Após visitarmos a mesquita Koutoubia, fomos até o Palais Bahia (pronuncia Barria), cujo nome significa Palácio da Bela. Esse magnífico palácio fica no bairro judeu Mellah, que até 1936 era o maior bairro judeu do Marrocos.

Átrio na entrada do Palais Bahia repleto de árvores

O palácio foi construído no final do século 19 pelo grão vizir Ba Ahmed para a sua preferida, que era obviamente a Bahia. Lá era a residência da família do grão vizir, composta por 4 esposas, 24 concubinas e incontáveis crianças. Dá para imaginar o ciúme que devia existir no local. Quando perguntei ao guia sobre a existência de ciúme, inveja ou brigas, ele me respondeu “Sim, sim! Molto, molto veneno“. Pelo visto, a Bahia devia ter que tomar muito cuidado com as demais esposas e concubinas do famoso grão vizir.

Provavelmente, já pensando nisso, o layout dos quartos, corredores e portas foi construído de forma a garantir que seu ocupante tivesse privacidade, evitando que houvesse encontros desagradáveis entre os moradores.

Detalhe da pintura do teto da sala principal do primeiro átrio do palácio

A construção é um belo exemplo da arquitetura residencial da época, cobrindo cerca de 8 hectares. Logo que entramos vemos um átrio com um grande jardim repleto de árvores como laranjeiras, coqueiros e até bananeiras e também muitas flores. O átrio é rodeado por vários quartos e salas dispostos lado a lado.

Riqueza de detalhes por todos os cantos

Inscrições em árabe também enfeitam o alto das paredes

Os quartos possuem tetos pintados de forma sofisticada, o que me fez pensar em como foi feito na época, com tantos detalhes e desenhos. Uma vez que a religião muçulmana proíbe a reprodução de formas humanas e animais, os marroquinos se especializaram em pinturas de desenhos geométricos, flores e arabesques resultando em lindas pinturas, ricas em detalhes, formas, combinações e cores.

Algumas paredes são brancas, sem pinturas ou desenhos, contrastanto com a riqueza de cores dos tetos, mas isso era porque na época eram cobertas por cortinas e tapetes.

Em cada quarto, uma pintura diferente e bela

Interior de um dos quartos do Palais Bahia

Continuando a visita, chegamos a outro átrio, ainda maior, também ladeado por mais quartos, todos com belas portas de cedro pintadas com detalhes geométricos ou flores. Por último há um outro jardim, também maior que o primeiro, com mais árvores e flores. Lá era o local de lazer e descanso das esposas e concubinas. Na época em que era habitado, havia também muitos animais nesse jardim. As portas possuem aberturas em forma de circunferência na parte de baixo que servia para os animais de pequeno porte, principalmente os gatos das mulheres, passarem de um local para outro.

Maior átrio do palácio rodeado por fontes e quartos e salas amplos

No total, foram necessários 7 anos para que o Palais Bahia fosse concluído, o que deu origem à divertida expressão marroquina “O Bahia finalmente terminou“, usada em casos onde as negociações demoram muito para finalizarem.

Detalhe da pintura em uma das portas de cedro

Imagino como o palácio deveria ser belo na época do seu esplendor, visto que hoje em dia ainda guarda muito da sua beleza. A Bahia deve ter ficado muito feliz, pois não poderia ter ganho residência melhor.

Sem dúvida, é um local que merece ser visitado. O Palais Bahia é aberto diariamente entre 8:45 e 11:45 e das 14:45 as 17:45, com exceção de sexta que reabre mais tarde na parte da tarde, às 15:00. O ingresso custa 10 dihans, aproximadamente 1,00 euro.

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