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No último dia em Fès, arrumamos nossa bagagem e saímos cedinho rumo à tão esperada Marrakech. Esse era um dia muito especial no Marrocos, e acredito que em todos os países muçulmanos também, afinal era a festa religiosa conhecida como O Sacrifício de Abraão ou a Festa do Cordeiro, fazendo referência à passagem bílbica onde Deus pede para Abraão sacrificar seu filho em honra a Ele, porém, na hora do sacrifício, um anjo é enviado e entrega a Abraão um cordeiro para ser sacrificado no lugar de seu filho Isaque (Gênesis, 22:1-19).

Desde nosso primeiro dia no Marrocos, em Casablanca, que víamos pessoas carregando cordeiros em carros, camionetes, carrinhos de mão e até mesmo nos próprios ombros. A mesma cena se repetia várias e várias vezes em Rabat, Meknès e Fès. Isso obviamente despertou minha curiosidade e foi então que descobri, que toda aquela movimentação era na verdade os preparativos para a festa religiosa, assim como as compras de Natal para nós.

Nas ruas de Casablanca, o comércio de cordeiros por todos os lados

A medida em que se aproxima a data, o comércio de cordeiros fica ainda mais intenso. A movimentação dentro da medina aumenta ainda mais, com pessoas agitadas comprando todos os preparativos para a grande festa.

No dia em si, as pessoas parecem mais calmas, mais tranquilas, mais centradas na festividade. Logo cedo, elas tomam um café da manhã bem especial e vão para as mesquitas participarem do culto. Os homens se dão quatro beijos para desejar boas festas. As crianças ganham roupas e sapatos novos, doces, presentes e dinheiro. Nesse ponto, a festa religiosa é parecida com o Natal com relação à importância da data e à troca de presentes. No entanto, as similaridades param por ai.

Em Casablanca víamos várias camionetes carregando cordeiros para diversas famílias

Quando as pessoas voltam da celebração na mesquita, elas dão início ao sacrifício do cordeiro e ai entra a parte que, para nós ocidentais, é difícil de compreender. As famílias vão então para a frente de suas casas e lá sacrificam o animal. Depois disso o penduram de cabeça para baixo para que todo o sangue escorra. O significado da festa está justamente no sacrifício do cordeiro, por isso não se pode apenas comprar a carne, deve-se comprar o cordeiro vivo e sacrificá-lo na frente da casa. Isso para reviver o sacrifício de Abraão, patriarca de todos os muçulmanos, que iria ceder seu filho a Deus. Sendo assim, as pessoas fazem esse ritual para atrair as bençãos de Deus para sua família e descendentes, uma vez que eles próprios são descendentes de Abraão. Assim, eles mantém vivo o compromisso de Abraão e sua descendência para com Deus.

Eu, particularmente, apesar de respeitar a fé e crença de cada um e de entender o forte significado religioso, não me senti bem com a questão do sacrifício. Quem me conhece, sabe como sou apegada a bichos e por isso decidi não olhar para nenhuma casa onde estivesse acontecendo o sacrifício. Essa atitude me rendeu muitas horas de viagem sem olhar para a estrada, pois por todos os lados haviam famílias comemorando a data.

Um rapaz leva seu cordeiro em um carrinho de mão em Meknès

Mesmo para eles é difícil encarar o ato de matar o cordeiro, principalmente para as crianças. Esse é o motivo pelo qual elas recebem mimos como presentes e doces, afinal os pequenos se apegam ao cordeiro nos dias em que precedem a comemoração e acabam sofrendo quando ele é morto. Alguns adultos também ficam sentidos. Nosso guia me contou que ele ainda lembra de quando era criança e via o cordeiro sendo morto. Ele também mencionou que, mesmo agora sendo adulto, não tem coragem para sacrificar o cordeiro. Quando isso ocorre,  um vizinho é chamado para executar a tarefa. Isso não deixa de ser um bonito ato de solidariedade, esquecendo de que se trata do ato de matar um bicho.

Outro ato de solidariedade religiosa é o fato de que famílias ricas costumam comprar dois 2 cordeiros, um para elas e outro para doarem a uma família pobre que não tem condições de adquirirem um. Dessa forma ninguém fica sem comemorar o dia religioso.

A mesma cena se repete nas ruelas da medina de Fès

No dia da festa mesmo não se come a carne, só no dia seguinte. Esse também é um dos motivos pelo qual o café da manhã é bem reforçado. No dia festivo, apenas o sangue é derramado lembrando o ato de Abraão, nos demais dias que se come a carne e depois aproveita até mesmo o couro do carneiro.

A Festa do Cordeiro não tem data fixa para ocorrer, assim como nossa Páscoa. Ela corresponde  ao final do ano muçulmano. Nesse caso, o  ano que começava para eles era o 1432, enquanto que para nós era novembro de 2010. O ano 1 islâmico corresponde ao nosso ano 622. Na verdade, eles seguem o calendário lunar, ao contrário de nós que seguimos o calendário solar ou gregoriano. No Islam, o ano começa com a fuga de Maomé de Meca para Medina (Hegira). O calendário possui 12 meses como o nosso, porém são mais curtos, com 30 ou 29 dias, o que dá 355 ou 354 dias, 11 dias a menos que o calendário gregoriano.

De um jeito....

....Ou de outro, o cordeiro vai para casa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vivenciar essa festa religiosa foi bom pelo fato de poder conhecer mais da cultura e fé do marroquino, porém para ser sincera foi um momento bem difícil para mim, por amar aos bichos (embora eu coma carne) e também pelo forte sentido religioso, envolvendo filhos e sacrifício. Mas de tudo, ou quase tudo, tiramos uma boa experiência e lição de vida.

À tarde, as casas, ruas e estradas ficaram silenciosas e aparentemente vazias. No final do dia, somente as viúvas dos carneiros permaneciam nos campos.

Ao final do dia, somente as viúvas dos cordeiros restam nos pastos na beira da estrada

 

 

 

Monumento que simboliza o compromisso, genialidade arquitetônica e devoção do povo marroquino, a Mesquita Hassan II é uma jóia da arquitetura moderna, situada em um dos bairros mais povoados de Casablanca.

 

Mesquita Hassan II ao fundo, tendo o museu e a biblioteca em primeiro plano

 

É a maior mesquita do Marrocos e a terceira mais importante da religião islâmica. Além disso, é a única mesquita do mundo que permite a entrada de não muçulmanos. Segundo o guia do local, isso ajudaria a explicar a fé muçulmana para pessoas de outras religiões.

Seja como for, é uma oportunidade única de conhecer o esplendor da arquitetura árabe, com todos os seus ricos detalhes, bem como a tecnologia surpreendente empregada para a construção da mesquita.

 

Mesquita Hassan II entre o céu e o mar

Construída uma parte sobre as águas do oceano Atlântico, a Mesquita é uma das mais belas edificações iniciadas pelo rei Hassan II, falecido em 1999 e pai do atual rei Mohammed VI. A mesquita foi construída sobre a água devido ao versículo do Alcorão que diz que “o trono de Deus estava sobre as águas”. A cor verde do teto e dos detalhes também faz referência à cor do Alcorão.

Antes do início de sua construção, o rei Hassan II declarou:

Desejo que Casablanca seja dotada de um edifício amplo e belo do qual possa orgulhar-se até o final dos tempos … Eu quero construir esta mesquita na água, porque o trono de Deus está sobre a água. Portanto, os fiéis que lá irão para rezar, para louvar o Criador em solo firme, poderão contemplar o céu e o mar de Deus.”

Bom, pode-se dizer que o rei cumpriu sua promessa presenteando Casablanca com uma bela mesquita construída com tecnologia de ponta, que impressiona o viajante independente da religião.

Detalhe do imenso pátio da mesquita

O projeto se iniciou em 1987 e levou 6 anos até ser completado, em 1993, frustrando os planos iniciais de inauguração na ocasião do 60° aniversário do rei em 1989. Participaram de sua construção 2.500 trabalhadores e 10.000 artesãos, contabilizando 50 milhões de horas trabalhadas (dia e noite).

 

Minarete ricamente trabalhado

Detalhe do alto do minarete da Mesquita Hassan II

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os números são impressionantes e não páram por ai. Para a construção da Mesquita foram utilizados:

 

– 300 mil metros cúbicos de concreto

– 40 mil toneladas de aço

– 250 mil metros quadrados de mármore travertino e granito

– 10 mil metros quadrados de azulejo (zellige)

– 53 mil metros quadrados de cedro

– 67 mil metros quadrados de gesso

– 10 mil metros quadrados tadelakt (material de revestimento impermeável típico do Marrocos)

– 800 milhões de dólares

Mosaicos formados por zelliges

Obra prima da arquitetura árabe-muçulmana, a Mesquita Hassan II é, sem sombra de dúvida, uma proeza.

Ela constitui um complexo religioso e cultural, com área total de 9 hectares (90.000 m²), sendo composta por uma sala de oração, uma sala de ablução (purificação), banhos, uma escola corânica (medersa), uma biblioteca e um museu.

A capacidade total da mesquita é de 105 mil seguidores, sendo 25 mil apenas na sala de oração e os demais no pátio externo da mesquita.

 

Pátio externo da mesquita

Ela é considerada o maior edifício religioso do mundo árabe graças ao seu minarete de 200 m de altura. A torre foi construída apoiada somente em duas colunas. À noite, do alto do minarete, um laser aponta para Meca, com alcance de 30 km.

A função do minarete na mesquita é propagar a voz do almuadem ou muezim de seus alto falantes, de forma que possa chegar até todos os fiéis, convidando-os à oração. De acordo com as leis religiosas no Marrocos, nenhuma casa ou edifício na cidade pode ser mais alto do que o minarete, porque este foi feito para Deus e, segundo eles, seria arrogância construir algo para os homens maior do que para Deus. Além disso, fica fácil para os fiéis localizarem a mesquita pelo seu minarete.

Beleza e tecnologia se encontram no prédio da mesquita Hassan II

Sala de oração

Quando se entra na mesquita é necessário tirar os sapatos, que são armazenados em sacolas plásticas entregues aos visitantes. Logo que se entra já se espanta com a beleza interior, a riqueza de detalhes e suas impressionantes dimensões internas.

 

Interior da Mesquita Hassan II

Efeito da luz no interior da mesquita

A sala de orações possui uma área de 20.000 m² com capacidade para 25.000 pessoas. Ela consiste em dois níveis: o piso térreo usado para os homens e dividido em três naves simétricas, voltadas em direção à Meca, com capacidade de 20.000 pessoas e os dois mezaninos para as mulheres, que possuem uma entrada separada, com uma área de 3.500 m² e capacidade para 2500 pessoas cada.

 

Mezanino para as mulheres fazerem as orações

Cedro e bronze compõem a beleza do interior da mesquita

A sala de oração também possui um sistema de aquecimento no solo e caixas de som espalhadas, de forma muito discreta, para que todos possam ouvir a voz do líder da oração, o imam ou muazzin.

Existem ainda na sala 18 portas feitas de titânio e bronze. A porta muito pesada não se abre para o exterior. Ao invés disso, ela se levanta, puxada por engrenagens escondidas nas paredes. Realmente fantástico!

 

Porta de titânio e bronze que se ergue para a entrada das pessoas

Porta vista do interior da mesquita

No total existem 50 lustres e arandelas de murano veneziano com 8 tamanhos diferentes entre 3 a 6 metros de diâmetro, 5 a 10 metros de altura e 600 a 1.200 kg de peso.

O teto móvel pesa 1.100 toneladas e possui uma área de 3.400 m². O teto é uma estrutura metálica tridimensional coberto com madeira de cedro entalhada e pintada. O tempo total para a abertura dele é de apenas 5 minutos graças ao sistema motor em rodas que fornece a impulsão.

Quando o teto está aberto, os seguidores podem orar conforme o desejo do rei Hassan II, “vendo o céu e o mar de Deus”.

 

Lustre de murano veneziano, um dos poucos materiais usados não provenientes do próprio Marrocos. Na foto dá pra ver as duas colunas que sustentam o minarete.

No meio da sala de oração há um circuito fechado de água do mar chamado “Seguia“. Esse circuito serve para trazer a água do mar para o ritual de purificação realizado na sala de ablução.

No chão existem três aberturas com vista para as abluções. Uma parte do chão também é feita de vidro, de forma que os fiéis possam orar vendo o mar. Essa parte no entanto é reservada para a realeza.

Sala de oração com chão de vidro para visualização da sala de Oblução

Em ambos os lados da nave há duas colunas de granito sobre as quais está escrito, em ouro, a árvore genealógica do Rei Hassan II.

Na parte leste da sala de oração encontra-se o mihrab, que é a abóbada que direciona para Meca. O mihrab é feito de mármore branco de Carrara, azulejos (zelige) e gesso. Ele é usado pelo Imam para liderar as cinco orações diárias.

 

Detalhe dos desenhos do chão da sala de oração

Neste local também se vê o minbar, o balcão de mogno com incrustações de marfim usado toda sexta-feira para as orações.

Os detalhes das paredes e arcos são de um cuidado e uma delicadeza extraordinários. É impossível não ficar deslumbrado quando se visita o interior da Mesquita Hassan. A arquitetura, os detalhes da decoração e a força da devoção do povo são fatores que nos impressiona e emociona ao mesmo tempo.

 

O cuidado com os detalhes parece fazer parte da personalidade do povo marroquino. A caixa de som aparece discretamente na coluna

Eu fiquei muito feliz com a oportunidade de entrar em uma mesquita muçulmana. Apesar de ter muito contato com a cultura árabe há anos, eu nunca havia, fora do Brasil, a sentido de forma tão próxima. Para mim foi gratificante ter essa experiência e poder vivenciar o cotidiano de uma cultura que admiro bastante.

Uma cultura cheia de riqueza e encantamento que, ao meu ver, deveria ser separada dos acontecimentos internacionais que ocorreram nos últimos anos.

 

Pormenor dos desenhos geométricos. O Islã não permite reproduções humanas ou animais

Sala de ablução

Este é o local onde os fiéis se purificam antes da oração. A ablução consiste em lavar 3 vezes as mãos, boca, nariz, rosto, braços, cabeça, orelhas e pés até a altura do tornozelo. A ablução também pode ser feita em casa antes de se dirigirem à mesquita, mas a maioria faz nas muitas fontes de água do mar existentes no local.

 

Sala de Ablução

A sala de purificação é  de uma beleza incrível. É muito grande, com uma área de 4.800 m². No total são 41 fontes, incluindo 3 grandes e 38 pequenas. O desenho das fontes representa a flor de lótus.

 

41 fontes estão espalhadas em uma área de 4.800 m²

Além das fontes, ainda há uma centena de torneiras por todos os lados para que todos possam fazer o ritual da ablução.

 

Flor de lótus, símbolo da purificação, empresta seu formato às fontes da Sala de Ablução

Os lustres de cobre foram fabricados em Fès. Toda a sala é decorada com azulejos e revestida de tadelak vindo de Marrakech. O tadelak possui duas características, ele é resistente à umidade ao mesmo tempo em que mantém o calor no local.

O material consiste em uma mistura de argila arenosa, sabão, cal preto e gema de ovo. Graças à sua ação contra a umidade, os lustres da sala de ablução nunca precisaram ser lavados.

 

Um dos imponentes lustres da Sala de Ablução

Sala do Hammam

Hammam ou banho turco, combina as funcionalidades e a estrutura dos seus predecessores, termas romanas e banhos bizantinos, com a tradição turca dos banhos de vapor. A sala de Hammam é composta por 3 quartos, sendo uma sala morna, uma quente e, por último, uma muito quente.

 

Sala quente, antes da sala de vapor. Várias torneiras estão dispostas nas paredes, próximo aos mosaicos

A temperatura  da última sala pode atingir até 47°C, sendo o local onde se utiliza a água para o banho.

Sala do vapor. Hummm, que vontade...

O Hammam a vapor consiste de uma piscina aquecida equipada com saídas de vapor. A temperatura da água é de 38°C e a profundidade da piscina de 1,5 metro.

Também na sala de hammam se encontram zelliges magníficos bem como o revestimento em tadelakt.

Detalhe dos mosaicos

Medersa

É a escola corânica, conhecida como Mederda. Fica no lado leste da Mesquita Hassan II.

A biblioteca e museu

Ficam em ambos os lados da praça. São dois prédios idênticos e simétricos.

 

Fachada do Museu

Fachada lateral do prédio da biblioteca

Chamado para oração
No islamismo existem orações obrigatórias (Salat) que são praticadas cinco vezes ao dia. Essas cinco orações diárias contêm versículos do Alcorão que são recitados em árabe e são praticadas na alvorada, ao meio dia, no meio da tarde, ao crepúsculo e à noite. Assim, elas vão determinando o ritmo de todo o dia.

O dhan, ou o chamado para oração, é pronunciado em um tom melodioso pelo muazzin do alto do minarete.

 

Marroquina caminha em direção à mesquita enquanto se ouve o chamado para oração

Enquanto estava no Marrocos ouvi várias vezes o chamado para a oração. É muito bonito de se ouvir, assim como de se ver as pessoas caminhando em direção à mesquita para a oração. As ruas ficam mais vazias, as pessoas parecem se acalmar. Sem dúvida é um ritual muito bonito.

 

Tradução do Chamado para a oração:

Deus é Grandioso, Deus é Grandioso
Deus é Grandioso, Deus é Grandioso
Testemunho que não há outra divindade além de Deus
Testemunho que não há outra divindade além de Deus
Testemunho que Mohammad é o Mensageiro de Deus
Testemunho que Mohammad é o Mensageiro de Deus
Vinde à oração! Vinde à oração!
Vinde à salvação! Vinde à salvação!
Deus é Grandioso, Deus é Grandioso
Não há outra divindade além de Deus

 

Visitas guiadas

A Mesquita é aberta à visitação guiada em diversos idiomas todos os dias às 9, 10 e 11 horas da manhã e às 14:00, entre os meses de setembro até junho. Durante o período do Ramadã, a mesquita é aberta para visitação somente no período da manhã. Às sextas-feiras, a visita é feita mediante agendamento.

O bilhete de entrada pode ser comprado na própria mesquita e custa 120 dihans (aproximadamente 12 euros). Há desconto de 50% para estudantes, marroquinos, estrangeiros residentes no Marrocos. Estudantes marroquinos e crianças menores de 12 anos pagam 30 dinhans.

Mais informações:

Mosquée Hassan II

Sacred Destinations

 

Não, essa não é a frase dita, assim como o filme não foi gravado em Casablanca. A frase correta é “Play it once Sam” e o filme foi inteiramente gravado nos estúdios de Hollywood. Bom, seja como for, o filme contribuiu bastante para aumentar a fama da cidade.

Casablanca ou Dar el Baida é a capital econômica do Marrocos e a segunda maior cidade da África, depois do Cairo. Mais de 10% da população do país mora em Casablanca, correspondendo a mais de 3 milhões de habitantes.

A origem da cidade foi provavelmente como um posto de comércio Cartagiano conhecido como Anfa.

O porto existente no local era usado, dentre outras coisas, para a pirataria. O local foi dominado pelos árabes liderados pelo sultão Abd al-Mumin que derrotou os povos bérberes nativos do Marrocos.

A pirataria praticada nos portos, bem como sua localização estratégica, atraiu a atenção dos portugueses, que acabaram por invadir a cidade.

Casablanca foi destruída 2 vezes, em 1468 e 1515. Sessenta anos mais tarde, os portugueses reconstruíram a cidade.

A primeira casa erguida era branca, devido ao material usado na construção, o que originou seu nome: Casa Branca.

Como cada cidade no Marrocos tem uma cor que a representa, a cor de Casablanca não poderia ser outra que não a branca. Sendo assim, as construções da cidade seguem essa cor.

Os portugueses permaneceram em Casablanca por mais de 2 séculos, até o terremoto de 1755, muito comentado até hoje pelos guias locais.

Após a retirada dos portugueses, o sultão Mohammed ben Abdallah reconstruiu a cidade e deu-lhe o nome árabe Dar el Beida. Quando os espanhóis se instalaram no local, no final do século 18, rebatizaram a cidade com o nome Casablanca, que permanece até hoje.

Portão da medina de Casablanca

Fui para Casablanca em novembro de 2010. Foi a primeira cidade marroquina que visitei. No início fiquei preocupada com a temperatura, pois é quase inverno no hemisfério norte e muitos guias falavam de chuvas nessa época do ano no Marrocos.

Avenidas largas e limpas na parte nova de Casablanca, a Ville Nouvelle

Felizmente choveu apenas uma noite e a temperatura estava ótima. Não fazia tanto calor durante o dia e à noite a temperatura era amena, uma blusa de frio era mais do que suficiente. Portanto recomendo essa época para quem quiser conhecer as cidades imperiais.

Já para o deserto ou montanhas, o melhor é viajar até no máximo outubro, pois as noites no deserto podem ser bem geladas e as chuvas nas montanhas, além do frio, prejudicam muito quem deseja fazer alpinismo.

Embora seja menos turística que Fès ou Marrakech, Casablanca não deixa de ser um destino agradável. Porém não é necessário mais do que dois dias na cidade. Melhor gastar mais tempo em Marrakech.

Casablanca é uma cidade mais moderna, quando comparada com outras cidades do Marrocos. As principais indústrias do país se concentram ai. A cidade é mais cosmopolita e também mais ocidentalizada. Vi algumas mulheres sem véu e nenhuma usando a burca, bem como casais andando de mãos dadas.

Brasil, sempre presente

O trânsito, assim como em muitas cidades grandes, é caótico. Ouve-se uma sinfonia de buzinadas quase o tempo todo.

Para se locomover na cidade, pode-se pegar os taxis que não são caros. Existem os taxis brancos chamados de Grand Taxi que percorrem um trecho definido, normalmente periferia-centro. Os taxis vermelhos são chamados de Petit Taxi e funcionam como os nossos taxis, com taxímetro.

Aliás é sempre bom conferir se o taxímetro está funcionando antes de pegar o taxi. Preços fechados combinados antes geralmente saem mais caros do que quando se usa o taxímetro.

Marché Central

Um lugar divertido e característico para se visitar em Casablanca é o Mercado Central (Marché Central). É o principal mercado no centro da cidade. Foi criado durante o protetorado francês para satisfazer as necessidades dos europeus. Hoje em dia é frequentado por marroquinos e turistas curiosos.

Entrada do Marché Central

Mesmo para quem não deseja comprar nada, vale a visita. No mercado encontram-se bancas de flores, peixes, mariscos, frutas, secas, especiarias e outras coisas que fazem parte do coditiano marroquino.

Lá se vê o preparo dos peixes, a forma como são armazenados nas bancas (sem muito conhecimento dos conceitos de vigilância sanitária…) e principalmente muitos gatos rondando as bancas de peixes e roubando alguns pedacinhos que caem ou que sobram nas bacias onde grandes peixes como o peixe espada são lavados e cortados, se necessário.

Frutas frescas em uma banca típica

Peixes dispostos como em uma pintura em uma das muitas bancas de peixe do Marché Central

Pode parecer um destino não muito convidativo, visitar mercados e suas bancas. Porém, acredito que são nesses lugares que se vê  e se sente o puro espírito de um lugar e seu povo.

O mercado mistura os diferentes  e agradáveis odores das especiarias e frutas frescas com o cheiro forte, que dispensa qualquer descrição, dos peixes. Lá se vê pessoas do lugar em suas atividades coditianas em um cenário próprio e não em um daqueles especialmente projetados para atrair turistas, aqueles que representam o país apenas de forma superficial.

É o local onde Latifa vende seus peixes frescos aos Abdallahs e Alis de Casablanca.

A diversidade de cores e odores das especiarias marroquinas

Por estes e outros motivos que gostei bastante de visitar esse mercado e recomendo o passeio para quem for a Casablanca.

O Marché Central se localiza na Rue Chaouia e fica aberto entre 6:00 e 14:00. Há uma entrada também no Boulevard Mohammed V.

Filhotes a procura de sobras de peixes. Os donos das bancas também oferecem pequenos pedaços aos bichanos

Boulevard Mohammed V

Na região do Boulevard Mohammed V pode-se ver lindas construções típicas de Casablanca, de estilo Art-Déco (abreviação de arts décoratifs) em combinação com o estilo mouro. A arquitetura art-déco foi uma idealização francesa em conjunto com a arte mouravida já existente no Marrocos.

Art déco foi um movimento popular internacional de design de 1925 até 1939. Este estilo afetou as artes decorativas, arquitetura, design de interiores e desenho industrial, assim como as artes visuais, moda, pintura, artes gráficas e cinema. Este movimento foi, de certa forma, uma mistura de vários estilos e movimentos do início do século XX, incluindo construtivismo, cubismo, modernismo, bauhaus, art nouveau e futurismo.

Boulevard Mohammed V. Mohammed V era o avô do atual rei do Marrocos: Mohammed VI.

A Art déco também procurou inspiração no estilo tradicional marroquino, e por sua vez, teve uma grande influência mais tarde na arquitetura moura, como as janelas, escadas e varandas de ferro fundindo e desenhos florais, geométricos ou de animais em frontões e frisos.

A sua popularidade na Europa foi durante os anos 20 e continuou fortemente nos Estados Unidos através da década de 1930. Ao contrário de muitos movimentos de design que tiveram suas raízes em intenções filosóficas ou políticas, a Art Déco foi meramente decorativa, sendo visto como estilo elegante, funcional e ultra moderno.

Durante o protetorado francês, os franceses residentes eram proibidos de morar nas casas existentes dentro da medina (cidade antiga). Assim, os arquitetos franceses foram construindo casas e edifícios públicos nos bairros novos, chamados de Ville Nouvelle. Essas construções seguiam o então estilo da época, a Art-Déco.

Exemplo da arquitetura Art-Déco de Casablanca

Um belo exemplo da combinação do estilo mouro e art-déco é o Hôtel Lincoln, situado no Boulevard Mohammed V em frente ao Marché Central. O edifício foi construído em 1916 e infelizmente encontra-se hoje em ruínas. Conforme descrito no guia Lonely Planet, “o prédio está pacientemente à espera de uma tão falada restauração“.

Hôtel Lincoln a espera de uma necessária restauração

O Hôtel Lincoln já foi cenário para um filme americano sobre a guerra na Somália. Em 2006, o jornal La Gazette du Maroc publicou uma matéria sobre a promessa de restauração e sua lentidão em começar: Hôtel Lincoln à Casablanca : L’histoire réhabilitée (Hôtel Lincoln em Casablanca: a história restaurada).

É realmente uma pena que um edifício tão belo, um exemplo de uma arquitetura tão rica, esteja nesse estado de deterioração.

Detalhe da fachada do Hôtel Lincoln

Place Mohammed V

Próxima ao Boulevard Mohammed V, está a Avenida Hassan II. Esta avenida leva até a Place Mohammed V, antigamente conhecida por Place des Nations Unies. Esta praça rodeada de prédios públicos é o coração de Casablanca e o local onde as principais ruas e avenidas se cruzam. Na praça também há uma fonte musical com jatos de água coloridos e muitos aguadeiros a espera de turistas querendo tirar fotos e seus dihans (moeda do Marrocos).


Aguadeiro na praça Mohammed V

 

Aguadeiros são pessoas vestidas com roupas e chapéus coloridos. Antigamente não havia água dentro da medina e eram os aguadeiros que levavam água até os moradores que lá habitavam. Eles carregam um recipiente com água e várias “canecas” de metal penduradas no pescoço.

Hoje em dia, eles ainda vendem água, mas a principal atividade desses aguadeiros é realmente tirar fotos com os turistas.

Quando chegamos na praça, eles se aproximam rapidamente já se preparando para as fotos. Em troca, lógico, pedem dihans, uma prática comum por todo o Marrocos. Se desejar tirar fotos, deve-se pagar por elas.

 

Quanto pagar para os aguadeiros ou performistas é sempre uma dúvida para os viajantes. Em geral pode dar entre 10 e 20 dihans. É claro que o valor vai depender da quantidade de fotos tiradas. Mais fotos, mais dihans. Na dúvida, combine antes o valor das fotos.

Embora eu tenha lido em vários sites e blogs que os performistas e aguadeiros ficam agressivos se a pessoa não paga ou se o valor dado é baixo, eu particularmente não presenciei isso em Casablanca, já em Marrakech a coisa muda um pouco.

Mas não há motivos para preocupação em demasia. Quem quiser tirar fotos, pode tirar calmamente.

Para ter uma idéia do valor, 11 dihans correspondem a cerca de 1,00 euro.

Por outro lado, quem não quiser tirar fotos, deve deixar isso bem claro, pois os marroquinos sabem ser bem insistentes.

Estando na Place Mohammed V, do lado esquerdo (de quem vem da Boulevard Mohammed V) está o Palais de Justice (Palácio da Justiça), construído em 1925. A enorme porta principal e a entrada foram inspirados no  iwan persa, que define-se como um corredor ou espaço abovedado, fechado entre três paredes, estando a quarta parede inteiramente aberta ao exterior.

Palais de Justice na Place Mohammed V

A praça ainda é rodeada por outros prédios públicos seguindo um estilo racional planejado pelos arquitetos franceses Henri Prost e Robert Marrast que planejaram o desenho da praça para uma população de 150 mil, o que era um número muito maior do que o número de habitantes em 1924. Porém a população crescente de Casablanca ultrapassou a estimativa logo em 1923.

Henri Post é o principal responsável pelo estilo arquitetônico de Casablanca. Ele combinou o estilo tradicional marroquino com idéias de urbanização européias existentes na época.

Prédio público na Place Mohammed V

Outras construções que chamam a atenção próximas à praça são: o prédio da sede da agência de correios, inaugurado em 1919. Um maravilhoso edifício facilmente reconhecido pelos arcos e colunas de pedra, pelos mosaicos azuis e pelo teto e lustre de bronze; o Banque al Maghrib, claramente em estilo tradicional marroquino, sendo o último edifício construído na praça; e, por último o prédio da Ancienne Préfecture, de 1930. Conhecida como Wilaya, a construção em estilo colonial francês possui uma torre de 50 metros com um relógio no alto.

Ancienne Préfecture ou Wilaya

Continuando na Avenida Hassan II, no cruzamento com o Boulevard Moulay Youssef, encontra-se o Parc de la Ligue Arabe. Esse parque foi criado em 1918 com o objetivo de formar na cidade um “oásis” de descanso, diversão e local para caminhada.

As belas palmeiras ladeando a avenida criam um ambiente tranquilo que contrasta com o burburinho da cidade. É um lugar que convida para uma agradável caminhada.

Parc de la Ligue Arabe

Aïn Diab, a praia

A praia de Casablanca fica no bairro Aïn Diab. A praia começa próximo da velha Medina, passa pela Mesquita Hassan II, e continua por cerca de 3 Km. No entanto, a maior atração de Aïn Diab não é tanto o mar, mas sim os clubes existentes no Boulevard de la Corniche. Essa região muito agradável é repleta de hotéis/clubes com piscinas, normalmente preenchidas com água do mar filtrada, restaurantes, bares e discotecas.

Esteiras de um clube no Boulevard de la Corniche

Com vista para a praia, no Boulevard de la Corniche, também se encontram as villas, que são as grandes e bonitas casas de sauditas afortunados.

As praias parecem ser mais frequentadas por turistas do que por nativos e não deixa de ser interessante ver, no mesmo ambiente, a presença de turistas de biquines no meio de mulheres com véus.

Villas em Aïn Diab

O Boulevard de la Corniche é uma região muito agradável para uma caminhada no calçadão repleto de nativos com suas famílias e turistas contentes. Nesse local se encontram vários restaurantes. Uma boa dica é pedir peixes ou frutos do mar, uma vez que Casablanca fica no litoral e o peixe é sempre fresco. Deixe para comer as comidas típicas como o tajine ou cuscuz nas outras cidades, mesmo porque corre-se um sério risco de se cansar de comê-los todos os dias.

Mais informações:

http://www.casablanca.ma

http://www.morocco.com

http://www.visitmorocco.com

Marrocos sempre foi um sonho para mim, porém apesar de desejar conhecer o país, acabava sempre escolhendo outro destino na hora de arrumar as malas, na maior parte das vezes a Europa. Foi assim em 2006 e 2007, quando, em ambas as ocasiões, acabei optando pelo Velho Continente ao invés do Marrocos.

E dessa vez não foi tão diferente afinal, eu estava pesquisando roteiros para Egito ou Turquia, quando me deparei com a descrição de um roteiro para Tunísia e Marrocos. Bom, devido a restrições de disponibidade de tempo, a Tunísia foi deixada para uma outra oportunidade e, dessa vez, Marrocos sobressaiu como o destino certo para a ocasião.

É claro que a Europa, minha eterna paixão, acabou sendo de uma forma ou de outra incluída na viagem, com uma rápida passagem pela Espanha com direito a muitos tapas e vinhos. Porém a Espanha fica para outro post. Vamos voltar ao Marrocos.

 

Estreito de Gibraltar. Apenas 14,4 km separam Espanha e Marrocos.

É incrível como muitas pessoas (e me incluo aqui) imaginam a África um destino tão longe, mas não a Europa, sendo que Espanha e Portugal são países vizinhos ao Marrocos. A viagem para esse belo país africano provou para mim que, afinal de contas, a “África é logo ali” (como diria o Vanucci).

Mesmo quando pensamos no custo de uma viagem à África, podemos nos surpreender, pois uma pesquisa de roteiros, pacotes e passagens me mostrou que ir para o Marrocos, Tunísia ou Egito pode ser mais barato do que uma viagem aos nossos vizinhos Chile ou Peru.

Marrocos é um país encantador logo no primeiro contato. Seu povo, sua cultura, sua arquitetura, sua arte, seu jeito especial de ser uma mistura árabe e africana com uma pitada européia, o tornou um lugar cativante, especial, um país que sentimos saudades mesmo antes de partir.

E quando saimos do Marrocos somos impregnados com a eterna sensação de que devemos voltar, seja para rever suas maravilhas, seja para conhecer novos encantos.

Simpatia e hospitalidade dos marroquinos na Mesquita Hassan II em Casablanca

Sua cultura complexa é formada por árabes e berberes e remonta a tempos antigos construídos durante várias invasões de árabes e europeus (romanos, e mais recentemente franceses, portugueses e espanhóis). A história do Marrocos está intimamente ligada à sua localização geográfica. Objeto de desejo de muitos impérios durante séculos, desde o Império Romano até o protetorado francês, sendo que o Reino do Marrocos ganhou sua independência efetiva somente em 1956.

Ponto de encontro das principais caravanas de comércio e excepcional base militar estratégica, o  Marrocos conseguiu enriquecer seu patrimônio cultural a partir de todas essas ricas experiências históricas. O resultado foi uma mistura de cultura e arte hoje plenamente expressas através da diversidade de línguas faladas no Marrocos (árabe, berbere e francês), das religiões que convivem em harmonia (islamismo, judaísmo e cristianismo), e de seus magníficos artesanatos, fabricados há séculos quase que da mesma forma.

 

Interior da medina de Fès, a maior e mais antiga medina do mundo árabe

O Marrocos preservou sua identidade e valores ao longo dos séculos, sem no entanto deixar de se modernizar e de investir em seus recursos, principalmente na exploração do fosfato e no setor de turismo.

A imagem que nos traz é de um povo forte e sereno ao mesmo tempo, ligado em seus valores tradicionais, porém livre de extremismos religioso ou político.

 

Jelaba, a roupa típica de inverno usada no Marrocos

O Islamismo é a religião oficial do país, sendo parte fundamental da história do Marrocos há 14 séculos, orientando a vida espiritual marroquino. O Islã está presente no coração da vida marroquina, através dos costumes, arquitetura e educação. A chamada para a oração pontua a vida das mesquitas marroquinas, mausoléus e escolas corânicas. São hinos fortemente presentes no cotidiano das pessoas.

No entanto, o reino do Marrocos continua a ser essencialmente uma terra de tolerância, onde todos os credos vivem em harmonia. Por séculos, marroquinos judeus e muçulmanos convivem em respeito um ao outro, garantindo a liberdade de culto para uma comunidade diversificada, amigável, equilibrada e hospitaleira.

Muçulmano aguardando o chamado da Mesquita

A complexidade desse país nos desafia a descrevê-lo, mesmo que eu tentasse uma lista imensa de palavras e adjetivos, ainda assim o resultado seria simplificado e superficial. Afinal palavras não conseguem transmitir a beleza das montanhas Atlas, a singularidade de Marrakech, a riqueza dos detalhes encontrados nos mosaicos e outros artesanatos ou o sabor do chá de menta servido em todos restaurantes.

Eu a caráter no Hari Souani construído por Moulay Ismail em Meknès

Uma viagem ao Marrocos não se resume apenas em conhecer suas cidades, montanhas ou deserto. É mais do que isso. O país nos convida a um mergulho em sua cultura milenar, sua língua, sua escrita, seus mosaicos magníficos, sua gente.

Um passeio ao Marrocos não acontece sem sentir a vida pulsante e intensa existente dentro dos muros das medinas, sem sentir os mais diversos odores e cores de suas especiarias, dos tajines e cuscuz servidos em todos os lugares, sem ser arrastado para a multidão composta por nativos e turistas na praça Djemma El Fna, repleta de encantadores de  serpentes, adestradores, contadores de história, performistas e outros em busca da atenção e moedas dos turistas.

Sem dúvida alguma, Marrocos é um país cheio de encantos e surpresas, que nos presenteia com a magia das 1001 noites e, principalmente, com um destino prazeroso e inesquecível.