de grifes famosas e objetos de decoração, Galeria do Rei, com lojas de produtos tradicionais de couro feitos à mão, de joias e de chocolates de dar água na boca, e por fim a Galeria dos Príncipes, formada de livrarias e lojas elegantes de presentes e roupas. O shopping atravessa de um lado ao outro do quarteirão e é iluminado naturalmente pelo sol.

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Como o próprio nome diz, somente mesmo as famílias reais para fazerem compras nessa galeria. Vale a pena passar por ela e admirar as lojas, mas nada mais além disso.824 - Bruxelas 27

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Que a Grand Place é linda ninguém discorda, mas nos seus arredores também há belas construções que valem a pena conhecer.Um exemplo é o Palais de La Bourse, onde fica a Bourse de Bruxelles, que como o próprio nome indica, é a Bolsa de Valores de Bruxelas.

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Chegar lá é muito fácil, estando na Grand Place, é só ir caminhando pela Rue de Beurre, a rua que fica ao lado do restaurante Le Roi D’Espagne. É uma rua pequena e logo do início já dá para avistar a parte de trás da Bourse de Bruxelles. Enquanto caminha por lá aproveite para se deliciar com as vitrines mais do que atrativas das lojas de chocolates. Difícil resistir à tentação de comprar alguns chocolates. Eu mesma não resisti.

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A belíssima construção do Palácio da Bolsa (Palais de La Bourse) foi levantada sobre as ruínas de um mosteiro franciscano do século XIII. É possível visitar as ruínas do convento no museu subterrâneo localizado na Rue de La Bourse.

O estilo do edifício foi inspirado no arquiteto renascentista Andrea Palladio, daí o nome de estilo neo-palladiano, muito popular nas construções públicas do século XIX.

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A principal característica desse estilo é a representação das arquiteturas antigas, com aparência de templos grego-romanos, por isso a presença de colunas coríntias e o frontão com esculturas. Na frente do Palais de La Bourse ainda há dois imponentes leões, um em cada lado da escadaria, que representam a nação. A intenção de dar grandiosidade às construções da época, em especial aquelas com funções públicas e financeiras, era para atrair a burguesia com muitos recursos. Bom não apenas os ricos investidores são atraídos pela majestade desse prédio, mas também com certeza os muitos turistas. É uma construção muito bela que chama a atenção sem dúvida e que vale a pena conhecer.

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A caminho do Palais de La Bourse, passamos pela Église Saint Nicolas, construída no século XII para os comerciantes e mercadores. Essa igreja é uma das quatro primeiras igrejas de Bruxelas, e, devido à sua proximidade com o Palais de La Bourse, ela também e conhecida como Saint Nicolas de La Bourse. Pode-se dizer que essa igreja tem uma história interessante, ou que ao menos mante-la em pé não tem sido tão fácil assim. Em 1367, uma tempestade destruiu a torre que foi reconstruída posteriormente em 1380. Porém, em 1695, ela foi bombardeada, sendo novamente reconstruída, mas, dessa vez, a estrutura da igreja ficou abalada e a torre acabou por desabar em 1714, sendo reconstruída somente em 1956. Finalmente a igreja foi completamente restaurada entre 2002 e 2006.

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Seguindo em frente pela Rue de Tabora, a rua entre o Palais de La Bourse e a igreja Saint Nicolas, chega-se ao Théâtre Royal de La Monnai ou De Munt, construído em 1700 para apresentações de balé, ópera e teatro. Na época, a construção em estilo neo-clássico foi considerada um dos teatros mais belos fora da Itália.

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É possível fazer uma visita guiada ao teatro com duração 90 minutos. A visita ocorre sempre após as 16:30 durante a semana e o dia inteiro aos finais de semana. Nos meses de julho e agosto não há visitas guiadas, uma pena, considerando que esses são justamente os meses de férias. O valor do tour é de 12,00 euros por pessoa. É gratuito para crianças abaixo de 5 anos e adultos abaixo de 30 pagam metade. O tour só ocorre se tiver um mínimo de 16 participantes e os idiomas disponíveis são francês, holandês, inglês, alemão, italiano e espanhol. Dá para reservar a visita no próprio site do teatro. Para quem não quiser pagar o ingresso, também é possível conhecer o interior do teatro em um tour virtual.

Um pouco mais afastado da Grand Place, mas perto do De Munt está outro teatro, o Théâtre Royal Flamand. Para chegar lá, basta seguir pela Rue du Fossé aux Loups, que fica à esquerda do De Munt, se você estiver de frente para ele. Vire à direita na Rue de Laeken e siga em frente até chegar na Quai aux Pierres de Taille, pronto, você chegou ao Théâtre Royal Flamand, também conhecido pela sigla KVS, feliz abreviação de Koninklijke Vlaamse Schouwburg, ou Le Théatre de Ville Bruxellois

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O KVS abriu em 1887 e era o principal teatro holandês em Bruxelas. Seu estilo flamengo neo-renascentista o deixa inconfundível. As varandas feitas de ferro dão o toque final para a beleza dessa construção. Infelizmente, parte da decoração do seu interior foi destruída por um incêndio violento em 1955. Os shows que se apresentam no KVS são todos em holandês, mas eles são legendados para aqueles que não falam esse idioma possam acompanhar. O programa varia entre dança, poesia, comédia, peças de teatro clássico e contemporâneo.

Ainda há mais lugares interessantes para se conhecer nos arredores da Grand Place, como o símbolo da cidade Manekken Pis e as Galeries Royales, mas esses ficam para o próximo post.

O que dizer da Grand Place de Bruxelas que ainda não tenha sido dito? Esse é com certeza o destino de 100% de turistas, viajantes, mochileiros, visitantes ou o nome que se queira dar, que frequentam a cidade. E, mesmo caindo no convencional, para mim é o melhor lugar de Bruxelas. Não tem como não se impressionar, independente se é a primeira ou quinta vez que você vai para Bruxelas. Não é a toa que a Grand Place ou Groten Mark é considerada uma das praças mais bonitas da Europa.

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Em 1998, a Grand Place entrou para a lista dos patrimônios mundiais da UNESCO, que faz referência à arquitetura da praça como um belo exemplo do nível social e vida cultural do século 17. A Grand Place também é citada no livro 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer da jornalista americana Patricia Schultz, onde é descrita como o coração de Bruxelas.

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As casas aqui foram construídas em 1695, apenas três anos após os dois dias de intenso bombardeio francês que destruiu a praça quase que completamente, restando apenas a prefeitura, ou Hôtel de Ville. Na verdade, foram os comerciantes que reconstruíram as casas, em estilos aprovados pelo Conselho Municipal, e que originaram a bela e harmoniosa unidade de prédios construídos em três estilos: barroco, gótico e Luís XIV.

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Antigamente, a Grand Place funcionava como mercado, onde comerciantes vendiam essencialmente alimentos. Daí o porquê das ruas em volta da praça terem nomes de comidas, como por exemplo Rue au Beurre (rua da manteiga), Rue de Marché aux Fromages (rua do mercado de queijos), Rue de Marché aux Herbes (rua do mercado de ervas) e assim por diante. Eu acho esses nomes bem interessantes, mesmo sendo engraçados, mostram bem tanto a cultura quando a história do lugar. São coisas assim que me deixam mais apaixonada pela Europa em geral, pois mesmo com o passar do tempo, modernização, globalização e tudo o mais, eles ainda mantém intactos aspectos simples de suas histórias, como essas ruas com nomes como frango, ervas, manteiga, etc.

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O prédio mais imponente da Grand Place é sem dúvida o Hôtel de Ville, a prefeitura construída entre 1402 e 1459. O prédio é 300 anos mais velho que o restante das casas e é merecidamente tido como o prédio cívico mais bonito da Bélgica. É bem irônico o fato do Hôtel de Ville ter sido praticamente a única construção que resistiu ao bombardeio francês, uma vez que ele era o principal alvo.

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Mas que bom que isso ocorreu, mesmo tendo sido reconstruído os demais prédios, seria uma lástima que a bela prefeitura fosse destruída. A fachada do prédio é preenchida por estátuas de figuras importantes e gárgulas góticas. A torre de 96 metros pode ser vista de vários pontos da cidade. No alto, há uma estátua de São Miguel, patrono da cidade.

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É possível conhecer seu interior formado por salas luxuosas. Há tours guiados com duração de 45 minutos. O valor do ingresso é 5,00 euros para adultos e 3,00 euros para crianças entre 6 e 12 anos, abaixo dessa idade, o ingresso é gratuito. O valor com desconto também vale para aposentados, desempregados e estudantes. O tour tem horas e dias marcados conforme o idioma usado, que são francês, inglês e holandês.

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Em frente ao Hôtel de Ville fica a Maison de Roi, que apesar do nome, nunca foi residência do rei. Melhor ainda é seu nome em holandês, Broodhuis, que significa Casa de Pão. Na verdade, os dois nomes possuem explicação, no século 13, o prédio serviu de mercado de pão, daí o nome Broodhuis, enquanto que Maison de Roi se refere aos títulos do seu proprietário, o Duque de Brabante, que no século 16 era Carlos V, “rei” da Espanha.

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Porém nem casa do rei e nem casa do pão, esse palácio datado do século 12 é na verdade sede do Musée de la Ville de Bruxelles. Quando fui, a entrada era de graça, pois era o primeiro domingo do mês, nos demais  dias o valor do ingresso é 8,00 euros para adultos, para aposentados é 6,00, estudantes e desempregados pagam 4,00 euros enquanto que para abaixo de 18 anos a entrada é gratuita. Também é possível comprar ingresso combinando o Musée de la Ville de Bruxelles com os museus Musée du Costume et de la Dentelle Musée des Egouts. O primeiro parece ser bem interessante, uma vez que se trata de trajes e história da moda com exposições mostrando vestuários desde o século 18. Já o segundo é um tanto duvidoso, já que o museu é destinado ao sistema de esgoto. Além dos profissionais da área, não sei quem mais se interessaria por esse tipo de exposição. Isso mostra que qualquer tema pode virar um museu na Europa.

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Como o próprio nome diz, o Musée de la Ville de Buxelles é dedicado à história e cultura de Bruxelas mostradas através de peças arqueológicas, pinturas, esculturas, tapeçarias e muitas estátuas do Manneken Pis, aquele menino fazendo xixi que é símbolo de Bruxelas, vestido de várias maneiras, o que não deixa de ser engraçado. Porém não é permitido tirar fotos no interior do museu.

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Mas a história da Grand Place não é feita apenas de prédios bonitos, seu passado também contém fatos tristes, uma vez que o local já foi palco de centenas de execuções de bruxas e protestantes que eram queimados, bem como rebeldes e ladrões que eram decapitados. Felizmente, hoje a Grand Place é um lugar bem mais positivo, com eventos frequentes como o mercado de flores que acontece diariamente entre a primavera e o outono e o Tapete de Flores, que ocorre a cada dois anos no mês de agosto.

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Há vários restaurantes e bares na Grand Place, que obviamente são caros, mas confesso que uma vez abri mão da economia para sentar em um bar do lado oposto ao Hôtel de Ville e tomar uma Chimay, uma das minhas cervejas favoritas. Em alguns momentos compensa a gente pagar mais caro para tomar uma deliciosa cerveja trapiste podendo admirar a praça mais bela da Europa, afinal, não é todo dia que podemos fazer isso.

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É bem fácil chegar na Grand Place, uma vez que há várias placas sinalizando a direção, ao mesmo tempo que, como mencionei antes, a torre do Hôtel de Ville é facilmente vista. mas de qualquer forma, para quem quiser ir de metrô, a estação mais próxima é a Gare Centrale.

Um lugar imperdível em Bruxelas é a região de Mont des Arts, e para falar a verdade, é até difícil não passar por ali. Todas as vezes que fui à Bruxelas passei várias vezes por lá.

A região compreende uma variedade de prédios, museus, um lindo jardim e até mesmo o Palácio Real, ou Palais Royale, que falaremos em outro post. E para completar, ainda se tem uma bela vista do jardim da praça Mont des Arts.

Vista da praça Mont Des Arts

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O local foi originalmente ideia do Rei Leopoldo II que quis criar essa região dedicada às artes (Monte das Artes, como o próprio nome diz) no final do século 19. Apesar da boa intenção em relação às artes em seu país, esse rei entrou para a história como um dos piores monarcas do mundo devido à forma cruel com que tratava o povo do Congo, na época colônia da Bélgica.

Bom, histórias a parte, a verdade é que o centro cultural, que hoje conta com 10 dos maiores museus e galerias de Bruxelas, só ficou pronto 50 anos mais tarde.

O Mont des Arts fica no centro da colina existente entre o Palácio Real e a Grand Place e até mesmo por sua localização entre dois destaques da cidade que é tão fácil passar por ali várias vezes.

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Começamos então nosso tour pela Igreja Saint Jacques sur Coudenberg, que fica na Place Royale. Essa igreja, em estilo neoclássico, foi construída entre 1776 e 1787 e funciona como a catedral da diocese para as forças armadas. Não é a toa que ela lembra mais um prédio público do que uma igreja propriamente dita.

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Na frente da igreja, há um imponente pórtico Greco-romano com 6 colunas do tipo coríntias coroadas no alto por um frontão triangular, o que confirma minha impressão de prédio público. Durante a Revolução Francesa, essa igreja foi transformada em Templo da Razão e posteriormente em Templo da Lei. Em 1802, voltou a pertencer à Igreja católica.

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Não consegui conhecer a Saint Jacques sur Coudenberg por dentro, porque sempre que passava por ali, ela estava fechada. Mas de qualquer forma, vale conhecer a fachada. Na Place Royale, onde fica a igreja, bem no centro está a estátua do duque Godofredo de Bulhões, um importante nobre, líder da primeira cruzada que ocorreu em 1096.

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Continuando nosso tour em direção ao Jardim do Mont des Arts, passamos em frente a vários museus, que justificam o nome dessa região. Lembrando ainda, que bem próximo, atrás da Saint Jacques sur Coudenberg estão o sítio arqueológico Coudenberg e o museu Belvue, ambos mencionados em outro post.

Bom, o primeiro deles que encontramos na nossa caminhada é o Musée Magritteaberto em junho de 2009 para expor as obras do artista surrealista René Magritte. Eu não visitei esse museu, pois surrealismo não é uma das minhas escolas de arte preferidas. Mas para quem gosta pode ser uma boa pedida, já que o acervo do museu conta com mais de 200 trabalhos, incluindo óleo em canvas, guaches, desenhos esculturas, objetos pintados, fotografias vintages entre outros feitos pelo próprio Magritte. O museu abre de terça a sexta entre 10:00 e 17:00 e aos finais de semana entre 11:00 e 18:00. O ingresso pode ser comprado online e custa 8,00 euros.

O Musée Magritte na verdade faz parte do complexo de museus chamado Musées Royaux des Beaux Arts, formado por mais 5 museus: o Musée Fin-de-Siècle, inaugurado em dezembro de 2013, que apresenta obras das escolas do final do século 19, como impressionismo, simbolismo e art noveau; Musée Oldmasters, fundado em 1801 por ninguém menos que Napoleão Bonaparte. O acervo conta com obras do período entre os séculos 15 e 18; Musée Modern que, como o nome indica, possui obras de arte modernas e contemporâneas; e finalmente o Musée Meunier e Musée Wiertz que se localizam afastados desse complexo.

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O primeiro fica em Ixelles na casa do pintor, escultor e desenhista Constantin Meunier e conta com um acervo de mais de 700 peças. Já o Wiertz, é dedicado ao pintor, escultor e escritor Antoine Wiertz, uma figura controversa do movimento romântico na Bélgica.

Os horários de funcionamento e valores dos ingressos de todos esses museus são os mesmos do Musée Magritte, mas se comprados juntos passam a custar 13,00 euros. Ou seja, já começa a valer mais a pena para quem quiser conhecer ao menos dois museus.

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Do outro lado da rua Coudenberg, um pouco mais para frente do Magritte, está o Musée des Instruments de Musique, ou Museu de Instrumentos de Música, já mencionado no post anterior.

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Vamos descendo então a rua em direção ao Jardin de Mont des Arts. Além de um belo jardim, ainda é possível ter uma ótima vista da cidade baixa, onde vemos se destacando no horizonte, a torre mais alta do Hotel de Ville, na Grand Place.

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É nesse local que está o Carillon de Mont des Arts. O Carillon é um relógio construído em 1958 composto por 24 sinos e 12 estátuas que representam personagens importantes tanto na história quanto no folclore de Bruxellas. No alto do relógio há um personagem que bate no sino com o martelo a cada hora cheia, é o Jacquemart.

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Do lado esquerdo dos jardins está a Bibliothèque Royale fundada em 1837. O acervo da biblioteca inclui livros, periódicos, anuários e manuscritos, dentre outros itens. São mais de 200 mil mapas e 35 mil manuscritos, sendo muitos deles da Idade Média. Um sonho para amantes da leitura!

Uma coisa curiosa é que desde 1966, todo autor belga tem que depositar duas cópias de cada livro publicado no país nessa biblioteca. Um bom exemplo a ser seguido para melhorar o acesso à cultura.

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Do outro lado, fica o Square Brussels Meeting Centre, um local com cerca de 13.000 metros quadrados e capacidade para receber até 1.200 pessoas para convenções e eventos, construído em estilo contemporâneo, o que contrasta um pouco com os demais prédios da região.

Ao final do jardim, chegamos na estátua do rei Alberto I que reinou a Bélgica entre 1909 e 1934, abrangendo o período da I Guerra Mundial (1914-1918), quando 99% do território belga foi ocupado pelas tropas alemãs.

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Além de todos os museus e prédios citados, a região de Mont des Arts ainda conta com lindos prédios de arquitetura típica e também com um restaurante nas alturas. Isso mesmo, sobrevoando os jardins podemos ver o Dinner in the Sky, com capacidade para 22 convidados e de 1 a 5 chefs. O Dinner in the Sky começou em Bruxelas em 2006 e agora, 10 anos depois, ele está presente em 55 países. O almoço ocorre sempre as 12:30 e o jantar em dois horários, 19:30 e 21:30. A reserva pode ser feita no próprio site. No Brasil,o Dinner in the Sky chegou em 2009 e, assim como em Bruxelas, também é possível jantar a 50 metros do chão.

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O Musée des Instruments de Musique, ou MIM, é um dos meus museus favoritos, está no Top 10 da minha lista de museus. Afinal, é um museu inteiramente dedicado à musica e o primeiro, e na verdade único, desse tipo que visitei.

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O MIM é um dos museus citados no site do MIMO, Musical Instruments Museums Online, que reúne uma série de museus europeus, disponibilizando todo o acervo para consulta online, quase 56 mil instrumentos. Dá para se perder nesse site.

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Além dos museus indicados no MIMO, há ainda o Musical Instrument Museum em Phoenix, Arizona e o Museu da Música, em Lisboa. No Brasil há o Museu dos Instrumentos Musicais, ou MIMU, em Curitiba e o Museu da Música em Itu.

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O MIM fica localizado em um lindo prédio que combina com o explendor do seu acervo. Na verdade é um complexo restaurado, cuja construção é em parte Art Noveau e em parte neoclássica, construído em 1898 pelo arquiteto Paul Saintenoy.

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São mais de sete mil instrumentos musicais que constam no acervo desse museu, mas infelizmente, a maior parte deles fica guardada em salas não acessíveis para o público em geral. Bom, seja como for, de qualquer forma, há muito o que explorar nesse museu.

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As coleções são cuidadas por uma equipe de cientistas chamados de organologistas, que são especialistas no estudo de instrumentos musicais, o que convenhamos, é uma atividade para lá de interessante, principalmente para aqueles, que como eu, amam música e história. Que inveja, rs!

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As peças em exibição estão divididas em 4 galerias, ou andares, onde além dos instrumentos há também as explicações sobre suas origens, funcionamento, época, e o melhor de tudo, sua sonoridade.

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No subsolo ficam os instrumentos eletrônicos, elétricos e mecânicos. No primeiro andar, estão os instrumentos tradicionais de música, tanto ocidental quanto oriental. Já no segundo andar é possível ver os instrumentos clássicos ocidentais dispostos em uma ordem mais ou menos cronológica, desde a época medieval e renascentista até o final do século XIX.

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O quarto andar é o meu preferido, lá ficam os pianos, cravos e outros teclados e as harpas. Lindos instrumentos que proporcionam belíssimas músicas. No terceiro andar não há instrumentos em exposição, nesse andar fica a biblioteca.

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Logo na entrada, recebemos fones de ouvido que permitem ouvir o som que o instrumento faz, quando nos posicionamos no sinal de fone de ouvido existente no chão, na frente dos instrumentos.

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Isso foi o mais mágico para mim. Poder ouvir os diferentes sons e as diversas músicas criadas por instrumentos tão simples ou complexos, conhecidos ou totalmente estranhos para mim, foi uma das melhores experiências que já vivi em um museu ou mesmo nas vivências que tive no mundo da música, seja ocidental ou oriental. Esse é um dos motivos porque gosto tanto desse museu. Não apenas eu, é claro, afinal o MIM recebe anualmente cerca de 125.000 visitantes.

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Além das galerias, o museu conta também com uma sala de concerto, espaço para workshops, loja, livraria e um restaurante no terraço. Desde maio de 2015, Thomas Meuwissen, um belga fabricante de violinos finos,  criou um workshop permanente sobre a fabricação de violinos, de acesso gratuito. Que tudo!

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Na loja do museu, além dos souvenires já esperados, é possível também comprar livros e CDs de diversos estilos musicais e instrumentos. Eu comprei alguns de piano, cravos e de música medieval. Um verdadeiro deleite para músicos, estudantes de música ou simples admiradores.
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126Bruxelas_MuseeInstMusicale23O museu abre de terça a sexta entre 9:30 e 17:00. Sábado, domingo e feriado, abre mais tarde, as 10:00. É fechado as segundas e também em feriados como 1 de janeiro, 1 de maio, 11 de novembro e 25 de dezembro. O restaurante segue os horários do museu.

O ingresso custa 8,00 euros para adultos entre 26 e 64 anos, adultos acima ou abaixo dessa faixa pagam 6,00 euros. Crianças e adolescentes até 16 anos pagam 2,00 euros. O áudio-guia para ouvir as músicas está incluso no valor do ticket, mas o visitante pode também usar os próprios fones de ouvido, se quiser.

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Vale muito a pena conhecer esse museu, bom, eu já fui duas vezes e, quando puder retornar, o farei com certeza. Afinal, como escrevi no início, o MIM é um dos meus museus preferidos. Um lugar que reúne música, arte e história no mesmo local só pode mesmo ser muito especial.

Sítios arqueológicos e museus são minhas paixões, um sítio arqueológico ligado a um museu então é uma combinação perfeita. Coudenberg foi um dos primeiros lugares que visitei em Bruxelas, mas na verdade foi uma coincidência. Eu estava fazendo um lanche no Parc de Bruxelles e decidi visitar o Palais Royal. O palácio porém estava fechado para visitação e então vi ao lado esse local, e lógico resolvi entrar sem pensar duas vezes.

Coudenberg se trata na verdade das ruínas de um palácio construído na colina de mesmo nome durante a segunda metade do século 11. Ele foi reconstruído e aumentado várias vezes, à medida em que crescia o prestígio dos Duques de Brabante e Borgonha e do imperador Charles V que o possuíram.

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Na época, a beleza desse palácio, que foi a sede do poder de Bruxelas por seis séculos, o charme de seus jardins e a riqueza das obras de artes, atraíam visitantes de toda a Europa. No entanto, o palácio foi quase totalmente destruído por um grande incêndio ocorrido na noite de 3 de fevereiro de 1731 e simplesmente desapareceu quando o distrito foi reconstruído em 1775, deixando as ruínas no palácio caírem no esquecimento. Assim, restaram apenas as fundações e salas inferiores que foram encontradas em escavações realizadas posteriormente.

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As ruínas ficam abaixo das ruas de Bruxelas. Foi um passeio que gostei muito, pois dá para voltar no tempo andando nos corredores. Na recepção, o visitante recebe uma brochura explicando cada setor, identificado com números na parede. Para acessar as ruínas é necessário passar por uma porta grande e pesada. Ao lado dela, há um local para digitar um código. O código que me deram era 147A, eu digitei e a pesada porta se abriu. Quando passei por ela, a porta se fechou de uma vez, fazendo um barulho forte. Pensei que ia ficar presa nos porões desse castelo, até porque para variar, só havia eu visitando o local. Daí entendi porque o recepcionista havia me falado que qualquer coisa que eu precisasse, era só dar um tchauzinho para as câmeras que alguém apareceria para me buscar.

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Isso me pareceu bizarro, além do fato de não ver mais ninguém durante todo o tempo em que estive lá. Mas na verdade, tudo isso contribuiu para eu curtir o local. Foi uma viagem pelo tempo, até mesmo pelo cheiro de lugar antigo que permeia todo o Coudenberg.

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Caminhar pelo que restou dele oferece a oportunidade de ver o que foi esquecido pela história para depois se tornar um interessante sítio arqueológico.

Como está escrito na capa da brochura, sob o distrito real, um outro palácio.

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Saindo do Coudenberg, retorna-se à recepção e é possível visitar o museu Belvue que fica no andar superior do luxuoso Hotel Bellevue, construído no século 18. Basta subir a bela escadaria para alcançar o museu.

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Esse museu conta a história da Bélgica e,embora eu não saiba nada da história deles, achei bem interessante a visita. Aberto relativamente recente, em julho de 2005, Belvue é daqueles museus que quando se entra na sala começa tocar alguma música. Como novamente só havia eu lá dentro, não deixou de ser engraçado o fato de tocar uma música a cada sala que eu entrava.

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O acervo permanente conta com mais de 1500 itens entre documentos históricos, filmes, fotos e objetos antigos que retratam a história da Bélgica desde 1830 até os dias de hoje.

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Atualmente o Belvue passa por uma mudança na apresentação cronológica de seu acervo permanente. A partir de julho de 2016, os objetos serão expostos nas sete salas divididos nos temas democracia, prosperidade, solidariedade, pluralismo, migração, linguagem e Europa.

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O ingresso vale para os dois locais: Coudenberg e museu Belvue e custa 6,00 euros. Há desconto para quem possui o Brussels Card.

Que a Europa é cheia de belas Igrejas para visitar não é surpresa nem novidade, sendo assim, em Amsterdam, cidade dos coffee shops e Red Light District, também há igrejas bem bonitas. Mesmo tendo na sua história um período em que professar a religião católica era proibido, as igrejas católicas foram mantidas para fins protestantes ou exposições e hoje são atrações turísticas, não importando a fé ou o motivo pelo qual a igreja ainda existe.

De Krijtberg foi a primeira igreja que entrei. Seu nome significa Montanha de Cal e é na verdade seu apelido, o nome oficial é Franciscus Xaveriuskerk ou São Francisco Xavier, um monge jesuíta. Essa Igreja Católica se localiza no Singel, um canal que circulava a cidade na Idade Média, no centro de Amsterdam.

De Krijtberg Kerk

A igreja em estilo neo-gótico foi desenhada por Wilhelm Victor Alfred Tepe, considerado um dos mais importantes arquitetos góticos dos Países Baixos no século XIX. Assim como muitas igrejas católicas de Amsterdam, ela começou como uma igreja jesuíta secreta, em 1654. A igreja clandestina foi então substituída por outra em 1677 e finalmente, a De Krijtberg Kerk foi construída no mesmo local em 1881 e inaugurada em 1883, sendo facilmente reconhecida pelas duas torres pontiagudas.

De Krijtberg Kerk

Como na época havia limitação de espaço no centro de Amsterdam, o arquiteto a desenhou com uma imponente fachada e por dentro o espaço da galeria central foi privilegiado, no lugar das galerias laterais, comuns nas igrejas católicas europeias. Hoje, é considerada uma das igrejas jesuítas mais antigas e importantes do país.

De Krijtberg

 

Sint Nicolaas Kerk, Igreja de São Nicolas, foi construída entre 1884 e 1887 na parte antiga de Amsterdam sob influências de estilo barroco e neo-renascentista. O responsável pela mistura de estilos foi o arquiteto Adrianus Bleijs. Seu nome original é Sint Nicolaas binnen de Veste que quer dizer São Nicolas dentro das muralhas, uma referência à sua localização dentro das fronteiras originais de Amsterdam. Ela fica próxima à Estação Central.

É a maior Igreja Católica da cidade. Fui várias vezes visita-la, mas sempre a encontrava fechada, isso porque ela abre somente em horários específicos durante o dia.

Em 2012, na ocasião do seu 125° aniversário, a igreja foi elevada à condição de Basílica.

Saint Nicolas Kerk

 

Oude Kerk, ou Igreja Velha, possui uma localização singular, no meio do Red Light District, o bairro onde as prostitutas ficam nas janelas a espera de seus clientes ao lado de várias casas de shows de sexo explícito. A explicação para isso é divertida, segundo os locais, o Red Light District se desenvolveu em volta da Igreja porque quando os marinheiros chegavam à Amsterdam, eles visitavam as prostitutas de noite e no dia seguinte iam à Igreja confessarem seus pecados. Então era bem conveniente que a igreja ficasse próxima aos prostíbulos. Digamos que facilitava a vida dos marinheiros. Somente em Amsterdam mesmo para ouvirmos uma explicação assim.

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A Oude Kerk é a igreja mais antiga da cidade, construída no século XIII, e hoje ela é resultado de várias mudanças e adaptações que foram sendo feitas ao longo dos anos. A igreja foi bem danificada em dois incêndios ocorridos em 1421 e 1452 e também pela ação de vândalos fanáticos que atacaram seu interior quando Amsterdam assumiu como religião oficial o protestantismo em 1578.

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Após essa data, a igreja foi confiscada e usada para fins protestantes. Hoje ainda preserva a torre do sino original e algumas janelas de vidro. A torre oferece uma boa vista da cidade. A esposa de Rembrandt está enterrada nesse local.

Hoje em dia não é mais uma Igreja e sim um local de exposições de quadros, uma vez que perdeu sua importância para a Nieuwe Kerk ou Igreja Nova.

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Interior em estilo neo gótico da Oude Kerk

Um dos quadros em exposição na Oude Kerk

Um dos quadros em exposição na Oude Kerk

Begijnhof não é uma igreja, mas trata-se também de um lugar com significado religioso. O local me chamou a atenção durante o o Walking Tour que fiz. Enquanto ouvíamos as histórias que o guia americano falava, uma porta me chamou a atenção. Terminado o tour, voltei ao local e decidi abrir a porta. Qual foi minha surpresa ao, após atravessar um pequeno corredor, me deparar com um local tão agradável.

Porta que dá acesso ao Begijnhof. Passando na frente ninguém imagina que há um belo átrio lá dentro

Porta que dá acesso ao Begijnhof. Passando na frente ninguém imagina que há um belo pátio lá dentro

Begijnhof é na verdade um pátio construído em 1346. Ali viviam as Beguines, mulheres católicas que escolheram uma vida de convento e frequentemente com voto de castidade. A última morreu em 1974 e sua casa, a de número 26, foi preservada intacta. A de número 34 é a casa mais antiga, sendo do século 15.

Fachada de madeira da casa mais antiga, do século XV

Fachada de madeira da casa do século XV, a mais antiga do Begijnhof

Existe uma Igreja no local, a Engelse Kerk, construída também no século XV, no entanto, no período de proibição da religião católica, essa igreja também foi tomada pelos protestantes e as Beguines celebravam a missa em um igreja clandestina dentro da casa oposta à Engelse Kerk.

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Um lugar de paz no meio da agitação de Amsterdam

Hoje ainda há pessoas que moram mesmo no local e há uma cerquinha para evitar a entrada de estranhos nessas casas. Begijnhof é um local de paz e tranquilidade em plena agitação de Amsterdam, vale a pena visitar e passar um tempo desfrutando da paz do lugar.

Casas que compõem o Begijnhof

Casas que compõem o Begijnhof

 

Bom, a próxima igreja eu não sei o nome dela, na verdade tirei essa foto pois, o que mais me chamou a atenção foi o fato de ter uma loja de sapatos bem ao lado da igreja. Um bom exemplo da falta de espaço que existe em Amsterdam. De fato, eles estão usando lixo para deixar o solo mais duro e dessa forma poderem construir mais casas, já que a cidade não tem mais para onde crescer em virtude do mar e dos canais existentes.

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Como já mencionei em um post anterior, em Amsterdam há muitos museus. Alguns sobre temas inusitados, como museu da maconha, por exemplo, que só poderia existir mesmo nessa cidade.

Um museu pouco comum e muito atraente é o Museu Flutuante de Tulipas. Existe o museu em terra firme também, mas o flutuante fica em uma charmosa embarcação de madeira toda enfeitada com tulipas. Não tem como não achar gracioso.

As tulipas são flores icônicas na Holanda. Elas foram importantes na história do país, seus bulbos serviram de alimento durante a guerra e ainda hoje é a flor preferida dos holandeses. Talvez esteja ai o porquê desse museu.

Museu flutuante de Tulipas

Museu flutuante de Tulipas visto do canal

Outro museu que visitei foi o Museu do Teatro ou Theaterkrant. Na época da faculdade, eu fazia parte do TRUSP, Teatro Ribeirãopretano da USP. Após a faculdade, migrei meu interesse do teatro para a dança, mas a paixão pelo tema nunca acabou. Por isso, fiquei bastante interessada em visitar esse museu, assim que fiquei sabendo da existência dele em Amsterdam.

Infelizmente, o Theaterkrant fechou permanentemente após janeiro de 2009, uma pena para as pessoas que adoram teatro, ópera e dança. O museu ficava em uma bela casa construída em 1638 à beira do canal por um dos arquitetos mais famosos da época, chamado Philip Vingboons.

Fachada do museu do teatro em uma casa do século XVII

Fachada do museu do teatro em uma casa do século XVII

Se a fachada da casa já vale a pena, seu interior chama mais ainda a atenção pela bela escadaria e o hall de mármore. Só havia eu nesse museu e assim foi possível entrar até nas salas de reuniões. Lá ficavam expostos, em várias galerias, o vestuário e material usados nas peças de teatros holandesas tanto antigas quanto contemporâneas. Hoje o museu faz parte do Instituto de Teatro dos Países Baixos.

Peças de vestuário em exposição

Peças de vestuário em exposição

 

São várias vestimentas distribuídas na galerias do antigo museu

São várias vestimentas distribuídas na galerias do antigo museu

Saindo da beleza e charme das tulipas e da magia do teatro, vamos para o bizarro Museu da Tortura. Esse museu revela como foi o tempo doloroso da Idade Média, não à toa também conhecida como Idade das Trevas. O acervo conta com mais de 40 objetos de tortura de diferentes partes da Europa, desde a época da Inquisição até a guilhotina.

Incrível a capacidade do ser humano de inventar instrumentos capazes de proporcionar a dor para outras pessoas. Há explicações em oito idiomas e o ambiente é um pouco escuro e claustrofóbico, combinando com o tema do museu.

Cadeira de tortura onde o próprio peso da pessoa era usado para afunda-la nas pontas existentes na cadeira

Cadeira de tortura onde o próprio peso da pessoa era usado para afunda-la nas pontas existentes na cadeira

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Dama de ferro, usada para aprisionar a pessoa em seu interior


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bom, e Amsterdam não seria Amsterdam sem um museu do Sexo ou Venustempel (Templo de Vênus). O museu, assim como a maioria dos museus de Amsterdam, fica em uma casa do século XVII, porém não nos canais e sim na Danrak. Por isso, acaba sendo uma das primeiras atrações que os visitantes vindos da estação de trem veem.

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A exposição permanente é intitulada Sex through the ages

O museu se orgulha de possuir uma extensa coleção de esculturas, pinturas e objetos eróticos, bem como fotos e documentos pornográficos. Todo o acervo foi comprado pelos próprios donos do estabelecimento. O museu abriu suas portas em 1985 com uma pequena coleção de objetos eróticos do século XIX. O entusiasmo dos primeiros visitantes garantiu não apenas sua sobrevivência, como também a expansão. O local é bem movimentado e por onde se anda nos museus escuta-se as risadinhas e piadas dos turistas curiosos.

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Há peças eróticas de quase todas as épocas da história da civilização

O Museu Joods Historisch, ou Museu de História Judaica é formado por um complexo de 4 sinagogas no coração do bairro judeu no centro de Amsterdam. Essas sinagogas serviam a uma comunidade de 100.000 judeus que encolheu para menos de 10.000, após a Segunda Guerra Mundial!

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O museu foi fundado por judeus americanos e holandeses em 1930, com o objetivo de mostrar tudo que fosse relacionado com a vida dos judeus em geral e em especial na Holanda, obviamente. Porém, após a ocupação nazista, foi forçado a fechar e muitas peças do acervo foram confiscadas e perdidas, infelizmente. Foi reaberto somente em 1955, pelo primeiro ministro holandês.

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O acervo é bem bonito, o museu coleciona objetos de arte associados com a religião, cultura e história dos judeus na Holanda e suas primeiras colônias, Ao todo são cerca de 16.000 trabalhos de arte, itens cerimoniais e objetos históricos, mas somente 5% destes itens é que estão na exposição permanente. Os demais são expostos apenas em datas comemorativas ou exposições especiais. Somando as fotos e documentos históricos, temos um total de 30.000 itens.

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Na Grande Sinagoga estão expostos objetos que mostram a história da comunidade judaica no período compreendido entre 1600 e 1900. Os objetos são expostos em ordem cronológica. Já na Nova Sinagoga, está a coleção permanente de objetos de 1900 até os dias de hoje.

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Quando entrei no museu, perguntei se podia tirar fotos e o segurança me respondeu: “Claro, se você tira fotos, você vai mostrar para outras pessoas, elas vão querer vir aqui e com isso a gente ganha mais dinheiro.”

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Bom, eu consegui tirar realmente bastantes fotos lá e vou reproduzir algumas aqui. Espero que o que o segurança disse seja verdade e que esse post e as fotos atraiam o interesse das pessoas, pois é um museu que vale a pena conhecer.

Os livros expostos foram os itens que mais gostei de fotografar. Achei as gravuras e ilustrações bem bonitas, verdadeiro trabalho de arte.

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O museu abre diariamente das 11:00 as 17:00. O valor do ingresso é € 15,00, mais caro que os museus que formam os Canalmuseums e um dos mais caros que visitei em Amsterdam, mas mesmo assim, indico o museu para quem quiser conhecer mais da história judaica. A entrada, assim como na maioria dos museus de Amsterdam, é gratuita para quem tem os cartões Museumkaart, Holland Pass, I Amsterdam City Card, Rembrandtkaart, ou ICOM.

Amstelkring era um dos museus que eu mais queria conhecer em Amsterdam, desde que vi na televisão um documentário sobre a cidade em que esse museu era citado. Desde então, achei sua história interessante e cativante e fiquei bem curiosa para ver de perto.

Museu Amstelkring, Ons’ Lieve Heer Op Solder, ou em inglês “Our Lord in the Attic”, “Nosso Senhor no Ático”, fica em uma casa do século 17 e faz parte dos Canalmuseums, museus existentes em casas construídas à beira dos canais de Amsterdam.

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Sua história envolve não apenas a história da própria cidade e suas casas de canais como também a fé de uma família proibida de expressar sua religião em público.

Em 1578 Amsterdam adotou o protestantismo e proibiu a religião católica. Quase 100 anos depois, em 1661 Jan Hartman, um comerciante, comprou esta casa. Ele e sua família viviam no térreo e, como era oficialmente proibido pelas autoridades protestantes rezar missas em Amsterdam, ele converteu o sótão em uma Igreja católica secreta.

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Imagens, esculturas e pinturas barrocas fazem parte do acervo do museu

Relíquias religiosas

Relíquias religiosas em exposição no porão da casa

Em 1888 a casa se tornou um museu, um dos mais antigos do país. Nesse ano, um grupo de católicos de Amsterdam, que se autointitulavam de “De Amstelkring” (algo como o círculo Amstel, nome que derivou Amsterdam), salvou o prédio da demolição e o abriu para o público.

É a única igreja católica secreta que conserva ainda seu estado original. A igreja foi construída entre 1661 e 1663 no alto da casa juntamente com mais 2 casas adjacentes. O ponto alto é o altar em estilo barroco. A igreja foi desenhada para dar uma ilusão de espaço criada pela combinação da arquitetura, esculturas e pinturas. Hoje em dia ainda é usada para missas especiais, casamentos e concertos. O órgão, construído especialmente para essa igreja em 1794 ainda funciona.

www.sacred-destinations.com

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O museu é adorável, com a mobília original e peças de arte do século 17, refletindo o estilo da época, o classicismo holandês. Em vários cômodos também há pinturas de artistas holandeses retratando principalmente passagens da Bíblia.

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No porão há peças religiosas como imagens de estilo barroco e outras relíquias. Existe um pequeno confessionário no segundo andar, construído no século 18. Também existem duas cozinhas mobiliadas conforme os séculos 17 e 19 com lindos azulejos brancos com desenhos azuis variados no meio.

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Detalhe dos azulejos das cozinhas dos séculos 17 e 19

Detalhe dos azulejos das cozinhas dos séculos 17 e 19

Foi um dos lugares que mais gostei de visitar na cidade. Hoje em dia não é mais permitido tirar fotos dentro do museu. Ainda bem que não era quando fui.

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Amstelkring abre de segunda a sábado das 10:00 as 17:00. Domingos e feriados abre mais tarde, as 13:00.

O valor do ingresso é €10,00 (adulto). A entrada é gratuita para os portadores dos cartões Museumkaart, ICOM, Rembrandtkaart, Holland Pass Voucher, I Amsterdam City Card e Stadspas. O audioguia está incluso no ingresso, disponível nos idiomas inglês, holandês, francês, espanhol, alemão, italiano e russo.

Willet-Holthuysen faz parte de um dos 8 museus que compõe os Museus dos Canais (Canalmuseums). Esse foi o primeiro museu que visitei em Amsterdam. Quando fui, recebi um livro, logo na entrada, onde havia explicações de cada aposento da casa. É um livro bem interessante e detalhado que deve ser devolvido no final da visita. Agora há também audioguia disponível por € 2,00 nos idiomas holandês, inglês, russo, alemão, italiano, espanhol e francês.

Entrada do museu Willet-Holthuysen, um dos museus existentes em casas do século XVII nos canais de Amsterdam

Fachada do museu Willet-Holthuysen, um dos museus existentes em casas do século XVII a beira dos canais de Amsterdam

Em 1895, a senhora Louisa Willet-Holthuysen de 71 anos deixou essa casa do século XVII existente na beira do canal, para a cidade, juntamente com tudo que existia dentro dela, incluindo a coleção de arte do seu último marido Abraham Willet. O casal era colecionador de objetos de arte e esculturas, bem como de prataria, cerâmicas e porcelanas.

Uma pequena parte da coleção de prataria da família Willet Holthuysen

Uma pequena parte da coleção de prataria da família Willet-Holthuysen

A condição para a doação da casa é que essa se mantivesse como estava e se tornasse um museu. Foi o que aconteceu, o local se transformou no museu que mantém o nome da família. Hoje as peças das coleções do casal Willet-Holthuysen encontram-se distribuídas nos três andares da bela e bem decorada casa, mostrando um pouco como era a vida de famílias importantes e ricas da Holanda.

Peças de porcelana de uma das coleções da casa

Peças de porcelana de uma das coleções da casa

No térreo estão a cozinha e o jardim. Os empregados tinham que subir as escadas para levar as refeições para o andar de cima. Não devia ser muito fácil. A exceção dos demais cômodos da casa, a cozinha não é a original, ela foi reconstruída baseada nas cozinhas tradicionais das casas existentes na beira dos canais no final do século XVIII.

Cozinha no andar térreo. Os móveis são uma mistura de cozinhas existentes nas casas do século XVIII

Cozinha no andar térreo. Os móveis são uma mistura de cozinhas existentes nas casas do século XVIII

No andar de baixo ficava a mobília mais simples, pois caso houvesse alguma inundação, se perderia somente os móveis de menor valor. O mesmo se repete com as demais casas de canal em Amsterdam, uma vez que a água é uma eterna inimiga da cidade.

O jardim também foi refeito de forma a lembrar os jardins franceses do início do século XVIII. Escolheram bem a referência francesa, é um belo jardim com plantas bem distribuídas e algumas esculturas, compondo um lugar de calma e beleza

O jardim foi inspirado nos jardins franceses do século XVIII

O jardim foi inspirado nos jardins franceses do século XVIII

361 - Willet Holthuysen Museum 05

Esculturas contribuem para a beleza estética do jardim

No primeiro andar ficam a sala de jantar, salão de festas e uma sala de estar onde Louisa recebia suas convidadas, chamada de sala das mulheres, toda decorada com móveis caros estilo Luis XV, vindos de Paris. Também há a sala de jogos onde os proprietários recebiam os amigos para jogar e fumar charutos.

Detalhe do salão de jogos onde o casal Willet Holthuysen recebia os convidados

Detalhe do salão de jogos onde o casal Willet Holthuysen recebia os convidados

Era pelo primeiro andar que os donos e convidados entravam na casa. Uma vez que ele ficava acima do nível da água, mesmo em caso de enchentes, a decoração era bem mais suntuosa e elegante. As janelas da casa, assim como as de muitas outras existentes na beira dos canais, são grandes pois eram por elas que entravam a mobília.

Sala de jantar. OS empregados traziam os pratos da cozinha no andar de baixo para essa sala

Sala de jantar. Os empregados traziam os pratos da cozinha no andar de baixo para essa sala

No segundo andar ficam os quartos ricamente decorados em estilo romântico e com cama de dorsel. Para chegar ao segundo andar há uma magnífica escada decorada com belas estátuas da mitologia grega.

Escadas para o segundo andar da casa museu

Escadas para o segundo andar da casa museu

Estátuas na parte superior das escadas

Estátuas na parte superior das escadas

Não devia ser ruim morar em um casa assim, ao contrário devia ser bem agradável. Tanto a arquitetura quanto decoração e mobília formam um belo conjunto digno de um museu mesmo. Que bom que a sra Wiley- Holthuysen doou sua residência para a cidade e que seu desejo de a transformar em um museu para a comunidade poder visitar foi realizado. Dessa forma podemos vivenciar um pouquinho do que era a vida em uma casa do século XVII em Amsterdam.

Wiley- Holthuysen entrou para a lista dos museus que mais gostei em Amsterdam.

Cama em dorsel no quarto principal

Cama em dorsel no quarto principal

O museu é aberto de segunda a sexta das 10:00 as 17:00, nos finais de semana e em feriados nacionais abre mais tarde, as 11:00. O ingresso custa € 8,50 (valor para adulto). A entrada é gratuita para portadores dos cartões Stadspas, I Amsterdam Card, I Amsterdam Congress Card, Vereniging Rembrandt, ICOM, Museumkaart (residentes na Holanda) e Holland Pass voucher.

Canalmuseums são formados por 8 belas casas localizadas nos canais de Amsterdam. São construções que datam desde o século XVII, retratando toda a opulência dessa época na Holanda. Visitar esses museus é voltar no tempo, apreciar como eram o interior das casas e experimentar como era a vida de famílias ricas e importantes de Amsterdam. Eles formam um magnífico conjunto de acervos variados com o belo interior das casas.

Os oito museus que formam os Canalmuseums são Amstelkring – Our Lord in the Attic, Willet-Holthuysen, Het Rembrandthuis,Van Loon, Huis Marseille (Museu de Fotografia), Bijbels (Museu Bíblico), Het Grachtenhuis (Museu dos Canais) e Tassen (Museu de Malas e Bolsas).

www.grachtenmusea.nl

Mapa dos museus dos canais. 1 – Amstelkring, 2 – Casa de Rembrandt, 3 – Museu Willet-Holthuysen, 4 – Museu Van Loon, 5 – Huis Marseille, 6 – Museu Bíblico, 7 – Museu dos Canais, 8 – Museu de Malas e Bolsas.

Desses eu fui nos dois primeiros, Amstelkring – Our Lord in the Attic e Willet-Holthuysen. Fui também no Het Rembrandthius, a casa de Rembrandt, na verdade, esse foi o primeiro local que visitei em Amsterdam, mas infelizmente estava fechado para reformas e não foi possível entrar.

Quanto aos que eu não visitei, vou colocar aqui uma breve descrição para caso alguém se interessar em conhecê-los. São tantos os museus existentes em Amsterdam que é praticamente impossível visitar a todos, por mais que eu adore passar as tardes dentro de um museu, foi preciso selecionar alguns devido ao tempo e, claro, ao orçamento também.

Amstelkring – Our Lord in the Attic e Willet-Holthuysen serão descritos em posts separados.

A Casa de Rembrandt, Het Rembrandthuis

Como o nome já diz, é a casa onde Rembrandt viveu. Durante quase 20 anos ele morou e trabalhou nessa casa localizada na rua Jodenbreestraat. Rembrandt Harmenszoon van Rijn viveu entre 1606 e 1669 e é o artista mais famoso da Holanda e um dos mais importantes da Europa. Não é para menos, suas pinturas e gravuras da época barroca são belíssimas, daí meu desapontamento quando não foi possível visitar seu museu.

O interior da casa conta com a mobília original e objetos pessoais, incluindo uma coleção de itens raros e exóticos. O museu também possui uma coleção quase completa das gravuras de Rembrandt. Demonstrações de técnica de gravura desse grande artista são realizadas diariamente.

O museu é aberto ao público de segunda à domingo entre 10:00 e 18:00. O valor do ingresso é €12,50, um dos mais caros dessa lista. A entrada é gratuita para quem tiver o I Amsterdam City Card ou Museumkaart (apenas para residentes).

Rembrandthuis

Rembrandthuis

Museu Van Loon

Casa da família regente Van Loon. Willem van Loon foi co-fundador da Companhia das Índias Orientais Holandesa em 1602.

A casa, construída em 1672, ainda mantém sua originalidade e os visitantes podem apreciar as salas ricamente decoradas no primeiro andar, bem como os quartos e cozinha, que relembram a época dourada de Amsterdam. A coleção inclui pinturas, mobiliário, prataria e porcelanas.

A família abre a casa e sua coleção para o público desde 1973 por 6 dias durante a semana. O horário para visitas é das 11:00 as 17:00 de quarta a segunda-feira. O ticket de entrada custa € 9,00. Entrada livre para os portadores do I Amsterdam City Card, Museumkaart, Stadspas (também apenas para residentes com risco de isolamento social ou cultural) ou ICOM.

Este é um dos museus que com certeza visitarei em uma nova viagem à Amsterdam, juntamente com a casa de Rembrandt, claro.

Museum Van Loon

Van Loon

Van Loon

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Museu de fotografia Huis Marseille

O museu fica localizado em uma casa do século XVII que pertencia a um comerciante francês, Isaac Focquier, daí o porquê do prédio possuir em sua fachada uma pedra com desenho que remete ao porto de Marselha e da razão da casa ser conhecida como Marseille. Seu interior ainda está intacto, mantendo a sua originalidade por 300 anos.

Desde 1999, a casa passou a ser sede do museu de fotografia conhecido também como Huis Marseille. O museu conta com uma coleção permanente de fotografias contemporâneas e a cada três meses, oferece um novo programa de exposições.

É aberto ao público de terça a domingo entre 11:00 e 17:00. O ingresso custa €8,00, Entrada livre com o I Amsterdam City card, Museumkaart ou ICOM.

http://www.huismarseille.nl

www.huismarseille.nl

http://www.huismarseille.nl

Bijbels – Museu Bíblico

A casa onde se encontra esse museu foi construída em 1662 em estilo clássico holandês. Há duas cozinhas originais do século XVII e dois quartos com pinturas de Jacob de Wit, um pintor da escola rococó, no teto. O jardim atrás da casa possui plantas citadas na Bíblia e uma pequena lagoa.

As coleções desse museu incluem modelos de templos construídos com precisão baseados em sítios arquológicos e relatos bíblicos na tentativa de reconstruir o templo de Salomão e Herodes. Até mesmo os materiais usados são baseados nas descrições da Bíblia. Além disso, também há artefatos, estelas, objetos funerários e até mesmo um múmia egípcia encontrados no século XIX. Outros objetos arqueológicos relacionados à confecção de Bíblias e mesmo uma coleção completa do livro sagrado, incluindo a Bíblia mais antiga impressa na Holanda, em 1477 completam o acervo do museu.

É aberto para visitação de terça à domingo entre 11:00 e 17:00. O valor do ingresso é €8,00. A entrada é gratuita para quem tiver todos os cartões já citados. Os cartões Rembrandtpas e Holland Pass Voucher também propiciam entrada livre.

www.bijbelsmuseum.nl

Bijbelsmuseum

Bijbelsmuseum

Het Grachtenhuis – Museu dos Canais

O museu mostra a história de Amsterdam formada por seus canais e suas casas. São 400 anos de história retratada de forma a mostrar a importância dos canais para Amsterdam desde sua criação até os dias de hoje. O projeto de criação do anel de canais de amsterdam lhe valeu o reconhecimento como patrimônio mundial, concedido pela UNESCO em 2010.

Horário de funcionamento de terça à domingo das 10:00 as 17:00. O ingresso é um dos mais caros dessa lista, €8,00, e gratuito para os cartões já citados: I Amsterdam City card, Stadspas ou ICOM. É possível comprar online.

Embora seja interessante, não é um dos que mais me atraem. Provavelmente seria o último dessa lista que eu visitaria.

www.hetgrachtenhuis.nl

www.hetgrachtenhuis.nl

Tassen – Museu de Malas e Bolsas

Localizado obviamente em uma autêntica casa de canal, construída em 1664, esse museu ganhou o título de um dos 10 melhores museus de moda do mundo. São mais de 5000 peças mostrando a história da moda e arte. É uma quantidade de bolsas para deixar qualquer mulher maluca.

Na verdade, o museu conta a história ocidental das bolsas por um período de 500 anos, desde o final da idade média até os dias de hoje, incluindo peças contemporâneas.

A casa, assim como as demais que formam os museus dos canais, também possui história. Seu dono, Pieter de Graeff, filho do então prefeito de Amsterdam, mandou pintar o teto dos quartos com uma impressão dos continentes. Hoje em dia, essas salas são usadas para a realização de almoços, festas, casamentos ou outros eventos.

O museu abre diariamente das 10:00 as 17:00. O valor do ingresso, assim como a Casa de Rembrandt, ficou entre os mais caros da lista, €12,50. Os cartões já citados permitem entrada gratuita, ou desconto de 20% no caso do Holland Pass.

tassenmuseum.nl

tassenmuseum.nl

 

tassenmuseum.nl

Na nossa última noite em Marrakech, após ficarmos imersos na diversidade existente na praça Djemaa el Fna, fomos para o Chez Ali, um restaurante temático folclórico. Reza a lenda que o restaurante nasceu do fato de seu dono ter o costume de chamar as pessoas para comer na sua casa, dai seu nome Chez Ali (Casa do Ali).

Lá vivenciamos um jantar tipicamente marroquino com belas apresentações de música e danças finalizando com o show equestre Fantasia.

O restaurante e o show são programas obviamente voltados para o turismo, mas com toda certeza valem a pena conhecer.

 

Restaurante Chez Ali com as tendas onde ficam os grupos de músicos e cantores visto da entrada

O local onde fica o Chez Ali é bem amplo, com várias atrações e uma bela arquitetura marroquina. Logo na entrada, somos recepcionados com um corredor formado por homens montados em seus cavalos, uma paixão bérbere. Eles ficam dispostos lado a lado, prontos para tirar fotos com os turistas. É claro que para cada foto deve-se dar a bakshit, ou seja, a gorjeta. Como há vários pontos convidativos para fotos, prepare o bolso para as bakshits.

Um homem bérbere e seu cavalo vestidos a caráter

A medida em que vamos avançando na imensa área, passamos por várias tendas com músicos e dançarinas com roupas típicas. Lá podemos apreciar todo o folclore bérbere, com diferentes grupos se apresentando.

Corredor onde músicos recepcionam os turistas

Continuando andando, chegamos a um pátio aberto onde é possível dar uma volta de camelo. Dá para escolher entre andar em um camelo com uma tenda na parte de cima ou não. Eu optei pelo camelo sem tenda mesmo, para ter melhor visão.

Foi uma das experiências mais incríveis da viagem. Já tinha ouvido relatos de amigas que andaram de camelo e estava bastante curiosa para saber como é. Olhando de fora não dá para ter idéia de como é alto o camelo e a forma como ele se abaixa e levanta com a gente em cima acaba dando um certo susto, pois ficamos com o rosto virado para o chão. Deu susto, mas recomendo, é muito divertido andar de camelo.

Eu andando de camelo no Chez Ali

Continuando nossa caminhada até a tenda principal, vamos passando por mais grupos de músicos diversificados que mostram toda a riqueza da cultura bérbere. São músicas, ritmos, entonações, roupas e gestuais típicos que nos transportam para outra realidade.

Grupo com roupas típicas apresentando músicas folclóricas da cultura bérbere

 O jantar ocorre na tenda principal, lindamente decorada. Nas mesas redondas estão distribuídos o delicioso pão marroquino. Como não podia deixar de ser, o cardápio é composto pelos tradicionais pratos marroquinos cuscuz e tajine. Para a sobremesa foram servidas tijelas repletas de frutas frescas típicas como ameixas e damascos.

Delicioso cuscuz marroquino, um prato mais que típico no país

Enquanto jantamos,  vão aparecendo grupos de músicos ou de dançarinas que passam de mesa em mesa para se apresentar. São músicas e danças animadas que alegram e dão um charme todo especial para o jantar.

Os grupos de mulheres vestidas a caráter, formam um roda em torno da mesa e convidam os turistas a entrarem na roda com elas. Enquanto vão cantando, entoam o característico som árabe: lí-lí-lí-lí-lí-lí.

Uma simpática dançarina bérbere vestida a caráter.

Músicos se apresentando durante a sobremesa

Ao final do jantar, todos se dirigem ao local onde ocorre o show Fantasia. O show consiste principalmente de várias acrobacias dos homens montados em seus cavalos. Eles correm, fazem acrobacias no ar, atiram, há fogos de artifícios, dança, tapete voador e ainda mais. Os músicos, cantores e dançarinas também participam em uma procisão sem fim mostrando o que a cultura bérbere tem a oferecer.

Performance bérbere em meio à corrida de cavalos

As acrobacias são feitas nos cavalos correndo ao redor do pátio onde o show acontece. Os cavaleiros fazem inúmeras acrobacias incluindo irem de pé sobre o cavalo, de cabeça para baixo, pularem de uma lado para o outro, um sobre o outro em cima do mesmo cavalo e por ai vai.

Músicos e cantores se apresentam entre as corridas de cavalos

As apresentações são intercaladas com apresentações de música e dança. Enquanto os homens correm sobre seus cavalos, há um menininho que cavalga sobre um jumentinho e, é claro, recebe muitos aplausos da platéia.

Uma das performances é a simulação de batalha entre duas tribos bérberes

No final há a queima de fogos de artifícios e alguns cavaleiros, incluindo o menino, ficam por perto para tirarem fotos com os turistas e ganharem, como sempre, a bakshit.

Na saída, ainda há um pequeno museu em formato de caverna com peças de vestuário, vasos e joias.

Uma das exposições de vestuário do museu do Chez Ali

Como eu disse no começo, o Chez Ali é um lugar feito para turistas, no entanto, é um passeio que vale a pena ser feito, é uma forma de ter contato com a cultura bérbere, se não é a mais completa, pelo menos é bem divertida.

Um dos lugares que eu mais queria conhecer na medina de Fès era o curtume ou tannerie, como é chamado no Marrocos. Após visitar alguns lugares na medina, fomos até o souk dos artigos de couro e visitamos a Tannerie Chouwara. É fácil saber que estamos nos aproximando do local devido ao forte cheiro que emana da tannerie.

Poços para preparo e tingimento na Tannerie Chouwara

Todo o processo de preparo e tingimento do couro é melhor visualizado dos terraços das lojas de produtos de couro. Sendo assim, quando chegamos no souk, subimos por uma escada estreita de uma das lojas até seu terraço, onde um guia-vendedor nos esperava para explicar como funcionava toda aquela visão exótica que culminaria com a fabricação de belas roupas e acessórios de couro.

Para facilitar a vida e o olfato dos visitantes, são distribuídos ramos de hortelã logo na entrada, dessa forma dá para disfarçar todo o forte odor existente no local, uma mistura formada pelas peles dos animais abatidos, corantes e amoníaco.

Sem o raminho de hortelã não dá para encarar a Tannerie

O couro marroquino é feito com peles de cabra, de  vaca ou de ovelha, tingidas do lado do pêlo, com um formato irregular e granulado, de toque agradável e altamente resistente.

O artesanato usando peças de couro, assim como as cerâmicas feitas na olaria de Fès, faz parte de uma tradição ancestral, sendo um dos responsáveis pela riqueza cultural da cidade. Foi no reinado do amoádas no século XII que o tingimento do couro se tornou uma profissão, cujo conhecimentos são passados de geração em geração.

Os curtumes existem principalmente nas regiões de Fès e Marrakech, sendo que o de Fès é o mais famoso e mais importante do país.

Peles de vaca, carneiro e cabra chegam do abatedouro e são tratadas em diferentes tanques. Dá para ver várias pilhas de peles amontoadas umas sobre as outras à espera de serem tratadas.

Primeiramente elas são esfregadas manualmente com sal  em ambos os lados e secas ao sol. O sal é aplicado vigorosamente com as mãos para melhor penetração deste na pele e então, os pêlos são removidos. Esse processo dura em torno de 3 a 4 dias.

Após, elas são lavadas para retirar as impurezas. A duração aqui também varia de acordo com a estação do ano, sendo mais demorada no inverno e mais curta no verão.

As peles são mergulhadas em poços contendo fezes de pombo para tratamento e tingimento

A seguir, as peles são mergulhadas em cal, enxaguadas em água e pisoteadas antes de serem mergulhadas novamente em fezes de pombo (arghhh!) por vários dias antes de serem secas.

A proximidade de fontes de água é um fator importante para o curtume, pois ela é essencial para a fabricação das misturas e também para o descarte dos resíduos provenientes do tratamento. Difícil é imaginar que o despejo desses resíduos ocorra de forma amigável ao meio ambiente…

 

Em cada poço uma mistura de corantes de diferentes origens

Durante o preparo das peles são usados vários ingredientes, a cor branca do couro provém das fezes de pombo, a amarela do açafrão, vermelho da papoula, verde da hortelã, azul do índigo, preto do kajal e marrom de uma mistura feita com terra.  No caso do açafrão, as peles não são mergulhadas, devido ao alto custo dessa especiaria, as flores são esfregadas nas peles até obter o tom amarelo desejado.

As etapas e duração do processo de curtimento vão depender do tipo de pele, se é proveniente de cabra, ovelha ou vaca. A pele que exige uma preparação mais cuidadosa é a de cabra.

Tingimento do couro nos poços com misturas de corantes

Para o perfeito tingimento das peças são necessárias de 3 a 4 horas de imersão. Os trabalhadores do curtume mergulham as peças constantemente nos poços com as misturas coloridas, passando por vários estágios de lavagem e imersão. O tempo de imersão em casa poço varia de acordo com a mistura existente. No caso das fezes de pombo são de 4 a 8 dias. Para outras cores pode ser de até 15 dias.

Trabalho árduo sem nenhum equipamento de proteção, essa é a rotina da Tannerie

Observar a rotina do curtume do alto do terraço da loja é uma experiência no mínimo interessante. É uma visão exótica, bela, triste e grotesca ao mesmo tempo.

Enquanto via aqueles homens trabalhando quase em uma coreografia sem fim naquela colméia gigante formada pelos poços coloridos, mergulhando e pisoteando as peles, imaginava que modo difícil de ganhar a vida. Todos os dias trabalhando em condições insalubres, sem qualquer equipamento de proteção e mesmo assim, de uma maneira irônica ou cultural, servindo de atração turística para olhos curiosos dos viajantes.

Uma colméia formada por poços de tratamento e tingimento

Sem dúvida, por toda a peculiaridade que é o curtume de Fès, vale a pena a visita, mesmo que o odor possa ser um pouco forte para estômagos mais sensíveis. Afinal, assim, de uma forma bem tradicional e artesanal são feitas belas peças de couro.

Peles expostas para secarem após tingimento com açafrão

É claro que após a visita ao terraço para ver a tannerie, somos abordados pelos vendedores da loja, oferencendo seus produtos tudo com “special prrrice for you, my frrriend“. Em cada andar estão expostas bolsas, babouches, roupas dos mais variados modelos e cores. O difícil é sair da loja sem comprar algo.

Tradicionais bolsas e babuches nas mais diversas cores