No primeiro dia em Marrakech, saímos logo cedo em direção à medina, um lugar, sem dúvida alguma, que desejávamos muito conhecer. É na medina que estão muitos dos pontos turísticos da cidade, incluindo a emblemática praça Djemaa El Fna, e é onde sentimos mais de perto o Marrocos em sua essência mais pura, mesmo em uma cidade turística como Marrakech.

A medina de Marrakech é um pouco diferente da que visitamos em Fès, as ruas são mais amplas e, embora também não haja carros, motos podem entrar. Nesse caso, assim como em Fès, tanto para as mulas, ou taxis da medina como eles chamam, quanto para as motos, é necessário sair da frente quando se escuta Balak Balak, que quer dizer atenção em árabe. É um aviso que a moto ou a mula carregada de coisas irá passar.

Mapa da medina de Marrakech

A medina de Marrakech também era menos movimentada que a de Fès, podíamos andar mais tranquilamente, sem precisarmos nos espremer nas paredes a cada Balak Balak que ouvíamos, porém essa diferença também era devida ao fato que visitamos a medina de Fès na véspera do feriado religioso chamado O Sacrifício de Abraão, e toda a população de Fès parecia estar na medina comprando os preparativos para a festa.

Bom, salvo as diferenças e as comparações inevitáveis entre as duas cidades, visitar a medina é sempre um passeio imperdívei e digamos até que necessário. É sempre divertido, um mundo exótico e antigo que se abre para nós assim que atravessamos os portões e muros tão imponentes quanto históricos.

Detalhe da porta de uma das casas da medina

São dois mundos divididos pelos muros: a Ville Nouvelle, a parte nova da cidade com prédios em estilo art-decó e influência francesa e a medina ou cidade antiga, um mundo que parece ter ficado parado no passado.

Ao passar pelos portões nos encontramos no meio de um frenesi de pessoas, sejam turistas, nativos, vendedores ou compradores, além das motos, transitando pelas ruelas. Ali dentro encontramos de tudo, desde dentaduras (arghhh) até tapetes belíssimos, tudo à venda, sempre com um “special prrrice forrrr you my frrriend”. Há souks especializados em tapeçaria, especiarias, objetos de bronze e prata e roupas.

Por todos os lados lojas que convidam a entrar

Tapetes e mais tapetes, o principal desejo de compras dos turistas

Além das lojas dos souks, também há muitas bancas vendendo frutas secas, doces, incensos, suco de laranja, dentre outras coisas. É uma mistura de aromas, cores e gente, formando uma sinfonia de uma cultura única que permaneceu quase imutável ao longo dos anos.

Winston Churchill dizia que se a pessoa tivesse apenas um dia no Marrocos, que passasse esse dia em Marrakech. Complementando a frase, eu diria que se você tiver apenas um dia em Marrakech, passe a maior parte do tempo dentro da medina.

Banca de frutas secas

Um dos pontos altos, mais divertido e também abarrotado de gente é a famosa praça Djemma El Fna, palco de um cenário humano tão incrível que merece ser descrita em um post a parte.

Do lado de fora também é interessante caminhar, para ver os muros que cercam a medina, levantados no século XII. Os tons ocres dão um toque todo especial, formando mesmo um cenário de filme das 1001 noites. A cor característica é devido à tabia, material usado na sua construção que corresponde à terra vermelha da planície, misturada com cal.

Imponente muralha vista do lado de fora da medina

São 19 km de muralha circundando a medina. São necessárias 2 horas de charrete, um modo agradável de se locomover em Marrakech, para percorrer toda a muralha. A visão é de uma beleza ímpar, que nos remete serenidade diante da imponência  dos muros de 9 metros de altura e 2 metros de espessura. Muros que parecem não se afetar pelos anos, pelo vai e vem de turistas ou pela tecnologia.

Se do lado de dentro há um alvoroço de gente, motos e mulas, do lado de fora temos calmaria e uma aparente tranquilidade. Uma visão romântica e exótica, apesar da seriedade e dureza das paredes.

Alvoroço do lado de dentro e serenidade do lado de fora da medina

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